dezembro 30, 2017

[Livros] Moletom - Julio Azevedo

Título Original: Moletom
Autor: Julio Azevedo
Editora: Globo Alt
Páginas: 168
Gênero: Ficção, YA
País: Brasil
ISBN: 9788525063373
Classificação: ★★★
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Fofo, sensível e repleto de ilustrações lindas, Moletom é o tipo de leitura que aquece o coração num dia frio. Sem trazer um enredo muito complexo ou grandes reviravoltas, Julio Azevedo narra uma história como quem compartilha uma memória da juventude e nos conquista justamente por ser tão real quanto um dos amores que já vivemos.

Pedro está tentando encontrar a si mesmo enquanto foge de uma vida que não o compreende. Sonhando ser escritor, o jovem se vê escrevendo o próximo capítulo de sua própria história quando faz um amigo que poderá ajudá-lo a terminar seu livro. Essa amizade cheia de sentimento e compreensão é tão pura e espontânea que cada um dos rapazes não percebe o quanto passam a significar um para o outro. 

Os traços característicos de Julio Azevedo tornam a obra completa e complementam o texto com doçura, refletindo sentimento. Moletom não traz uma história de amor épica ou um grande drama capaz de destruir corações, pelo contrário, é um dos nossos tão conhecidos amores de verão - apesar de não se passar especificamente no verão, ok? É um daqueles romances que tem prazo de validade mas marcam nossa vida para sempre.

Se apaixonar nem que seja passageiramente é sentir a plenitude de estar vivo e mesmo que esse amor nos machuque depois do fim, a lembrança da felicidade permanecerá intocada. De momentos especiais é composta a nossa vida, ilustrações mentais de tudo o que conhecemos, cada uma delas única e imcomparável. Moletom é o retrato de uma bela história que pedia para ser contada com palavras e desenhos mas, acima de tudo, amor. 

"- Você já ouviu falar na palavra kaukokaipuu?
Confessei que mesmo trabalhando com palavras e sendo um velho amigo delas, nunca tinha ouvido essa antes. Voltando a olhar para o céu acima de nós, ele respondeu:
- Bem é um sentimento complexo. Na verdade, é uma palavra finlandesa que nem tem tradução para o português. É tipo quando você sente falta de um lugar que nunca visitou. Kaukokaipuu é tipo aquela sensação de ser um velho amigo de alguém que você acabou de conhecer. Pode parecer bizarro, mas é assim que eu me sinto em relação a você." 
(p. 57)

Sinopse: Em 'Moletom', Julio Azevedo — o jovem autor da página de mesmo nome do Facebook — mostra, por meio de uma narrativa envolvente e ilustrações poéticas, que não adianta tentar fugir dos problemas: eles nos perseguem até que os encaremos de frente. Seu protagonista, Pedro, está fugindo de algo. 

Ele acaba de chegar em uma nova cidade, onde ficará hospedado na casa da tia por algum tempo, e essa mudança representa para ele um recomeço, um escape de algo que está causando uma grande angústia. Assim que chega a esse novo ambiente, no entanto, ele conhece Lucas, um garoto que despertará exatamente os sentimentos que ele estava tentando evitar.

"É como se fôssemos feitos de pequenos encaixes.
E eu sempre sentia que estava faltando uma maldita peça." (p. 136)



[Livros] Mil Beijos de Garoto - Tillie Cole

Título Original: A Thousand Boy Kisses
Autor: Tillie Cole
Editora: Outro Planeta
Páginas: 400
Gênero: Romance, Drama, YA, Ficção
País: Reino Unido
ISBN: 9788542209822
Classificação: ★

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Mil Beijos de Garoto é o tipo de livro que nos faz chorar convulsivamente e parte um coração de mil formas diferentes. Definitivamente, meu favorito do ano, o livro de estreia de Tillie Cole foi mais um coração de papel que eu guardo no meu potinho de lindas leituras pelo resto da vida.

Narrando a história de um amor que dura a vida inteira, Mil Beijos de Garoto tem romance, drama e todas as aventuras apaixonadas de um jovem casal em busca de seus sonhos. A escrita da autora torna as paisagens e os personagens vívidos fazendo com que nossa imaginação crie cenários belíssimos enquanto se encanta por Rune e Poppy. 

Antes de perder a avó, sua pessoa favorita no mundo, a jovem Poppy recebe um presente único – um pote com mil corações de papel em branco – para viver a grande aventura que é sua vida. Vovó que colecionou a vida toda beijos de seu marido, costumava anotar cada beijo especial que ele desse nela e, assim, quando o vovô de Poppy partiu, ela tinha mil deles para se lembrar de seu grande amor.

Seu melhor amigo, Rune, decide então ser a pessoa especial que vai dar à Poppy os mil beijos e o que começou com a amizade de duas crianças vizinhas, se torna o mais puro tipo de amor. O relacionamento dos dois dura anos, até que Rune é obrigado a acompanhar os pais numa viagem de trabalho – lá ele deve ficar por anos – e perder Poppy, a luz da sua vida, o destrói por completo. 

Quando ele retorna à sua antiga vida, já não é mais o mesmo. Os anos de raiva se transformaram em rebeldia e o rapaz ficou tão bonito quanto perigoso. Poppy mal reconhece o garotinho que amou por toda a infância, mas por baixo do badboy encrenqueiro, ainda existe o encantador Rune e ele ainda ama a sua melhor amiga mais do que tudo.

Sensível, apaixonante e completamente devastador, Mil Beijos de Garoto me deixou sem palavras. Nada que eu escreva se compara à forma como meu coração explodiu por ter a oportunidade de ler algo tão lindo. Existem momentos únicos na vida, daqueles que devemos registrar na memória e em pequenos corações de papel, esse livro é um deles. E meu coração quase explodiu.

"Não sei bem por quê, mas capturar momentos me fascinava. Talvez porque às vezes tudo o que temos são momentos. Porque não há repetições; o que em acontece em um momento define a vida - talvez seja a vida." (p. 43)

Sinopse: Um beijo dura um instante. Mas mil beijos podem durar uma vida inteira. Um garoto. Uma garota. Um vínculo que é definido num momento e se prolonga por uma década. Um vínculo que nem o tempo nem a distância podem romper. Um vínculo que vai durar para sempre. Ao menos era o que eles imaginavam. 

Quando, aos dezessete anos, Rune Kristiansen retorna da Noruega para o lugar onde passou a infância – a cidade americana de Blossom Grove, na Geórgia –, ele só tem uma coisa em mente: reencontrar Poppy Litchfield, a garota que era sua cara-metade e que tinha prometido esperar fielmente por seu retorno. E ele quer descobrir por que, nos dois anos em que esteve fora, ela o deletou de sua vida sem dar nenhuma explicação.

"- Você vai me dar todos os meus beijos? O suficiente para encher este pote inteiro? - perguntei.
Rune deu outro sorrisinho.
- Todos eles. Vamos encher o pote inteiro e mais.
Vamos juntar bem mais que mil." (p. 29)

dezembro 26, 2017

[Livros] Entre As Estrelas - Katie Khan

Título Original: Hold Back The Stars
Autor: Katie Khan
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 280
Gênero: Distopia, Ficção Científica
País: Reino Unido
ISBN: 9788528621815
Classificação: ★

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Ficção científica distópica, Entre As Estrelas me surpreendeu com um romance daqueles que vão ficar para sempre na memória. Repleto de metáforas e questionamentos filosóficos, o livro de Katie Khan conquistou meu coração e o destruiu por completo ao narrar a história de um casal que luta contra as regras de uma sociedade opressora onde o amor não tem lugar e precisa esperar. Esperar, quando tudo o que menos temos é tempo. 

Max e Carys são membros da AEVE, uma agência espacial que tenta há anos descobrir uma forma de atravessar o cinturão de asteroides ao redor da Terra. Em um planeta devastado pelas guerras e refém de um sistema de governo autoritário, o confinamento que os impede de explorar a galáxia torna o futuro ainda mais incerto. Os dois cosmonautas são, então, enviados em uma missão inédita, mas acabam sofrendo um grave acidente e são arremessados no vácuo do universo.

Com apenas noventa minutos de oxigênio e poucas chances de sobrevivência, os dois relembram a jornada que percorreram e o quanto amam um ao outro. O tempo que sempre lhes pareceu inesgotável é cruelmente essencial e cada segundo os aproxima mais do fim. 

É difícil escrever sobre esse livro porque as lágrimas atrapalham a digitação e as estrelas parecem bem mais brilhantes essa noite. O universo - a coisa que mais me fascina - é o cenário dessa distopia e em meio a flashbacks sobre a vida na Terra, conhecemos os dois jovens que se apaixonaram no momento errado e foram punidos por isso.

Entre As Estrelas é sobre amar alguém mais do que a quantidade de estrelas no céu e lutar até o fim para protegê-lo. É o paradoxo de ser nada além de poeira das estrelas ao mesmo tempo que se é o universo inteiro de alguém. Esse livro me levou ao céu e me deixou lá, no vácuo, olhando para a Terra e tentando entender como tudo é lindo visto de cima.

"- Vamos fazer uma brincadeira - disse ele um dia, no apartamento de Carys, junto ao mar. - Complete essa frase. Quando os asteroides destruírem a Terra em pedacinhos, quero estar...
Ela pensou no assunto.
- Bem acima deles, observando tudo lá de cima. E você?
- Na cama com você." (p. 118)

Sinopse: Um romance futurista surpreendente sobre o impacto do primeiro amor e como nossas escolhas podem mudar o destino de todos ao nosso redor. Perfeito para os fãs Um Dia e Gravidade. Num futuro não muito distante, após a aniquilação dos Estados Unidos e do Oriente Médio, a Europa nada mais é que uma utopia na qual, a cada três anos, a população se muda para uma nova comunidade multicultural. 

Em um desses paraísos, Max conhece Carys, e é amor à primeira vista. Ele logo percebe que Carys é a pessoa com quem deseja passar o resto da vida - uma decisão impossível nesse novo mundo.

Conforme o relacionamento dos dois se desenvolve, a conexão entre o tempo deles na Terra e o dilema atual no espaço vai sendo revelado. À deriva entre as estrelas, com apenas noventa minutos de oxigênio, eles concluem que só um deles tem a chance de sobreviver. Mas quem?

"- Então vamos conversar.
- Não há nada melhor do que passar os últimos minutos da sua vida - diz Max - conversando com a pessoa mais sensacional que você já conheceu." (p. 151)


dezembro 24, 2017

[Livros] Tipos Incomuns - Tom Hanks

Título Original: Uncommon Types
Autor: Tom Hanks
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Gênero: Contos, Histórias, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788580417807
Classificação: ★★★★
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Uma coletânea de histórias do diretor, produtor, redator e ator Tom Hanks, Tipos Incomuns é uma mistura de sensibilidade e humor. A narrativa traz um contraste de histórias incomuns vividas por personagens que são, pelo contrário, bem ordinários, parecidos com qualquer um de nós. Cada texto tem apenas um elo em comum com os outros - uma máquina de escrever. A paixão do autor pelo objeto transparece em sua escrita e a forma como envolve a datilografia em suas histórias faz com que também nos encantemos pela magia dos tipos.

A heterogeneidade de temas e abordagens torna as histórias de Tom Hanks surpreendentes. Algumas delas terminam sem uma conclusão enquanto outras trazem reviravoltas inteligentes. Cada temática escolhida é contemporânea e aborda problemas com os quais estamos ou deveríamos estar lidando. A falta de trabalho para imigrantes, os desafios da vida moderna, o desejo de parar o tempo, a frenética vida de fama, as lembranças que nos levam de volta aos bons tempos, a busca incansável pelo perfeccionismo que arruína vidas, entre outros. 

É impossível não ler esse livro e traçar paralelos entre grandes personagens interpretados por Tom Hanks e os criados por ele. Em tons de comédia, melancolia, crítica e até mesmo um apego nostálgico pelo passado, seus textos são consistentes, deliciosos de ler. Destaco entre os meus favoritos: "De Volta Ao Passado", "Quem É Quem?", "Uma Viagem À Cidade Luz" e "O Passado É Importante Para Nós". Minha predileção pela temática "tempo" fica bem explícita nessa seleção. 

Eu não me surpreendi por ter me tornado fã do Hanks escritor, afinal, seu trabalho de atuação é magnífico e só mesmo alguém que conseguiu viver tantas vidas numa só, poderia escrever com a propriedade de quem, de fato, as viveu. Seja em um computador ou em uma máquina de escrever, as histórias desse livro tomaram vida, de maneira sensível e singular. Cada tipo compõe um trecho de uma história incomum como, curiosamente, são as nossas.

"Se alguma vez encontrar Al Bean novamente, vou lhe perguntar como foi a vida desde que cruzou duas vezes a equigravisfera. Ele sofre de melancolia numa tarde tranquila, enquanto o mundo gira no modo automático? De vez em quando vou me sentir triste, porque nada é tão maravilhoso quanto cortar Dufay ao meio?" (p. 136)


Sinopse: Um affaire agitado e divertido entre dois grandes amigos. Um ator medíocre que se torna uma estrela e se vê em meio à frenética viagem de divulgação de um filme. O colunista de uma cidadezinha com um ponto de vista antiquado sobre o mundo. Uma mulher se adaptando à vida na nova vizinhança após o divórcio. Quatro amigos e sua viagem de ida e volta à Lua num foguete construído num fundo de quintal.

Essas são apenas algumas das pessoas e situações que Tom Hanks explora em sua primeira obra de ficção. Os contos têm algo em comum: em todos, uma máquina de escrever desempenha um papel — às vezes menor, às vezes central.

Conhecido por sua sensibilidade como ator, Hanks traz essa característica para sua escrita. Ora extravagante, ora comovente, ocasionalmente melancólico, Tipos incomuns deleitará e surpreenderá seus milhões de fãs.

"- Passarinha - disse Bob. - Comece com uma nova você antes de tudo." (p. 152)


dezembro 19, 2017

[Livros] Manual do Coração Partido - Mari Ramos

Título Original: Manual do Coração Partido
Autor: Mari Ramos
Editora: BestSeller 
Páginas: 136
Gênero: Autoajuda
País: Brasil
ISBN: 9788546500543
Classificação: ★★★★
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Um manual de sobrevivência fofo sobre um momento nada fofo difícil pelo qual todos nós já passamos ou vamos passar: o fim de um relacionamento. Terminar é sempre algo devastador, independentemente da forma como acontece, encerrar um ciclo é sempre doloroso e uma ajuda para enfrentar a tristeza não faz mal. Em tom de conselho de amiga, Manual do Coração Partido narra situações em que tudo o que queremos fazer é chorar com um pote de sorvete no colo e nos ensina a enfrentá-las de cabeça erguida.

Uma diagramação linda e bastante atrativa em conjunto com o tom descontraído da autora torna o tema, que é tão pesado e negativo, algo leve e, por vezes, até cômico. O humor que desaparece completamente de nossas vidas após um término se faz presente nas lições de superação inusitadas propostas pelo livro e é possível chorar e sorrir num mesmo parágrafo. Acredite, aconteceu comigo!

O clichê da autoajuda, obviamente, se faz presente mas, não incomoda. Pelo contrário, as frases e músicas motivacionais só reforçam uma mensagem que precisa mesmo ser transmitida - pode parecer que vai, mas você não vai morrer. Dividido em cinco fases, bem como o processo de luto, Manual do Coração Partido nos ajuda a lembrar que outras pessoas passaram por isso e conseguiram seguir em frente, mesmo que nós não consigamos ver uma saída do fundo poço. 

Mari Ramos nos ensina a respeitar cada uma das fases pelas quais precisamos passar. Chorar, sofrer e se sentir mal é necessário, só assim poderemos amadurecer e aprender em nossos próximos relacionamentos. Se nada é para sempre - nem mesmo aquele amor que você jurou que nunca acabaria - imagina a tristeza. Ela vai passar e, se não passar, não hesite em buscar ajuda profissional, afinal, não vale a pena sofrer por um amor ruim. Como dizem os filósofos contemporâneos: "Se você amou tanto a pessoa errada, imagine o quanto pode amar a certa."

"Você quer mesmo aceitar qualquer reação da parte dele? Vale qualquer coisa para chamar a atenção?" (p. 61)

Sinopse: Uma das únicas certezas que temos sobre a vida, além do nascimento e da morte, é que, uma hora ou outra, todos sofreremos por amor. Ninguém está imune. Podemos até não ter muita escolha sobre como vamos nos sentir quando esse momento chegar, no entanto, podemos escolher como vamos reagir. 

Em Manual do coração partido, a autora Mari Ramos nos mostra que é possível dar a volta por cima, baseada em situações vividas por ela e por amigas, e compartilha conosco, de forma bem-humorada e descontraída, dicas de como encarar a fase do luto pós-desilusão amorosa. A autora usa como referência as cinco fases do luto em divertidas situações com as quais todos que já tiveram o coração partido vão se identificar.Nas palavras da própria autora, esse livro é “dedicado a todos aqueles que já sofreram por amor e acharam que o mundo fosse acabar… Mas não acabou”.

"Mas, não importa aonde você vá, há essa ausência que, paradoxalmente, te acompanha sempre. Sensação social estranha essa, de estar, mas não estar, de sorrir, mas nunca rir, de falar e não se escutar. Uma vontade incontrolável de desistir de tudo." (p. 66)

dezembro 11, 2017

[Livros] Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente

Título Original: Textos Cruéis Para Serem Lidos Rapidamente
Autor: TCD
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Gênero: Coletânea, Textos
País: Brasil
ISBN: 9788525065360
Classificação: ★★★★
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Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente é um chute no estômago. Esse livro fala sobre morrer de amor ou da falta dele e, ainda assim, ter que continuar vivendo. Com uma exposição de sentimentos e histórias tão intensos quanto o título sugere, a coletânea tritura e esmigalha corações que  já estavam partidos. Cada fragmento narra a dor, o desespero e a tristeza que permeiam as relações humanas, e essa percepção da realidade é, de fato, excruciante.

Com uma diagramação linda e ilustrações de Anália Moraes, Textos Cruéis Demais... é uma obra-prima que une diferentes linguagens para falar de sentimentos complexos. Todos os textos iniciam-se sem maiúsculas, como se não se importassem com regras ou como se não coubessem limitações para o sentir, isso faz com que cada fragmento pareça incompleto dentro de sua completa significância.

Dividido em quatro "temas centrais", o livro segue como que em fluxo de pensamento, mais que isso, sentimento, e nos leva a uma jornada de reflexão. Pelo menos uma das situações que inspirou os textos já aconteceu com seus autores, bem como conosco e essa identificação torna a dor ainda mais palpável. 

Muitos livros mexeram comigo de diferentes maneiras, mas esses textos chegaram a mim no momento em que eu mais precisava deles. Cada pedrada no coração ajudou a abrir feridas que não estavam cicatrizadas para que eu pudesse finalmente limpá-las e seguir em frente. A crueldade não está nas palavras impressas deste livro, mas sim nas lágrimas salgadas que teimam rolar pelo nosso rosto quando um texto nos compreende.

"a dor surgia de assimilar que você era igual aos outros caras que encontrei por aí. de que você poderia ser diferente de todos ele mas que, mesmo assim, preferiu ser igual." (p. 27)

Sinopse: Indo contra a tendência dos textos curtos e superficiais que são postados nas redes sociais, o coletivo literário Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente (TCD) passou a produzir e compartilhar um conteúdo extenso, profundo e extremamente poético em suas páginas no Facebook e no Instagram. 

Com seus escritos e ilustrações, eles acabaram atingindo um público muito maior do que o esperado, nos mostrando como, apesar da crescente agilidade que nossa comunicação exige, ainda precisamos de tempo para digerir e entender nossas complexas relações humanas. Para este livro, foram produzidos textos inéditos que ganharam a companhia das sensíveis ilustrações de Anália Moraes.

"a metáfora é que quanto mais luz, mais dor, você era um raio solar em pleno meio-dia em horário de verão." (p.204)


novembro 15, 2017

[Livros] Mister O. - Lauren Blakely (Big Rock #2)

Título Original: Mister O.
Autor: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 272
Gênero: Romance Erótico, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788595810020
Classificação: ★★★★
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Mister O. é o segundo livro de Lauren Blakely que tenho o prazer de ler e traz um divertido e sensual romance vivido pela irmã do protagonista de Big Rock. Intenso e mais explícito que o anterior, esse é o tipo de leitura que nos vicia e faz com que torçamos para que a mocinha se apaixone pelo personagem principal como nós nos apaixonamos. 

Seguindo uma linha mais cômica e com tiradas inteligentes, Lauren Blakely constrói uma narrativa dentro da narrativa e compara seu protagonista à criação artística que dá nome ao livro. Nick Hammer, trocadilhos à parte, é um famoso ilustrador e deu origem a um desenho animado - para adultos - de sucesso.

Nos quadrinhos e na série televisiva inspirada no Mister Orgasmo, Nick criou um super-herói que salva mocinhas insatisfeitas. Ele ajuda o mundo fazendo com que elas se satisfaçam. A proposta já é engraçada, chegando a ser ridícula e essa é a real intenção da autora, mostrar que falar sobre sexo pode ser divertido e não deve ser um tabu. 

Como seu alter-ego, Nick é um expert em conquistar mulheres e coloca parte de suas experiências pessoais em suas histórias. O resultado disso é a fama de pegador que o acompanha por toda parte. Todas as mulheres caem a seus pés e ele deixa claro que tem o objetivo de satisfazê-las ao extremo. Afinal, que pra quê outro superpoder, né?

O único problema é que Nick tem uma quedinha pela irmã do seu melhor amigo, a única garota expressamente proibida para ele. O típico clichê de se apaixonar pela única pessoa no universo que você não pode ter. Quem nunca? 

Harper Holiday é tão carismática quanto seu irmão e nos conquista com uma mistura de ingenuidade e safadeza. Ela é, no entanto, um desastre no quesito amoroso e resolve pedir ajuda para alguém que entende do assunto. Ela nem imagina que essas "aulas" de sedução serão uma espécie de tortura e prazer para os dois, quanto mais tempo juntos eles passam, mais difícil fica tentar manter a distância.

Fofo, engraçado e cheio de piadas de duplo sentido, Mister O. é um tom diferente do seu antecessor e, confesso, a leveza do anterior me conquistou mais. De qualquer forma, é impossível não se encantar por esse casal improvável e torcer para que eles consigam salvar um ao outro.

"Talvez eu esteja dando a isso um significado maior do que de fato tem, mas é como se a Harper estivesse retribuindo, sabe? Como se ela quisesse exatamente a mesma coisa: o próximo capítulo daquele beijo que começou fora da sua casa. Assim, eu respondo:
- Que tipo de beijos?
- Beijos que me fazem derreter.
- São o melhor tipo." (p.101)

Sinopse: Nick Hammer tem a vida que todo cara sempre sonhou: dinheiro e mulheres lindas aos seus pés, que não esperam nada em troca além do melhor sexo de suas vidas. E tudo isso graças ao seu personagem, Mister Orgasmo, que saiu das páginas dos gibis para ganhar um programa na televisão. Agora Nick se tornou o mentor sexual de homens ao redor do mundo e o objeto de desejo de todas as mulheres. Para para Nick, e seu alter ego Mister O, a receita é simples: dar prazer, sempre! 

Mas tudo isso pode estar em risco quando um pedido acontece. Harper, A irmã de seu melhor amigo, Spencer Holiday, também quer aprender as valiosas lições de Nick e Mister O. Harper é divertida, inteligente, linda e irresistivelmente sexy. E lutar contra o desejo de ter ela em sua cama será o pior pesadelo de Nick. Mister O vai conseguir “salvar” essa mocinha e ainda não ferrar a relação com o seu melhor amigo? Um romance divertido, leve, sexy e que vai arrancar suspiros dos leitores. Afinal, não dizem que o amor e a amizade andam lado a lado? Talvez eles até possam dormir na mesma cama.

"Eu quero que a Harper seja feliz em todos os sentidos: na cama e fora dela. Não pretendo proporcionar a essa mulher apenas dez mil orgasmos. Quero vê-la sorrir mais vezes do que puder contar." (p. 227)



novembro 10, 2017

[Livros] A Invasão de Tearling - Erika Johansen (A Rainha de Tearling #2)

Título Original: The Invasion Of The Tearling #2
Autor: Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Páginas: 400
Gênero: Fantasia, Distopia,
País: EUA
ISBN: 9788556510471
Classificação: ★

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A Invasão de Tearling, segundo volume da série A Rainha de Tearling, é ainda melhor que seu antecessor e traz as consequências catastróficas dos acontecimentos do primeiro livro. O livro de Erika Johansen se destaca de outras fantasias justamente por ser uma mistura de gêneros e abordar com maestria as mais importantes críticas sociais contemporâneas. Em um ritmo intenso e, ainda assim excessivamente descritivo, a narrativa acompanha o desenvolvimento da protagonista e seu crescimento na trama.

A construção da forte protagonista feminina, que foi o foco do primeiro volume, atinge seu ápice quando Kelsea passa a se perceber como mulher, rainha e entender seu poder - em todos os sentidos. Com uma mensagem feminista sólida, a autora expõe diferentes facetas da discriminação contra a mulher, abordando o problema em diferentes momentos da História do Tearling e trazendo os pontos de vista únicos de suas personagens.

Críticas sociais e políticas permeiam toda a narrativa e a tentativa de um sistema igualitário se mostra falha quando percebemos que o poder pode cegar até mesmo um bom líder, derrubando qualquer sistema de governo. A autora expõe os anseios de uma sociedade desesperada por um futuro melhor e que acaba, como na vida real, repetindo os mesmos erros do passado enquanto tenta evitá-lo.

Em uma série que envolve magia, fantasia, política, distopia e certa dose de terror, Erika Johansen evidencia problemas reais em uma história surpreendente, perturbadora e extremamente crítica. A relação entre o passado e o futuro é genial, estando um diretamente conectado ao outro e às consequências das escolhas de pessoas que ousaram tentar mudar as coisas. 

Épicos embates metafóricos estão presentes em A Invasão de Tearling, há o bem contra o mal, a tecnologia versus a ignorância, o conservadorismo contra o liberalismo, a fé em oposição ao ceticismo, o conformismo em contraposto à rebeldia, entre outros. Cada uma dessas falsas dicotomias é explorada sabiamente pela trama e compõe a personalidade de personagens fortes que têm motivações consistentes.

O tom medieval que o universo distópico de Tearling apresenta é bastante diferente do que as distopias costumam apresentar e, por isso, sua trama é algo completamente novo, de certa forma, assustador e belo. A perspectiva de que o futuro culmine numa repetição do passado é aterrorizante e, infelizmente, cada vez mais real fora da ficção. A diferença é que não temos magia para tentar evitá-la.

"A Travessia foi mais de três séculos antes, mas aquele mundo de repente parecia muito próximo, separado por um fino véu de tempo.
Deus grandioso, pensou Kelsea com desolação, não mudamos nada?" (p. 83)

Sinopse: Kelsea Glynn é a rainha de Tearling. Apesar de ter apenas dezenove anos e nenhuma experiência no trono, Kelsea ficou rapidamente conhecida como uma monarca justa e corajosa. No entanto, o poder é uma faca de dois gumes. Ao interromper o comércio de escravos com o reino vizinho e tentar conseguir justiça para seu povo, ela enfurece a Rainha Vermelha, uma feiticeira poderosa com um exército imbatível. 

Agora, à beira de ver o Tearling invadido pelas tropas inimigas, Kelsea precisa recorrer ao passado, aos tempos de antes da Travessia, para encontrar respostas que podem dar ao seu povo uma chance de sobrevivência. Mas seu tempo está acabando... Nesta continuação de A rainha de Tearling, a incrível heroína construída por Erika Johansen volta para outra aventura cheia de magia e reviravoltas.

"Ela tentou sentir pena dele, mas só conseguiu um pouco. Pen ficava ao lado da rainha todos os dias, sua espada protegendo-a do mundo inteiro. Com certeza aquilo era recompensa suficiente.
O amor era real, pensou Aisa, mas secundário. Sem dúvida o amor não é tão real quanto minha espada." (p. 164)


outubro 28, 2017

[Blogagem Coletiva] Leia.Seja.


A Leia.Seja é uma campanha é protagonizada por um time de personalidades do esporte, das artes cênicas, da música e da comunicação, convidadas a incorporar personagens icônicos da literatura brasileira e mundial. O técnico de vôlei Bernardinho se vestiu de Capitão Rodrigo, de “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo; o publicitário Washington Olivetto e a cantora Baby do Brasil fizeram Visconde de Sabugosa e Emília, de “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato; a apresentadora Bela Gil virou a Capitu de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; o ator Cauã Reymond se fantasiou do protagonista de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes; e o jornalista Pedro Bial aparece como o detetive de “As aventuras de Sherlock Holmes”, de Arthur Conan Doyle.

O conceito da ação parte da ideia de que, quando lemos, nos tornamos parte da história – ler estimula a imaginação, a criatividade e a inspiração; faz rir e chorar, refletir e viajar. Nas peças, as personalidades dão vida aos personagens, lendo trechos dos títulos escolhidos. Assim que fecham os livros, voltam a ser eles mesmos, com o semblante transformado pelo prazer e a reflexão que uma boa leitura oferece.

O grupo foi fotografado e filmado por Miro, um dos mais consagrados fotógrafos brasileiros, em cenários que remetem às obras. As imagens publicitárias serão utilizadas em anúncios impressos, mídia digital e urbana.

“O Brasil precisa com urgência de uma revolução de cidadania e ética, e acreditamos que a leitura tem um papel fundamental a desempenhar nessas áreas. A campanha ‘LEIA.SEJA.’ quer mostrar exemplos de pessoas reconhecidas pelo público em geral, que tiveram suas trajetórias marcadas pelos livros de diferentes maneiras”, afirma Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL. “Nosso desejo é que essa ação reverbere pelos meses seguintes, estimulando o hábito da leitura ao redor do país e propondo uma conscientização sobre o seu valor”, completa.


Pereira comemora os passos da ação até o momento. “Começamos a campanha Leia.Seja. com o pé direito na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, com excelente repercussão e envolvimento do púbico. Nessa primeira fase da campanha, conseguimos alcançar mais de 1,1 milhão pessoas nas redes sociais. A partir de outubro, peças começarão a ser veiculadas e estarão decorando as livrarias de várias partes do Brasil, e contamos com o engajamento de todos nas celebrações do Dia Nacional do Livro”, diz.

“Leia.Seja.” nas redes sociais

Em pouco mais de um mês de presença nas redes sociais, a Leia.Seja alcançou uma média de mais de 37 mil pessoas por dia no Facebook e, no Instagram, a hashtag #leiaseja foi registrada em mais de 1.400 publicações públicas.

Com mais de 13 mil curtidas, a fanpage da campanha no Facebook reúne depoimentos de personalidades e leitores sobre obras que os inspiram, além de charadas, dicas e curiosidades sobre o universo literário.

Divida sua paixão pelos livros através de seu personagem favorito. Use as hashtags #LeiaSeja e #DiaNacionalDoLivro, marque os perfis nas redes sociais (@leiaseja) e divirta-se! Vamos juntos celebrar o valor do livro na sociedade.
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