maio 04, 2021

[Livros] O Pintor de Memórias - Gwendolyn Womack

Título Original
: The Memory Painter
Autor: Gwendolyn Womack
Editora: Record
Páginas: 378
Gênero: Romance, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788501071606
Classificação: ★
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Meu mais novo favorito da vida, O Pintor de Memórias foi lido por uma alma que viveu muitas vidas até chegar a esta. Ter encontrado essa história nessa existência e nesse momento tem um significado místico muito especial para mim. As palavras de Gwendolyn Womack viverão em mim para sempre, uma bússola para me guiar quando eu sentir que estou perdida.

Uma bela história de amor e reencontros de almas, esse livro fala sobre como vivemos nos reencontrando existência após existência, passado e futuro interligados ao nosso presente. Em cada uma de nossas vidas somos, como diria David Mitchell em Atlas de Nuvens, "patinadores num rinque de gelo, cruzando e recruzando nossos caminhos por todas as eras".

Bryan tem memórias de suas vidas passadas e em cada uma delas ele amou profundamente a mesma pessoa - e em todas a perdeu. Quando reencontra a mulher que o acompanhou por todas as eras, ele precisa tentar descobrir como mantê-la a salvo e compreender o motivo de suas visões. A cada lembrança, uma morte causada por uma mesma pessoa - uma alma que odeia a sua. Reconhecer o amor das suas vidas e, logo em seguida, o mal que o persegue pode ser devastador. Como podemos mudar aquilo que fomos predestinados a viver?

Uma verdadeira obra de arte, essa história foi escrita por uma artista que tinha em suas lembranças muitas vidas para contar. Gwendolyn Womack pinta um retrato belíssimo da eternidade e nos convida a mergulhar em suas cores vivas. Se em todas as minhas vidas eu estive predestinada a algo, com certeza, foi a me refugiar nos livros enquanto buscava a alma que eu tanto amei em outras existências.

Sinopse: Um amor que atravessa o tempo. Uma equipe de cientistas prestes a fazer uma grande descoberta sobre a construção da memória e um medicamento milagroso capaz de revelar um mistério antigo.Bryan Pierce é um renomado pintor cujos trabalhos deslumbram o mundo. Mas há um segredo para seu sucesso: cada tela é inspirada em um sonho excepcionalmente vívido. Sempre que acorda, ele adquire novas e extraordinárias habilidades, como a capacidade de falar línguas obscuras ou um gênio inexplicável para o xadrez.

A vida inteira Bryan se perguntou se seus sonhos eram apenas isso ou se seriam memórias, se ele estaria experimentando a vida de outras pessoas. Linz Jacobs é uma neurogeneticista brilhante, dedicada a decifrar os genes que ajudam o cérebro a criar memórias. Ao visitar uma exposição na galeria de uns amigos, ela se depara com a imagem de um pesadelo recorrente de sua infância e adolescência... em um dos quadros de Bryan. Linz localiza o artista, e o encontro dos dois desencadeia o sonho mais intenso do pintor: a visão de uma equipe de cientistas que, na iminência de descobrir uma cura para o Alzheimer, morre em uma explosão no laboratório.

Bryan fica obcecado pelas circunstâncias estranhas que cercam a morte dos cientistas, e seus sonhos aos poucos revelam o que aconteceu no laboratório, assim como um mistério mais profundo que o leva ao Egito antigo. Juntos, Bryan e Linz começam a perceber um padrão em seus sonhos. E que há um inimigo mortal observando cada movimento deles que não vai parar enquanto não atingir seu objetivo.

EditoraRecord|Skoob

abril 22, 2021

[Livros] As Aventuras do Pinocchio - Carlo Collodi

Título Original
: Le avventure di Pinocchio
Autor: Carlo Collodi
Editora: Instituto Mojo
Páginas: 224
Gênero: Infantil, Clássico
País: Itália
ISBN: 9786599075254
Classificação: ★
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Em uma edição belíssima, As Aventuras do Pinocchio foi uma leitura encantadora. Cheio de lições valiosas sobre as consequências das nossas escolhas, o livro infantil de Carlo Collodi ainda se mantém um clássico atemporal. Sua influência na nossa cultura é tão forte que Pinocchio e seus personagens fazem parte do nosso imaginário e são alegorias perfeitas para as falhas e virtudes humanas.

O garoto Pinocchio que se mete em muitas confusões por mentir e se deixar levar pelos outros, é um retrato da ingenuidade de uma criança. Sim, em muitos momentos o garoto é insolente, pedante, mal-educado e mimado a ponto de dar raiva no leitor. Mas a vida sempre lhe dá uma lição, seja ela justa ou não. Por mais que as atitudes do garoto sejam recorrentes e ele sempre jure que não vai mais errar, o errado o seduz e ele, mais uma vez, cede. Não somos todos assim em diferente proporção?

O amor do pai e o carinho pela fadinha azul guiam o garoto pelo seu caminho tortuoso. Por ser um menino, de madeira ainda por cima, sua bússola moral não está completamente formada e suas atitudes impulsivas e irresponsáveis lhe ensinam com muito sofrimento. Pinocchio é um modelo para seus jovens leitores, lhes mostrando as consequências negativas de desrespeitar os pais, fugir da escola, mentir. 

Todos nós cometemos e cometeremos nossa parcela de erros e aprenderemos com eles, e se um garoto de madeira sofreu tanto para nos ensinar uma lição é a de que: tudo o que fazemos traz uma consequência - seja ela boa ou ruim. Ao final de nossas histórias temos um desejo a perseguir e tentamos fazer o melhor para alcançá-lo. Pinocchio nunca quis crescer, mas quis ser um menino de verdade e descobriu que ambos são a mesma coisa.

Sinopse: Certa vez, um simples pedaço de pau teve a ideia de se transformar em uma criança de verdade. Muita coisa precisaria acontecer, como por exemplo um carinhoso e solitário velhinho marceneiro esculpir um boneco daquela madeira ou uma fada de cabelos azuis simpatizar e o salvar repetidas vezes.

Mesmo assim, o que sabe um pedaço de pau sobre a vida, responsabilidade e altruísmo? Nada, é claro. Mas, como a vida é mágica por si só, com ou sem fadas e situações fantásticas, ela mesma talvez ensine ao Pinocchio que para ser uma criança de verdade basta amar alguém.

As aventuras de Pinocchio só ficaram conhecidas após a morte de Carlo Collodi, e ainda mais com a adaptação da Disney, no desenho animado de 1940, um dos primeiros longas-metragem do estúdio. Até hoje a história sobrevive pois fala profundamente com nossas emoções, demonstrando erros e acertos de alguém que não entende o mundo e as consequências de seus próprios atos.

Mais viva do que nunca, a história ainda tem centenas de adaptações para teatro, cinema, desenho animado e até videogames. Em 2002 o comediante italiano estrelou uma nova produção e para 2021 a Netflix anunciou uma nova adaptação, desta vez em stop-motion, dirigida por ninguém menos que Guillermo del Toro (diretor de O labirinto do fauno, Hellboy e A forma da água).

abril 14, 2021

[Livros] A Arte da Guerra - Sun Tzu

Título Original
: 孫子兵法
Autor: Sun Tzu
Editora: Buzz
Páginas: 134
Gênero: Estratégia, Autoajuda, Desenvolvimento Pessoal
País: China
ISBN: 9788593156632
Classificação: ★
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Clássico da literatura mundial, A Arte da Guerra traz um conjunto de estratégias militares escritas há mais de dois mil anos pelo general Sun Tzu. Seus ensinamentos sobre como liderar um exército em busca da vitória o tornaram uma referência em estratégia e desenvolvimento pessoal e foram incorporados ao mundo dos negócios.

Em treze capítulos curtos e objetivos, Sun Tzu explica como a astúcia pode ser tão ou mais importante que a força perante a guerra. O sucesso não é combater e vencer, mas sim, vencer sem nem precisar entrar de combate. Em uma época marcada por conflitos e batalhas, as palavras de Sun Tzu foram definitivas para uma visão holística dos confrontos, enxergando a guerra como algo muito mais complexo.

Entre seus ensinamentos está a célebre frase "Conhece-te a ti mesmo e ao teu inimigo e em cem batalhas nunca correrá perigo". É interessante ver o poder das sábias palavras do general em aplicação hoje em um cenário completamente diferente e, ainda assim, tão sensatas. À luz dos tempos modernos e dos conflitos que enfrentamos, ver tudo sobre uma perspectiva mais ampla e ter conhecimento daquilo que se confronta é essencial.

Essa edição linda de colecionador da editora Buzz é, sem dúvidas, a mais bonita que eu já vi. Em um trabalho editorial impecável, as táticas de Sun Tzu que originalmente foram escritas em tábuas de madeira, são honradas e reverenciadas. Entender todas as variantes é prever o resultado da guerra, isso serve para todas as batalhas que você venha a encontrar. Que você não encontre duras lutas em seu caminho, mas se encontrar, lembre-se que sobreviver é arte.

Sinopse: A Arte da Guerra, de Sun Tzu, pertence à rara categoria de textos ‘curtos' (não mais do que trinta e poucas páginas), escritos há mais de 2 mil anos, cuja influência e impacto mundial parecem infinitos. Nesta seara, talvez só o Eclesiastes lhe seja comparável.

Escrito originalmente como um manual de estratégia militar, seu alcance expandiu se para diversas áreas, das práticas corporativas ao treinamento de equipes, desde que foram feitas as primeiras traduções para o Ocidente há pouco mais de 200 anos. Dividido em 13 capítulos ou estratégias, “A Arte da Guerra” nos ensina valiosas lições de gestão e liderança através da análise da atuação ideal de um exército.

O leitor descobrirá aqui, dentre outras coisas, a importância de delegar tarefas, pois isto “pode descobrir talentos ao usar a ambição dos soldados”, ou ainda o poder de um objetivo comum, já que “vencerá aquele que tem as tropas unidas por um propósito”.

Pode parecer surpreendente, mas A Arte da Guerra revela táticas que na verdade pretendem abreviar a guerra em si, ou ainda mesmo criar condições para conseguir uma vitória sem sequer enfrentar uma batalha. A principal ‘arma' empregada por Sun Tzu é a aplicação do princípio do contrário, ou seja, utilizar se de estratégias em que você mostra sempre o contrário do que pretende. Só assim se consegue uma vitória rápida, graças à surpresa dos adversários. Esta edição que você tem em mãos tem ares de definitiva, já que, além de o texto ter sido modernizado, foi traduzida diretamente do chinês. Um livro inesgotável.

março 17, 2021

[Livros] Os Segredos Que Nos Cercam - Kathryn Hughes

Título Original
: The Secret
Autor: Kathryn Hughes
Editora: Astral Cultural
Páginas: 320
Gênero: Romance, Drama
País: Inglaterra
ISBN: 9786555660067
Classificação: ★
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Um drama familiar bem construído, Os Segredos Que Nos Cercam traz em sua narrativa, diversas histórias que convergem em um determinado evento. Cada pessoa imersa em sua própria vida nem imagina como impacta a vida dos demais.

Ao descobrir que seu filho precisa de um transplante com urgência, Beth se prontifica a fazer o possível para encontrar um doador compatível. O que ela não esperava é descobrir que sua árvore genealógica fosse um grande mistério que sua mãe morreu levando consigo.

Muitas reviravoltas, um recorte de jornal e um acidente de carro vão nos dando as pistas para o que pode ter acontecido e junto com a protagonista descobrimos suas origens. A escrita de Kathryn Hughes é fluida e cada capítulo nos prende com a necessidade de descobrir mais sobre o que aconteceu naquele dia. Quando acreditamos que entendemos tudo, percebemos que há muito mais a ser revelado. Um acidente, uma história de amor, uma despedida, um mistério. Afinal, somos todos histórias a contar. Que os nossos segredos sejam lidos por bons olhos.

Sinopse: Um segredo guardado há 40 anos pode vir à tona e mudar toda a trajetória de uma pessoa. Mary fez uma escolha que mudaria sua vida para sempre e transformaria o caminho de alguém que ela ama. Sua filha, Beth, está precisando de respostas sobre seu passado. Ela nunca soube a verdade sobre sua origem, e descobrir esses segredos pode ser a salvação de seu filho.

Baseado em tragédias, desencontros e mentiras, o romance envolve o leitor com doses exageradas de amor, esperança e a chance de mudar um destino. Os segredos que nos cercam é o tipo de obra capaz de trazer reflexões sobre como nossas escolhas podem afetar vidas, principalmente de quem a gente mais ama.

março 10, 2021

[Livros] 1984 - George Orwell

Título Original
: 1984
Autor: George Orwell
Editora: Buzz
Páginas: 320
Gênero: Ficção, Distopia
País: Inglaterra
ISBN: 9786586077698
Classificação: ★
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Uma obra atemporal, 1984 de George Orwell foi escrito para o futuro, se situa no nosso passado e se encaixa no nosso presente. A distopia expõe os questionamentos do autor sobre os governos futuros, a guerra pelo poder, a falta de liberdade, a manipulação do passado, a lavagem cerebral e, principalmente, a super vigilância como forma de manter o homem refém dos interesses de seus superiores.

Tendo como base uma sociedade distópica, 1984 traz um cenário desolador que, infelizmente, em diversos pontos se assemelha aos rumos que nosso próprio país tem tomado. A manipulação dos fatos, distorção de eventos, ortodoxia e propagação do ódio culminaram na situação política, social e econômica precária em que nos encontramos nesse momento e é impossível ler esse livro sem fazer essa relação.

A trama se passa em Londres, provavelmente no ano que dá origem ao título do livro, se é que pode-se confiar em qualquer informação nos dada pelo romance. O protagonista, Winston Smith é um membro do Partido Externo. Sua posição social, acima dos proletas e abaixo dos membros do Partido Interno, o possibilita ser o que chamaríamos de 'classe média' no nosso modelo de governo e o coloca no meio da pirâmide social. No comando está o Grande Irmão, uma figura idolatrada e temida por todos.

Nessa sociedade é proibido pensar, qualquer pensamento pode levar à desconfiança e ameaçar toda a estrutura do sistema. Sendo assim, o Partido controla cada aspecto da vida de todos os indivíduos enquanto os vigia e espiona constantemente. As telas de transmissão permanecem vinte e quatro horas ligadas, gravando e transmitindo as mensagens do Partido e qualquer atitude ou palavra suspeita pode ser motivo para prisão ou pior. Pessoas desapareciam o tempo todo e nunca mais se podia falar sobre elas, eram apagadas e esquecidas, como se nunca tivessem existido.

O trabalho de Winston é alterar registros. Estratégia do Grande Irmão, a manipulação do passado permite que o Partido esteja sempre no controle da narrativa, mantendo as pessoas informadas apenas sobre o que o favorece. Pessoas, datas, acontecimentos, tudo pode ser alterado ou forjado. 

Winston começa a perceber as falhas do sistema e questionar em silêncio, cometendo assim, o crime mais hediondo: crimepensar. A partir do momento em que passa a enxergar, é impossível não perceber tudo o que está errado e é injusto. Ele se apaixona por Julia, uma rebelde como ele e, juntos, eles burlam as regras ignorando os riscos e suas consequências.

George Orwell nos deixa muitos questionamentos e poucas respostas, o autor prova que não acreditava de fato em nenhum dos modelos de governo existentes e que igualdade social é uma utopia. As questões linguísticas e os questionamentos metafísicos da narrativa são brilhantes e a angústia trazida pelo seu desfecho pessimista nos faz temer o que nos aguarda num futuro não tão distante de 1984.

Sinopse: Após uma guerra devastadora o mundo é dividido em três superpotências: Eurásia, Lestásia e Oceânia. Esta última é comandada pelo Grande Irmão, um ditador cujo governo observa dia e noite todos os habitantes do pais, impedindo-os de cometerem crimes como o amor e o pensamento livre. Vivendo sobre essa ditadura distópica, acompanhamos Winston Smith, um funcionário do Ministério da Verdade que sonha com um mundo livre e solto das amarras do Grande Irmão. Sua vida é completamente transformada ao conhecer Julia, uma mulher também acometida pelos pensamentos revolucionários de Winston.

EditoraBuzz|Skoob

fevereiro 28, 2021

[Livros] Querido Edward - Ann Napolitano

Título Original
: Dear Edward
Autor: Ann Napolitano
Editora: Paralela
Páginas: 304
Gênero: Romance, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788584391912
Classificação: ★
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A emocionante jornada de um adolescente que perdeu tudo e todos que tinha em um acidente de avião, Querido Edward fala sobre viver, não apenas sobreviver depois de uma tragédia. Quando perdemos aquilo que tínhamos de mais importante, o que nos resta? Para onde ir quando todos que amamos nos deixam para trás?

A história trágica do único sobrevivente de um desastre aéreo me fez pensar sobre a inspiração de Ann Napolitano para esse livro: as muitas vidas e histórias interrompidas pelo destino. Intercalando capítulos entre as narrativas dos passageiros do voo e o presente de Edward, somos apresentados a realidade cruel de vidas interrompidas, sonhos perdidos. Cada personagem tinha planos para o futuro, tinha capítulos a serem escritos e, que infelizmente, foram apagados.

Sabemos que a morte está a espreita e nos aguarda em qualquer uma das esquinas da vida, mas o impacto de tantas vidas ceifadas de uma mesma vez em desastres como esse sempre nos comove e nos choca muito mais. Entrar num avião é ter a esperança de viajar para algum lugar, não de nunca mais voltar.

Ao perder os pais e o irmão, Edward se vê sozinho, recebendo a solidariedade de desconhecidos, o reconhecimento por algo que ele preferia que não tivesse acontecido. Sem saber o que fazer com sua própria vida, ele tenta reencontrar um sentido para sua existência. Um motivo para ter continuado vivo quando todos os outros se foram.

O que nos destrói nesse livro é a história que não está em suas páginas. Todos os finais que nunca existiram para os passageiros do voo 2977, para as vítimas de desastres aéreos reais. Pensar que tantas vidas foram interrompidas é doloroso e Edward sente essa dor todos os dias ao lembrar da sua família e ao pensar nos familiares que também foram deixados para trás. Reconstruir-se após ter toda a sua vida estilhaçada é a verdadeira sobrevivência.

Sinopse: Como sobreviver e continuar vivendo? Esta é a história de um menino obrigado a seguir em frente depois de perder tudo. Mas também é a história de personagens inesquecíveis e de como pessoas salvam umas às outras de inúmeras maneiras. Acima de tudo, este livro é um retrato sensível e inspirador de um coração partido aprendendo a amar de novo.

Em uma manhã de verão, Edward Adler e sua família embarcam em um voo junto com outros 183 passageiros. Entre eles há um prodígio de Wall Street, uma jovem grávida, um veterano de guerra e uma mulher fugindo do marido controlador. Pouco depois, porém, todas essas histórias são interrompidas pela queda do avião -- menos uma. Edward foi o único sobrevivente. Depois da tragédia, o garoto vai morar com seus únicos parentes em uma cidadezinha de Nova Jersey. É lá que ele conhece sua nova melhor amiga e passa a frequentar o consultório de um psicólogo, tentando construir uma nova vida.

Ainda assim, ele não se sente tão vivo: é como se uma parte de si continuasse sentada na poltrona ao lado do irmão, para sempre voando com desconhecidos. Quando Edward descobre uma série de cartas enviadas a ele desde o acidente, essa sensação começa a mudar, e ele é levado a procurar respostas para uma pergunta que ninguém deseja responder: depois de uma tragédia, como seguir adiante e encontrar um novo sentido para a vida?

EditoraParalela|Skoob

fevereiro 18, 2021

[Livros] Oz - L. Frank Baum

Título Original
: The Wonderful Wizard Of Oz; The Marvelous Land Of Oz
Autor: L. Frank Baum
Editora: Instituto Mojo
Páginas: 336
Gênero: Romance infantil, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788545510826
Classificação: ★
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Em uma experiência de releitura encantadora, O Mágico de Oz me guiou uma vez mais pela estrada de tijolos amarelos na companhia de Dorothy e seus amigos. As vagas lembranças de minha visita à Terra de Oz quando criança foram recoloridas e ressignificadas com a compreensão das figuras de linguagem, metáforas e alegorias que o autor escondeu pelo caminho e minha tenra idade à época não me permitiu enxergar.

O romance infantil de L. Frank Baum carrega uma mensagem linda de perseverança, esperança, coragem, amizade e, acima de tudo, autoconhecimento. A jornada da jovem garota é a nossa busca pela verdadeira felicidade. Seguimos pela estrada de tijolos amarelos em busca daquilo que teria o poder de nos fazer verdadeiramente felizes e completos, sem notar que já o somos durante todo o caminho. É sobre a jornada, não o destino.

A mensagem de que 'nenhum lugar é como a casa da gente' é muito presente na narrativa, Dorothy está desde o início de sua jornada determinada a voltar para sua família no Kansas. Perdida na Terra de Oz, ela precisa encontrar o grande e temível mágico para que ele a ajude a reencontrar seu lar. No meio do caminho, a menina conhece três personagens que vão acompanhá-la até o fim: o Espantalho que queria um cérebro, o Homem de Lata que queria um coração e o Leão que queria coragem. Cada um deles acredita que Oz poderá realizar seu maior desejo e lhes trazer aquilo que eles tanto sonham mal sabendo que todos eles já têm dentro de si o que procuram.

A influência teosófica na produção de Baum é notável, ainda que num texto infantil, os questionamentos filosóficos e o autoconhecimento como busca pela felicidade tornam essa história mais do que um conto de fadas moderno. 

Nessa edição belíssima do Institujo Mojo, que desde seu projeto gráfico até a preparação do texto é impecável, nos encantamos com O Magnífico Mágico de Oz e A Maravilhosa Terra de Oz. Como Dorothy, ao chegar ao fim dessa história, voltamos para casa com a certeza de que foi uma grande experiência de aprendizado. Bati os calcanhares três vezes antes de fechar o livro e, em seguida, me vi diante da minha estante cheia de livros, preparada para a próxima aventura.

Sinopse: Voltar para casa é um desejo latente e instintivo em cada um de nós. As aventuras de Dorothy com seus amigos — o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde — pela estrada de ladrilhos amarelos em busca de propósito e do próprio lar compõem uma das obras mais icônicas do Século 20, repleta de interpretações e simbolismos e reverenciada fonte de inspiração para diversas outras obras, como a adaptação icônica de 1939 para o cinema.

InstitutoMojo|Skoob

fevereiro 03, 2021

[Livros] O Construtor de Pontes - Markus Zusak

Título Original
: Bridge Of Clay
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Páginas: 528
Gênero: Romance, Ficção
País: Austrália
ISBN: 9788551003985
Classificação: ★
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O Construtor de Pontes destruiu meu coração para construir no lugar dele a memória de uma linda história. Markus Zusak e suas brilhantes metáforas já haviam me conquistado anteriormente em A Menina Que Roubava Livros e o autor se reafirma como um dos meus favoritos da vida.

A narrativa extensa - característica do autor -, bem como sua tendência ao discurso excessivamente coloquial, pode parecer cansativa para muitos. E em todos os seus romances, o ritmo narrativo é arrastado. No entanto, a forma como o autor brinca com as palavras e constrói ideias é única, cada capítulo é uma rica construção de figuras de linguagem e muitas delas me fizeram chorar. 

Desde seu título original, A Ponte de Clay (clay, palavra que em inglês significa argila e é também o nome do protagonista) até a forma como o autor referencia os personagens, tudo é genial. Os jogos de palavras, os capítulos intercalados, a forma como tudo está interligado ao final. 

A vida dos meninos Dunbar foi destroçada por uma tragédia e, aos poucos, vamos descobrindo o que realmente aconteceu. A morte e o abandono estão presentes na vida deles desde muito cedo e isso fez deles quem são: garotos cheio de raiva, tristeza e dor. O pai, que os deixou tantos anos atrás retorna com um pedido estranho: ajuda para construir uma ponte, e apenas um deles aceita - Clay.

Em sua máquina de escrever, Matthew, o mais velho dos garotos Dunbar narra a história de sua família, de como tudo aconteceu, de como tudo acabou e, principalmente, de porquê Clay ser tão diferente de todos eles. Cada página nos revela um pouco de cada personagem e seus sentimentos. Não importa o quanto pareçamos fortes, somos frágeis quando vistos de perto. Alguns de nós são feitos de argila, outros de madeira e, até mesmo aço, mas uma coisa é certa, todos nós estamos expostos ao tempo da mesma maneira. E o tempo é cruel, corrosivo, destrói tudo em que toca. 

Essa é a história de uma família destroçada pelo tempo e, ainda assim, conservada nas palavras de um garoto. O final é uma enxurrada de emoções que abalaram as minhas estruturas. Existem livros que constroem pontes dentro de nós para sentimentos há muito inalcançáveis e depois os destroem, este é um deles.

Sinopse: Se em A menina que roubava livros é a morte quem conta a história, em O construtor de pontes, novo romance de Markus Zusak, presente e passado se fundem na voz de outro narrador igualmente potente: Matthew, o filho mais velho da família Dunbar. Sentado na cozinha de casa diante de uma máquina de escrever antiga, ele precisa nos contar sobre um dos seus quatro irmãos, Clay. Tudo aconteceu com ele. Todos mudaram por causa dele.

Anos antes, os cinco garotos haviam sido abandonados pelo pai sem qualquer explicação. No entanto, em uma tarde ensolarada e abafada o patriarca retorna com um pedido inusitado: precisa de ajuda para construir uma ponte. Escorraçado pelos jovens e por Aquiles, a mula de estimação da família, o homem vai embora novamente, mas deixa seu endereço num pedaço de papel. Acontece que havia um traidor entre eles: Clay.

É Clay, então, quem parte para a cidade do pai, e os dois, juntos, se dedicam ao projeto mais ambicioso e grandioso de suas vidas: uma ponte feita de pedras e também de lembranças — lembranças da mãe, do pai, dos irmãos e dele mesmo, do garoto que foi um dia, antes de tudo mudar. O tempo, assim como o rio sob a ponte, tem uma força avassaladora, capaz de destruir, mas também de construir novos caminhos.

O construtor de pontes narra a jornada de uma família marcada pela culpa e pela morte. Com uma linguagem poética e inventiva, Markus Zusak nos presenteia mais uma vez com uma história inesquecível, uma trama arrebatadora sobre o amor e o perdão em tempos de caos.

janeiro 20, 2021

[Livros] Análise de Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley


Clássico da literatura inglesa, Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932 e trouxe as predições de Aldous Huxley para um futuro não muito distante do nosso presente. As ideias do autor, bem como suas preocupações, são objeto de estudo até hoje. A tecnologia como facilitadora do processo de "evolução" do homem, a fuga da realidade e até mesmo a clonagem foram abordados na distopia e a forma como esses temas se relacionam com a modernidade é o que faz desta leitura algo tão incrível.
Decidi listar alguns pontos importantes para compreender e discutir Admirável Mundo Novo:

- As mudanças trazidas pela Revolução Industrial Inglesa são grande parte do questionamento levantado por Aldous Huxley. O progresso tecnológico e industrial trouxe como consequência a desconfiança e o pessimismo de uma sociedade que se vê substituída por máquinas.

- Admirável Mundo Novo se passa na cidade de Londres em 532 D.F. (depois de Ford). O conceito de calendário cristão deixaria de existir e um novo paradigma se estabelece. Henri Ford se torna uma espécie de divindade, sendo cultuado e adorado como tal.

- Henri Ford popularizou o automóvel ao revolucionar a indústria automobilística com a fabricação em massa. A eficácia, agilidade e velocidade bem como a diminuição do custo de produção de veículos eram seu objetivo. Esse pensamento deu origem à sociedade imaginada por Huxley: criada em uma linha de produção como peças de uma engrenagem maior.

- "Oh! Maravilha! Quantas criaturas adoráveis estão aqui! Como é bela a humanidade! Oh! Admirável mundo novo em que vivem tais pessoas!" é um trecho de A Tempestade, peça de Shakespeare que inspira o título do livro. É uma forma irônica de representar esse mundo que não tem, de fato, nada a ser admirado. Num primeiro momento, o Selvagem se encanta com a modernidade e a evolução alcançada, mas ao conhecer de verdade essa realidade, percebe que nada é verdadeiramente admirável.

- Comunidade, identidade e estabilidade são o lema dessa sociedade utópica. Não existe desigualdade porque o senso de comunidade prevalece acima de tudo. Todos têm suas funções pré-estabelecidas e suas necessidades atendidas, mantendo assim a estabilidade social.

- A manipulação genética produz indivíduos de forma a atender as necessidades da sociedade. Cada um tem sua função na pirâmide capitalista. Das castas inferiores às superiores, cada um deles é condicionado a amar o que é obrigado a fazer.

- A felicidade é induzida desde a manipulação genética até o processo de condicionamento neopavloviano. Cada casta social é condicionada a temer aquilo que poderia a descondicionar. Os ýpsilons, por exemplo, temem os livros e vivem, assim, na ignorância.

- A promiscuidade é incentivada desde a infância para eliminar qualquer tipo de relacionamento afetivo. Não existem elos emocionais, ninguém sente qualquer tipo de afeição. O conceito de família é visto como algo obsceno.

- O consumismo é estimulado ao extremo, de forma que os recursos não são reutilizáveis. As pessoas trabalham para ter dinheiro e gastar com o que os mantém trabalhando. O ideal capitalista em sua magnitude. O antigo é descartável, venera-se a modernidade.

- Extingue-se o conceito de religião uma vez que não existem moléstias nessa sociedade 'utópica'. Não há mais sofrimento, portanto, deuses não se fazem mais necessários.

- O conhecimento não é estimulado. Tudo o que deve ser ensinado é aquilo que mantém o indivíduo funcional. Nenhum tipo de questionamento é incentivado. Os livros foram esquecidos e o pensamento crítico suprimido.

- Pílulas (chamadas de soma) são distribuídas às pessoas como forma de garantir seu entorpecimento. Quando sentem qualquer inquietação, se refugiam em suas drogas e esquecem qualquer problema que possam vir a ter. A fuga da realidade faz com que a felicidade se torne artificial.

- A clonagem produz indivíduos idênticos em todos os aspectos para não afetar a produtividade da classe trabalhadora. Ninguém é melhor, mais forte ou mais habilidoso que outro dentro da mesma classe social. Eliminando possíveis conflitos ou disputas.

- A liberdade é um conceito complexo que lhes é retirado, afinal, complexidade afeta o objetivo final. Quando livres para tomar decisões, as pessoas tendem a escolher mal. Condicionando-as e tirando-lhes o direito de escolha, elas são felizes com sua única opção.

- Sentimentos são selvageria. A vida é satisfatória sem grandes emoções ou decepções. A estabilidade de emoções é o ideal.

- Não se teme ou lamenta a morte, as pessoas são substituíveis. Ninguém deve ter tal importância.

- O trabalho como propósito é o que mantém a sociedade funcionando. Escalas de trabalho mais curtas fazem com que o consumo de soma aumente. É, portanto, necessário um equilíbrio entre ambos. Quanto mais tempo ocioso, maior a necessidade de fugir da realidade.

- O "Selvagem" é um homem culto, admirador das artes, questionador. Ele é fruto do Novo Mundo, mas viveu a vida toda no Velho Mundo, não se encaixando, portanto, em nenhum dos dois extremos. Não aceita o entorpecimento como forma de felicidade nem os valores que o "admirável mundo novo" lhe impõe.

- Questionar ou não se encaixar no conjunto de postulados é insanidade. Aqueles que contrariam o que se espera dessa sociedade são exilados dela. Tal medida pode ser vista como uma punição, mas é na verdade, a libertação em sua forma mais pura.
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