setembro 06, 2017

[Livros] As Cores do Amor - Camila Moreira

Título Original: As Cores do Amor
Autor: Camila Moreira
Editora: Paralela
Páginas: 320
Gênero: Ficção, Romance, Hot
País: Brasil
ISBN: 9788584390823
Classificação★☆☆☆☆
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As Cores do Amor, recebido em parceria com a editora Paralela, infelizmente, foi uma das minhas maiores decepções literárias. O romance forçado e repleto de exageros não conseguiu me convencer e, confesso, torci mais para que os protagonistas se separassem do que para que ficassem juntos. 

Com uma premissa - à primeira vista - interessante e abordando em primeiro plano o racismo, o livro tinha bastante potencial mas se perde em excessos. As situações e a intensidade do preconceito são absurdas e ainda que - até quando? - uma constante na vida de pessoas negras, soaram fabricadas demais para forçar reações.

Apesar de ambientada na contemporaneidade, os pensamentos dos protagonistas nos remetem à romances de época, totalmente descontextualizados e pouco verossímeis. E se o comportamento do vilão da história, o racista e ignorante coronel Montolvani é injustificável, o do panaca de seu filho é ainda mais. 

Criado sob a vigilância de um pai cruel, preconceituoso e conservador, Henrique se "rebelou" contra os ideais de seu progenitor. Essa sua revolta, no entanto, não dura muito pois o jovem é obrigado a retornar à casa do pai quando descobre que ele está doente. Independente do que o coronel faça, Henrique sente pena do velho e volta para cuidar dele, como se o câncer do pai anulasse a podridão de sua alma. Essas idas e vindas do rapaz levando em consideração tudo o que o canalha faz para humilhá-lo são incompreensíveis para mim.

Após se apaixonar por Silvia, uma jovem negra, Henrique se vê num dilema: assumi-la ou não. O pai nunca aceitaria que ele namorasse alguém de pele escura e, para o protagonista, a aprovação do pai é algo a ser levado em consideração. Logo de início, o rapaz esnoba Silvia, tentando fingir que não a conhece perto do pai. Sua atitude covarde, no entanto, logo é esquecida e perdoada e o casal que não possui química alguma volta a se envolver.

Infelizmente, nada nesse romance funcionou para mim. Nem mesmo as cenas eróticas que prometiam prender a atenção dos leitores, conseguiram me convencer. Não há sensualidade, sutileza na descrição das cenas. Os diálogos são rasos, bobos e cheios de repetições irritantes, vide o tanto de vezes que eles usam os apelidos carinhosos 'minha morena' e 'galego'. Urgh!

Silvia é muito conformada, aceita tudo, perdoa todas as imbecilidades de Henrique enquanto paga de mulher forte, bem resolvida e madura. Existem muitas outras incongruências mas, dentre elas, a paixão repentina dos dois é a pior. Em poucos dias, ambos já falam de amor como se a humilhação que Silvia sofreu não fosse importante. É surreal a falta de proporcionalidade.

As Cores do Amor tem pouco de amor e muito de preconceito - e essa não é a premissa que o romance anuncia. Talvez se houvesse um maior equilíbrio entre ambos, a história fosse mais interessante. Me peguei querendo abandonar a leitura muitas vezes, eu realmente gostaria de ter visto cores mais vivas e um melhor desenvolvimento, infelizmente, não foi dessa vez. 

"- Se você diz, minha linda.
- Minha linda?
- Um homem pode sonhar." (p. 40)

Sinopse: O que define uma pessoa? O dinheiro? O sobrenome? A cor da pele? Filho único de um barão da soja, Henrique Montolvani foi criado para assumir o lugar do pai e se tornar um dos homens mais poderosos da região. No entanto, o jovem se tornou um cafajeste aos olhos das mulheres, um cara egocêntrico segundo os amigos e um projeto que deu errado na concepção do pai. 

Quando o destino coloca Sílvia em seu caminho, uma jovem decidida e cheia de personalidade, Henrique reavaliará todas as suas escolhas. O amor que ele sente por Sílvia o fará enfrentar o pai e transformará sua vida de uma maneira que ele nunca pensou que fosse possível. Um sentimento capaz de provar que nada pode definir uma pessoa, a não ser o que ela traz no coração.

"- Estou apaixonado por você.
Era tudo o que eu precisava ouvir.
Muitas vezes, passamos a vida toda nos escondendo do amor, tentando evitá-lo, mas esquecemos que não temos controle sobre esse sentimento. Não tem como aprisionar um furacão em um copo. Henrique me fazia sentir um turbilhão de emoções que não cabiam no meu coração." (p. 109)


setembro 04, 2017

[Livros] Eu Te Darei O Sol - Jandy Nelson

Título Original: I'll Give You The Sun
Autor: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 364
Gênero: Ficção, YA, Romance
País: EUA
ISBN: 9788581636467
Classificação: ★★★★★
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Eu Te Darei O Sol é uma das melhores leituras da minha vida. Jandy Nelson escreveu uma história de cortar o coração e eu daria as estrelas para poder curar a dor desses protagonistas.

A narrativa expõe o drama de dois irmãos que se amam tanto quanto se odeiam e disputam a atenção dos pais. Gêmeos idênticos, eles sempre foram metades um do outro, mas a vida os separou e fez com que eles se perdessem de si mesmos. É como se não houvesse espaço para os dois juntos, mas só houvesse vazio quando estão separados.

Bullying, sexualidade, morte, rebeldia, arte, perdão, culpa, fé, felicidade e amor são apenas alguns dos temas que permeiam a obra de Jandy Nelson. Um livro complexo e repleto de metáforas, Eu Te Darei O Sol conta não só a jornada desses dois adolescentes tão parecidos quanto diferentes, mas também a de tantos outros jovens que sofrem por não se encontrarem em si mesmos.
É difícil escrever sobre um livro que mexeu comigo de forma tão intensa. Talvez minhas mãos pudessem expressar com mais precisão do que as palavras o sentimento que veio com essa leitura. Uma verdadeira obra-prima, esse young adult vai partir seu coração como que para dar vida a uma dolorosa escultura em pedra. E a arte final é única, sensível, brilhante como o sol. 

"Eu a encontro e a encontro e a encontro, mas não consigo realmente encontrá-la." (p. 257)

Sinopse: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.

Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

"Platão falou sobre coisas que existiam e que tinham quatro pernas, quatro braços e duas cabeças. Eram coisas únicas, estáticas e poderosas. Poderosas demais, então Zeus as cortou pela metade e espalhou as metades pelo mundo, para que os humanos estivessem para sempre fadados a procurar suas metade, a metade com a qual compartilham a própria alma. Somente os humanos mais sortudos encontram suas metades, sabe?" (p. 338)

agosto 10, 2017

[Livros] Fuck Love - Louco Amor - Tarryn Fisher

Título Original: F*ck Love
Autor: Tarryn Fisher
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788562409998
Classificação★★☆☆☆
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Demorei mais do que esperava para escrever essa resenha porque esse livro representou um monte de coisas para mim - a maioria delas ruins. Por um lado, a história de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal de uma pessoa com problemas similares aos meus me conquistou, por outro, o desenvolvimento da trama me decepcionou e jogou um balde de água no que eu mais havia gostado no romance. Talvez essa dualidade - o lado positivo e negativo - presente também no amor, no entanto, faça sentido - mesmo que livro não faça.

Partes da trama mexeram comigo positivamente sim, muitas frases pareceram escritas para o meu momento. Até mesmo o drama da protagonista é parcialmente compreensível e, apesar de não concordar com as atitudes da personagem, me apaixonei pelos momentos reflexivos que intercalavam seus momentos de impulso. Tarryn descreve uma jornada de redescoberta que tenta nos faz enxergar que o amor-próprio sempre deve estar acima do amor, mas falha, pois cai em sua própria armadilha. Um outro final teria funcionado para mim.

Helena se apaixonou pelo único cara pelo qual nunca deveria ter se apaixonado - o namorado da melhor amiga. Desejar alguém que não pode ser seu e, principalmente, machucar assim alguém com quem você se importa é uma situação complicada. Em diversos momentos, vi em Helena uma mulher egoísta, carente e desesperada mas, apesar de não ter simpatizado nem um pouco com a protagonista, compreendi suas crises e torci por ela - na maior parte do tempo - e por decisões melhores.

O comportamento obsessivo de Helena poderia ser taxado como abusivo, afinal, ela persegue o namorado da melhor amiga, se infiltra na vida da ex-namorada dele e até mesmo vai morar na cidade em que ele nasceu. Pouca gente teve essa percepção, especialmente porque é uma personagem feminina que inspira mais dó do que raiva mas, a mim, incomodou demais a forma com Helena cercou a vida de Kit e destruiu o relacionamento dele com Della.

Della, Kit e Helena são insuportáveis. Com personalidades rasas, desinteressantes e egocêntricas, o triângulo amoroso não me convenceu e, de verdade, pouco me importou. Em resumo, Helena deseja o namorado palerma da amiga escrota. Não há conexão entre nenhum deles e os fios que mantém a história são tão frágeis que não se sustentam. 

O final foi a pior decepção literária desse ano. Tarryn Fisher é conhecida por fazer seus leitores amarem ou odiarem seus livros e eu entendi o porquê. Em conjunto a uma trama fraca, personagens entediantes e um título pretensioso que prega justamente o contrário da sua narrativa, o desfecho me frustrou a ponto de me deixar indignada. Nem as inúmeras referências - nada espontâneas e extremamente forçadas - a Harry Potter fizeram com que o livro me conquistasse. Infelizmente, Fuck Love só me proporcionou algumas boas frases. 

"Você só começa a procurar a verdade quando alguma coisa dá terrivelmente errado e você percebe que precisa buscar respostas. Não há mais volta quando ultrapassamos esse ponto. As emoções são enterradas debaixo do concreto. É como se dez anos tivessem se apagado da minha vida e eu me tornasse adulta sem ter vivido o tempo atual." (p. 78)

Sinopse: Helena Conway se apaixonou. Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo.Kit Isley é o oposto dela desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu. Ele parece o seu complemento. Poderia ser tão perfeito... se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga. 

Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa certa e pensar nos outros. Mas ela não o faz... Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente. 

Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas. Se você não quer se viciar, não leia a primeira página.

"- Tudo bem, mas estou tentando me encontrar.
- Essa, minha querida, é a coisa mais assustadora que você poderia querer fazer.
- Por quê?
- Porque você pode não gostar do que vai encontrar." (p. 142)


julho 31, 2017

[Livros] Nossa Música - Dani Atkins

Título Original: Our Song
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Gênero: Ficção, Romance
País: Reino Unido
ISBN: 9788580417258
Classificação★★★★☆
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Dani Atkins sempre me faz chorar com seus romances dramáticos e, desta vez, não poderia ser diferente. Nossa Música traz a característica sensibilidade da autora e sua forma peculiar de contar histórias sem linearidade, envolvendo o leitor em uma melodia suave que o prepara - ou não - para um final arrebatador.

Com personagens bem desenvolvidos e uma trama que os conecta no passado e no presente, a autora desenvolve uma complexa história de amor. Apontando cada pequena decisão que levou as protagonistas àquele momento, a narrativa detalhista nos dá dois pontos de vista diferentes e faz com que compreendamos as atitudes delas. 

Por uma coincidência cruel, duas mulheres que partilham um segredo no passado se encontram num hospital. Os maridos de Ally e Charlotte sofreram acidentes seríssimos na mesma noite e estão internados lutando pela vida. Inimigas declaradas e ligadas por uma história de mágoa e traição, elas deverão reavaliar a importância do perdão para seguirem em frente enquanto esperam por seus respectivos milagres.

Ao contrário dos outros livros de Atkins, o final de Nossa Música é extremamente previsível e talvez esse fato seja a única coisa que me incomodou, mas nem por isso fez dele menos emocionante. Apenas um personagem roubou meu coração e com um diálogo destruidor, este foi partido ao meio. Ao som de uma melodia triste, Nossa Música fala de desencontros, fatalidades e a crueldade do destino sem nunca deixar de lado o amor, a coisa mais linda e dolorosa que pode acontecer em nossas vidas.

"Você pensa que tem o controle de sua vida, acredita que é você quem toma todas as decisões, e então algo assim acontece e você se dá conta de que é apenas uma minúscula peça em um jogo de xadrez, sendo movida de um lado para outro ao capricho de alguma coisa ou alguém muito maior." (p. 59)

Sinopse: Ally e Charlotte poderiam ter sido grandes amigas se David nunca tivesse entrado em suas vidas. Mas ele entrou e, depois de ser o primeiro grande amor (e também a primeira grande desilusão) de Ally, casou-se com Charlotte. 

Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam. 

Com a delicadeza tão presente em seus livros, Dani Atkins mais uma vez nos traz uma história de emoções à flor da pele, um drama familiar comovente que não deixará nenhum leitor indiferente.

"David foi o primeiro para mim. O primeiro em tudo. Meu primeiro namorado de verdade, meu primeiro amor, meu primeiro amante e meu primeiro - e único - coração partido. Não sei bem quando tudo começou a dar errado. Não. Mentira. Eu poderia assinalar os indícios como alfinetes em um mapa para um lugar aonde a pessoa não gostaria de ir." (p. 100)

julho 24, 2017

[Livros] Até Mais, E Obrigado Pelos Peixes! - Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias #4)

Título Original: So Long, And Thanks For All The Fish
Autor: Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Páginas: 221
Gênero: Ficção Científica
País: Inglaterra
ISBN: 9788599296974
Classificação★★★★☆
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Quarto volume de O Guia do Mochileiro das Galáxias, "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes" é o mais fraco da série, mas ainda assim preserva o humor ácido de Douglas Adams e, sem dúvidas, sua genialidade. Suas metáforas sempre brilhantes e a ironia com que descrevia tão bem a raça humana estão eternizados em mais um clássico contemporâneo do autor. Se, hipoteticamente, houvesse um sentido para a vida, o Universo e tudo mais, a única pessoa que saberia seria Adams.

Continuando a saga de Arthur Dent, um terráqueo que sobreviveu a destruição da Terra e viajou por inúmeras galáxias. O protagonista descobre que houve um engano e o planeta não foi destruído. Ao retornar a sua vida comum, ele descobre que não é mais o mesmo. Afinal, passar anos vagando pelo espaço mudaria qualquer um. 

A complexidade da física e as noções temporais se mesclam à narrativa de Adams, que outra vez nos deixa perplexos com tamanha inteligência. Todos os acontecimentos dos livros anteriores são retomados e a aparente falta de sentido subitamente faz todo o sentido. 

Em um tom de comédia romântica, o "Até Mais..." é o livro menos popular da trilogia de cinco volumes e foca no romance entre Arthur e a garota por quem ele se apaixona. Essa mesma garota, já conhecida dos leitores de O Guia do Mochileiro das Galáxias, teve um papel importante para o começo da história e compreendeu o que a humanidade tem feito errado durante todo esse tempo. Infelizmente, ela esqueceu o que havia compreendido e, assim, seguimos sem rumo mesmo.

O desaparecimento dos golfinhos, a invasão alienígena, a política corrupta, o pessimismo, o significado da vida e o fim do mundo são apenas algumas coisas inexplicáveis sobre as quais Douglas Adams escreve. Sempre de forma crítica e filosófica, O Guia do Mochileiro das Galáxias nos desafia a questionar tudo em que acreditamos. Uma coisa, no entanto, tem um significado maior e mais complexo neste livro: o amor. Não há sentido nenhum em se apaixonar por alguém e, ainda assim, é como a metáfora linda de estar voando e não saber pousar. 

"Estava enganado ao pensar que podia esquecer que a Terra - imensa, sólida, oleosa, suja e pendurada em um arco-íris - na qual vivia não passava de um pontinho microscópico em um outro pontinho microscópico na infinitude inimaginável do Universo." (p. 50)

Sinopse: Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e uma galeria interminável de fãs, a série que traz o inglês Arthur Dent e o extraterrestre Ford Prefect como protagonistas de loucas aventuras espaciais ganha mais um episódio eletrizante.

Depois de viajar pelo Universo, ver o aniquilamento da Terra, participar de guerras interestelares e conhecer as mais extraordinárias criaturas, Arthur está de volta ao seu planeta. Tudo parece igual, mas ele descobre que algo muito estranho aconteceu na sua ausência. Curioso com o fato e apaixonado por uma garota tão estranha quanto o que quer que tenha acontecido, ele parte em busca de uma explicação.

Com sua peculiar ironia e seu talento aparentemente inesgotável para inventar personagens e histórias hilariantes - embora altamente filosóficas -, Douglas Adams nos presenteia com mais uma genial obra capaz de nos fazer refletir sobre o sentindo da vida de uma forma bem diferente da habitual.

Intercalando momentos cômicos com imagens e descrições poéticas, "Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!" é mais uma aventura da "trilogia de cinco" que já levou os leitores a conhecerem situações bem improváveis e a viver momentos de reflexão e de pura diversão.

"A Galáxia é um lugar em constantes mudanças. Honestamente, há uma quantidade enorme de mudanças e cada parte está continuamente em movimento, continuamente mudando. Um verdadeiro pesadelo, você diria, para um editor escrupuloso e consciencioso, rigorosamente empenhado em manter esse volume eletrônico enormemente detalhado e complexo a par de todas as circunstâncias e condições mutantes que a Galáxia cospe da cada minuto de cada hora a cada dia, e você estaria enganado." (p. 87)


julho 12, 2017

[Livros] Três Coroas Negras - Kendare Blake (Três Coroas Negras #1)

Título Original: Three Dark Crowns
Autor: Kendare Blake
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Gênero: Fantasia, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788525060792
Classificação: ★

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Impactante, Três Coroas Negras foi um imenso 'o chão é lava' para mim, sem trocadilhos com a rainha Elemental. A fantástica história escrita por Kendare Blake me conquistou por sua originalidade e, principalmente, pelo seu final espetacular. Eu não encontrei palavras que pudessem descrever o último capítulo e o estado do meu coração ao fechar esse livro. Talvez a dádiva da escrita ainda não tenha despertado em mim. 

As muitas reviravoltas e desencontros no caminho das irmãs fizeram delas garotas fortes e cheias de raiva por sua sina. Separadas na infância, as rainhas trigêmeas foram criadas por três diferentes e poderosas famílias. Cada uma delas desenvolveu um poder - uma é elemental, uma naturalista e a outra é envenenadora, mas apesar de todo o sofrimento que passaram e os anos de treinamento para adquirirem suas dádivas, as trigêmeas tem um desafio muito mais cruel a cumprir: matar as próprias irmãs. Afinal, só uma pode ficar com a coroa.

A crueldade de uma tradição que obriga irmãs a se digladiarem pela coroa é justificada por uma crença religiosa moldada para nunca ser questionada. Nem mesmo o leitor compreende o pensamento arcaico e manipulador que gerou os rituais e isso é proposital. A narrativa é confusa e pouco explicativa porque as crenças são assim, feitas para deixar coisas sem explicação, forçando o as pessoas a acreditarem no que lhes é dito.

Não há empatia alguma do povo pelas jovens meninas, pelo contrário, sedentos por sangue, eles apostam em suas vencedoras. É um jogo de poder e política onde a mais forte (e a mais inteligente) vence. Ao mesmo tempo que detém um poder absoluto, as rainhas não tem voz, vontade ou direito de escolha. Sendo seu reinado uma maldição, a morte é um destino até menos assustador.

Kendare Blake criou uma sociedade em que a mulher tem um papel muito mais significativo que o homem e, nem por isso, menos cruel. As mulheres dessa série são bárbaras, impiedosas e tem muito mais força que qualquer um dos personagens masculinos - que são pouquíssimos, aliás. As rainhas são controladas por três poderes femininos que as posicionam como peões num tabuleiro, jogando com suas vidas de forma brutal, preparando-as para vencer como se todas pudessem sobreviver.

Katharine, Arsinoe e Mirabella cresceram ouvindo que deveriam matar suas irmãs. O ódio nutrido por suas famílias de criação lhes dá a motivação para destruir suas rivais. Controlando elementos da natureza, forças naturais e venenos, cada uma delas tem uma habilidade única e, apesar, de mostrarem não estarem preparadas para a difícil tarefa que lhes foi incumbida, elas sabem que não há como fugir. É vida ou morte.

Há muito romance, várias relações que se desenvolvem e fazem com que o foco do livro se perca momentaneamente. De certa forma, essas distrações funcionam para o leitor como funcionam para as protagonistas, mostrar que elas são capazes de amar, que não são apenas assassinas cruéis. 

A narrativa se encerra num cliffhanger, literalmente, genial e destruidor que promete uma sequência com mais ainda mais ação e ódio de uma irmã pela outra. Um dos melhores livros que li este ano, Três Coroas Negras mistura uma forte crítica social, política e religiosa ao clamor pela violência como entretenimento. Como escolher uma só coroa, se existem três rainhas tão parecidas que hoje se odeiam, mas se amaram um dia?

"- Você vai precisar que isso seja verdade - diz a Alta Sacerdotisa. - Porque, do contrário, é muito cruel forçar uma rainha a matar aquelas a quem ama. Suas próprias irmãs. E ver que elas surgem à porta como lobos em busca de sua cabeça." (p. 106)

Sinopse: Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

"Três bruxas de negro num vale vêm ao mundo,
Pequenas doces trigêmeas
Nutrem um ódio profundo

Três bruxas de negro, lindas de se ver
Duas a serem devoradas
E uma Rainha por ser." (p. 201)


julho 05, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte II - Diana Gabaldon (Outlander #8)

Título Original:The Fiery Cross #8
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416862
Classificação: ★

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Se a primeira parte de A Cruz de Fogo não havia trazido muita emoção e aventura à saga de Claire e Jamie Fraser, este segundo volume valeu a espera por algo mais empolgante. Com inúmeras reviravoltas, a vida pacata nas montanhas deu lugar a um turbilhão de perigos e acendeu uma cruz de fogo para nos preparar para o que vem por aí.

É incrível como Diana Gabaldon consegue reunir tanta história para contar. Cada volume da série Outlander - ainda na metade da publicação no Brasil - tem aproximadamente seiscentas páginas e, ainda assim, a trama se desenrola de maneira interessante. Com muito embasamento histórico e científico misturado com fantasia e misticismo, a autora traz em seu romance histórico uma riqueza narrativa ímpar e nos envolve com cada uma de suas palavras, mesmo que elas não sejam poucas.

Na continuação de A Cruz de Fogo, Claire e Jaime estão se preparando para as primeiras revoltas dos rebeldes contra a Coroa. Munidos do ponto de vista único de Claire, Brianna e Roger, a família Fraser tenta permanecer alheia às movimentações políticas, enquanto o conflito ainda não está bem delineado. Sabendo que o lado vencedor declarará independência da Inglaterra criando Os Estados Unidos da América que nós conhecemos, eles se preparam para o caos da formação de um novo país.

Brianna e Roger, um casal que não me agrada muito em contraste a Claire e Jamie, enfrenta uma das maiores dúvidas de sua chegada no século XVIII. A perspectiva iminente da guerra e os riscos que envolvem sua estadia nesse período turbulento da história faz com que a relação deles se abale e será preciso muito mais do que conhecimento histórico para mantê-los juntos.

Um Jamie mais maduro e forte aparece em A Cruz de Fogo. Relembrando os horrores da guerra e visando proteger sua própria família, o escocês retoma sua força adormecida em busca do Novo Mundo. O sentimento de vingança ainda paira no ar, por terem deixado Bonnet impune após suas atrocidades, Jamie e Roger planejam dar fim à vida do cruel marinheiro e fazer com que ele pague por todo o sofrimento que causou. Os perigos dessa empreitada são bastante evidentes, mas como dissuadir um homem das Terras Altas a desistir de sua honra?

Com um ritmo bem mais acelerado que seu antecessor, Diana Gabaldon coloca nosso coração à prova e arrisca a vida de nossos personagens favoritos. Em meio a um período conturbado e muito importante para a formação do nosso presente, Jamie Fraser e sua família tentam sobreviver ao futuro reescrevendo o passado. Milhares de páginas lidas e ainda não tive o suficiente de Outlander, como já dizia Claire, voltar das pedras é cada vez mais doloroso, assim como fechar as páginas do seu livro favorito.

"Coloquei minha mão sobre a dele, onde estava, pousada em cima da caixa. A pele dele estava quente por causa do trabalho e do calor do dia, e ele cheirava a suor. Os pelos de seu braço brilhavam ruivos e dourados ao sol, e eu entendi muito bem naquele momento por que os homens mediam o tempo. Eles desejavam fixar um momento, na esperança vã de que, ao fazer isso, o tempo não passe." (p. 181)

Sinopse: Uma história sobre lealdade. Não há mais como escapar: a guerra está diante de Jamie, Claire e sua família. Quando as tensões entre o governo e os rebeldes se acirram, a milícia é convocada mais uma vez e o conflito chega ao clímax na Batalha de Alamance.

De volta ao vilarejo onde moram, os Frasers e os MacKenzies ainda terão que enfrentar diversas tribulações, que acabarão aproximando Jamie e seu genro, Roger. Os dois tramam um plano para acabar com Stephen Bonnet, o sórdido capitão que violentara Brianna, pondo em dúvida a paternidade de seu filho, Jemmy.

Em meio a várias revelações, o mais surpreendente é o retorno inesperado de um conhecido, que traz uma pista capaz de desvendar os mistérios que cercam os viajantes do tempo.

Grandiosa, envolvente e inesquecível, a segunda parte de A Cruz de Fogo é uma vibrante mistura de fatos históricos e dramas humanos.

"- Por quê? - perguntei por fim. - Por que você... escolheu ficar? (...)
- Porque você precisa de mim - disse ele baixinho.
- Não porque você me ama?
Ele olhou para mim, esboçando um sorriso.
- Sassenach... eu a amo agora e sempre vou amá-la. Se eu estiver morto, se você estiver morta, se estivermos juntos ou separados. Você sabe que é verdade." (p. 347)


julho 03, 2017

[Livros] Big Rock - Lauren Blakely

Título Original: Big Rock
Autor: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 224
Gênero: Romance Erótico, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788562409943
Classificação: ★

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Um romance erótico leve, perfeito para esquentar esses dias frios, Big Rock de Lauren Blakely é um dos melhores livros do gênero que li nos últimos tempos. Com uma narrativa descomplicada, a autora não ousa e aposta no clichê que tanto adoramos - o sedutor galanteador que se interessa por uma garota em especial. O protagonista nos conquista com seus muitos atributos, sendo o mais importante deles sua capacidade de contar uma boa história.

Com uma auto-confiança típica de machos-alfa da literatura e da vida real, Spencer inicia a narrativa falando sobre suas qualidades. Nada modesto, ele se descreve como um profundo conhecedor do prazer feminino e promete arrancar suspiros das leitoras. De fato, sua promessa se cumpre e no decorrer de Big Rock, percebemos o porquê desse tipo de homem ser tão desejado. 

Há uma referência ao "tamanho avantajado" do rapaz no primeiro capítulo e esse detalhe acaba aparecendo diversas vezes no decorrer da trama apesar de ser a menor - ou não - das qualidades na lista de Spencer Holiday. Essa e outras tiradas cômicas naturais, especialmente nos diálogos, não tornam a narrativa vulgar, pelo contrário, trazem leveza e fluidez a trama. Em muitos momentos, me vi rindo do comportamento do playboy convencido, tendo certeza que já conheci caras que se acham tanto quanto ele. 

Spencer e Charlotte são melhores amigos desde a faculdade. Ele um solteirão inveterado, não se vê em um relacionamento com ninguém. Ela, acabou de sair de uma relação horrível e tenta se livrar do ex babaca que a traiu. Os dois são sócios numa rede de bares e, assim como nos negócios, parceiros para proteger um ao outro de problemas.

Quando a família de Spencer se vê tentando fechar negócio com um conservador e autoritário magnata, ele é obrigado a fingir que não é um conquistador que traz uma mulher diferente para casa todas as noites. Por uma semana, até a concretização do acordo, ele propõe fingir ser noivo de Charlotte e essa friendzone rapidamente vai evoluir para amigos com benefícios. As transformações no relacionamento dos dois são deliciosas de acompanhar e, de uma maneira fofa sem deixar de ser sensual, Lauren Blakely nos dá um romance apaixonante repleto de cenas arrebatadoras e momentos cômicos.

O título do livro - sabiamente não traduzido - tem duplo sentido e remete tanto ao instrumento de Spencer, quanto ao grande diamante que ele dá a Charlotte, sacada genial da autora! Bem costurada, a história retoma acontecimentos dos primeiros capítulos ao seu final, mostrando que foi bem planejada e desenvolvida. Aliás, não há nada que não funcione bem nesse livro, incluindo Spencer Holiday, tudo é perfeito e na medida certa. 

"Eu posso ser mestre na arte de trepar, mas também sou um cavalheiro. Eu abro as portas do seu coração antes de abrir as suas pernas. Eu puxarei a cadeira para você se sentar, tirarei seu casaco, pagarei o jantar e a tratarei como uma rainha, na cama e fora dela." (p. 7)

SinopseA maioria dos homens não entendem as mulheres.” Spencer Holiday sabe disso. E ele também sabe do que as mulheres gostam.

E não pense você que se trata só de mais um playboy conquistador. Tá, ok, ele é um playboy conquistador, mas ele não sacaneia as mulheres, apenas dá aquilo que elas querem, sem mentiras, sem criar falsas expectativas. “A vida é assim, sempre como uma troca, certo?” Quer dizer, a vida ERA assim.

Agora que seu pai está envolvido na venda multimilionária dos negócios da família, ele tem de mudar. Spencer precisa largar sua vida de playboy e mulherengo e parecer um empresário de sucesso, recatado, de boa família, sem um passado – ou um presente - comprometedor... pelo menos durante esse processo.

Tentando agradar o futuro comprador da rede de joalherias da família, o antiquado sr. Offerman, ele fala demais e acaba se envolvendo numa confusão. E agora a sua sócia terá que fingir ser sua noiva, até que esse contrato seja assinado. O problema é que ele nunca olhou para Charlotte dessa maneira – e talvez por isso eles sejam os melhores amigos e sócios. Nunca tinha olhado... até agora.

"Alguma coisa está acontecendo. Alguma coisa estranha, completamente desconhecida. Meu coração está falando uma língua que eu não compreendo, enquanto tenta me arrastar para Charlotte.
Era só o que faltava. Agora, em vez de lutar contra um órgão todo santo dia, vou ter de lutar contra dois." (p. 152)

julho 02, 2017

[Livros] Tudo e Todas As Coisas - Nicola Yoon

Título Original: Everything Everything
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 280
Gênero: Ficção, YA
País: EUA
ISBN: 9788580416992
Classificação: ★

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Nicola Yoon conquistou meu coração depois de O Sol Também É Uma Estrela e, por conta disso, resolvi ler seu primeiro livro publicado que recentemente foi adaptado para o cinema. Infelizmente, o romance não me convenceu tanto quanto eu esperava e apesar de não ter decepcionado, Tudo e Todas As Coisas também não me comoveu. É como se faltasse alguma coisa, como se eu esperássemos ver tudo mas só víssemos algumas coisas.

Os questionamentos científicos e existenciais característicos da narrativa de Yoon se fazem presentes e este é o ponto alto do livro. As sacadas geniais envolvendo matemática e filosofia se combinadas às ilustrações lindas - feitas pelo marido da autora - agregam muito à história. Como um diário da protagonista, nós temos uma visão complexa do que é ser privada do convívio social e ser obrigada a viver por meio dos livros, o que acaba sendo uma metaleitura interessante, uma vez que nós só conhecemos o mundo de Maddie por meio de um.

Madeline nasceu com uma rara condição genética - IDCG também conhecida como imunodeficiência combinada grave - e viveu toda a sua vida em um ambiente esterilizado sem contato com o mundo externo. As únicas pessoas que ela tem são a mãe e a enfermeira. Aos dezoito anos, sua experiência de vida ou a falta dela fez com que a jovem se conforme com tudo o que não pode ter. No entanto, as coisas mudam quando ela se apaixona pela primeira vez e seu mundo vira de cabeça para baixo. 

Olly e sua família - bastante problemática por sinal - acabaram de se mudar para a casa ao lado da de Maddie. A curiosidade atrai a garota a bisbilhotar a vida de seus vizinhos e de forma recíproca, o atraente garoto também se sente curioso a respeito da menina que nunca sai de casa. A relação de curiosidade e estranhamento entre os dois evolui, a meu ver, de forma muito apressada e pouco verdadeira, é como se instantaneamente eles tivessem se apaixonado pelo vidro que os separa.

O romance central é extremamente previsível e basicamente todo o desenrolar da trama também. Intencionalmente ou não, é fácil deduzir o final do livro e isso contribuiu para meu desencanto. Em contrapartida ao casal morno e forçado de protagonistas, as duas mães presentes na narrativa mereciam mais destaque. Em oposição, há uma mãe super-protetora, sempre presente e preocupada que zela por Maddie desde que ela nasceu e uma mãe que apanha do marido, expõe suas crianças a um pai violento e, aparentemente, o ama mais do que ama aos próprios filhos. É uma balança desequilibrada de preocupação e amor. 

Tudo e Todas As Coisas arrebatou muitos corações adolescentes e a história é realmente bonitinha, até digna de uma adaptação cinematográfica, mas não passa disso. A grande mensagem do romance é a de que devemos aproveitar cada instante e viver todas as experiências que o mundo puder nos proporcionar. Seja através da leitura ou no mundo real, devemos buscar a felicidade em tudo e em todas as coisas.

"- O que você pediu? - pergunta ela assim que abro os olhos.
Só existe uma coisa que eu possa desejar: uma cura milagrosa que me permita correr lá fora, livre como um animal selvagem. Mas nunca peço isso, porque é impossível. É como pedir que sereias, dragões e unicórnios existam de verdade. Então, peço alguma coisa mais provável do que a cura. Alguma coisa que não nos deixe tristes ao ser dita. 
- A paz mundial - respondo." (p. 18)

Sinopse: Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.

Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly.

Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.

"Se minha vida fosse um livro e você o lesse de trás para a frente, nada mudaria. Hoje é igual a ontem. Amanhã vai ser igual a hoje. No livro de Maddy, todos os capítulos são iguais. 
Até surgir Olly. (...)
Agora, minha vida não faz mais nenhum sentido. Como posso voltar a ser A Garota que Lê? Não que eu lamente viver nos livros. Tudo o que sei sobre o mundo aprendi com eles. Mas a descrição de uma árvore não é uma árvore, e milhares de beijos de papel jamais serão iguais à sensação dos lábios de Olly colados nos meus." (p. 145)

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