junho 19, 2017

[Livros] A Conquista - Elle Kennedy (Amores Improváveis #4)

Título Original: The Goal #4
Autor: Elle Kennedy
Editora: Paralela
Páginas: 296
Gênero: Romance, NA
País: EUA
ISBN: 9788584390663
Classificação: ★

_______________

Desfecho de Amores Improváveis, A Conquista é o mais morno dos new adults que compõe a série de quatro volumes mas, ainda assim, consegue conquistar corações. Elle Kennedy optou por encerrar a história dos jogadores de hóquei da Briar com o mais fofo e gentil dos quatro amigos - Tucker - e mostrou uma narrativa mais adulta que as anteriores, o que pode ser um ponto positivo ou negativo dependendo do leitor. 

A quebra no padrão trouxe amadurecimento para as personagens e desenvolveu questões mais complexas, no entanto, destoou dos outros e quebrou a sensação de identificação que a série vinha construindo comigo. A protagonista nada carismática e com dramas excessivamente forçados também não contribuiu para que eu gostasse desse livro tanto quanto dos demais. 

Os protagonistas se conheceram por acaso no Malone's - lanchonete famosa para os fãs da autora - e foi atração à primeira vista. Uma noite inesquecível acaba unindo o destino dos dois e nem a fama de bruxa que Sabrina James tem é capaz de afastar o romântico e apaixonante John Tucker dela. 

O problema é que, como todas as outras mocinhas da série, Sabrina esnoba o cara até não poder mais, afinal, ela não tem tempo para um relacionamento. Ela vive nos subúrbios de Boston e se esforça muito para sair do lugar onde vive com a avó e o tarado do padrasto. Entrar em Harvard é seu sonho e sua única possibilidade de sucesso, assim, ela se dedica inteiramente aos estudos. Namorar seria uma distração. Mas como evitar se distrair depois de ter o melhor sexo da sua vida?

Tuck sabe o que dizem sobre Sabrina, mas não se importa. A partir do momento em que botou os olhos na garota, soube que ela era mais do que diziam. No entanto, se aproximar dela é mais difícil do que ele pensava e ao perceber que seu comportamento frio é uma forma de defesa, ele decide protegê-la a todo custo. Mesmo que seja de se magoar.

Anunciada em O Jogo, a gravidez de Sabrina James é o foco da história, mas apenas um dos empecilhos para o casal ficar junto. A teimosia da jovem faz com que grande parte do tempo eles passem separados e o romance entre os dois é pouquíssimo desenvolvido. Engravidar no início da vida adulta é uma surpresa para os dois e coloca em cheque uma relação que já não tinha um futuro muito promissor, levando-os a tomar decisões que os acompanharão pelo resto da vida. 

Apesar do fofo Tuck não ter todo o charme de Garrett, Logan e Dean, há cavalheirismo, sensualidade, humor, inteligência e algo mais que só os jogadores de hóquei da Briar têm. É como se cada um deles existisse na ficção para diminuir nossas chances de encontrar um cara perfeito na realidade. Depois de tantos protagonistas e casais lindos formados, a série de Elle Kennedy vai deixar saudade. É como se depois de ter conquistado nossos corações esses garotos estivessem prontos para encarar a vida adulta e conquistar o mundo. 

"E então ela me oferece uma abertura.
- E o que você quer hoje em dia?
- Você." (p. 25)

Sinopse: De todos os jogadores do time de Hóquei da universidade de Briar, John Tucker se destaca por ser o mais sensato, gentil e amável. Diferente de seus amigos mulherengos, ele sonha mesmo é com uma vida tranquila- esposa, filhos e, quem sabe um dia, abrir um negócio próprio. Mas nem mesmo o cara mais calmo do mundo estaria preparado para o turbilhão de emoções que ele está prestes a enfrentar. 

Sabrina James é a pessoa mais ambiciosa, dedicada e batalhadora do campus. Seu jeito sério e objetivo é interpretado por muitos como frieza, mas ela não está nem aí para sua fama de antipática. Tudo o que ela quer é passar em Harvard, tirar ótimas notas e conquistar a tão sonhada carreira como advogada. Só assim ela conseguirá escapar de seu passado difícil e de sua família terrível. Um acontecimento inesperado vai desses jovens de cabeça para baixo. 

Tucker e Sabrina vão precisar se unir e rever seus planos para o futuro. Juntos, eles aprenderão que a vida é cheia de surpresas, e que o amor é a maior conquista de todas.

"A verdade é que não tenho nenhuma resposta. Não sei o que Tucker e eu somos um para o outro. Só sei que sinto falta dele quando não está por perto. Que toda vez que aparece uma mensagem dele no meu celular, meu coração flutua feito um balão de gás. Que quando ele me olha com aqueles olhos castanhos de pálpebras pesadas, esqueço meu próprio nome." (p. 142)

junho 10, 2017

[Livros] A Rainha de Tearling - Erika Johansen (A Rainha de Tearling #1)

Título Original:The Queen Of The Tearling #1
Autor: Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Páginas: 352
Gênero: Fantasia, Distopia,
País: EUA
ISBN: 9788556510280
Classificação: ★

_______________

Uma mistura de fantasia e distopia em "tons" medievais, A Rainha de Tearling é um romance complexo e com diversas nuances. Com uma heroína forte e representativa que se desenvolve junto com a trama, esse é o tipo de história que se destaca das demais, envolvendo inclusive magia. Não se nota similaridade com outras distopias populares contemporâneas. É como se Erika tivesse criado algo inteiramente novo e fora dos padrões, uma verdadeira Travessia.

Com um desenrolar lento, bastante característico do gênero, A Rainha de Tearling foi uma das leituras que eu mais demorei para concluir esse ano. A introdução e ambientação distópica se fez necessária e a construção dos personagens, extremamente precisa, ajudou a criarmos empatia com eles, nos preparando para os acontecimentos do próximo volume.

Criada longe da realeza, Kelsea foi educada por seus pais adotivos para assumir seu trono quando completasse dezenove anos. A jovem sempre achou que havia sido abandonada pela mãe, mas descobriu que na verdade, foi escondida de pessoas cruéis responsáveis pela morte da rainha. Ser a rainha de Tearling é, portanto, uma sentença de morte, mas Kelsea a desafia e a aceita de bom grado.

Em um reino que existe muitos séculos no futuro, a civilização voltou a cometer os mesmos erros do passado. O poder permanece nas mãos de quem governa com mãos de ferro e a monarquia absolutista tira do povo tudo o que eles tem, inclusive suas próprias vidas. A barbárie impera e o "tom medieval" que faz com que muitos acreditem que essa narrativa se passe na Idade Média é proposital, Erika Johansen fez com que o futuro nos remetesse ao nosso passado mais sombrio, evidenciando que estamos sempre cometendo os mesmos erros e que a História tende a se repetir.

Kelsea assume a obrigação de cuidar do seu povo e tentar eliminar toda e qualquer injustiça, mas sua força de vontade imediatamente esbarra na burocracia e nas leis arcaicas e desumanas que vigoram. O povo do Tearling é controlado pelo terror e sofre nas mãos do Regente - tio da princesa, ele mantém uma parceria de "negócios" com a Rainha Vermelha, uma feiticeira cruel e impiedosa que governa o reino vizinho e ameaça destruir todo o Tearling caso seu reinado de sangue seja questionado.

Por toda a sua vida, a jovem princesa viveu escondida por estar jurada de morte. Diversos mercenários, como os Caden, servos da Rainha Vermelha e até mesmo do Regente a perseguiram sem sucesso. Protegida pelos pais adotivos, Kelsea cresceu e quando decide aceitar o trono, essa proteção passa a ser oferecida pela Guarda Real - os mais valentes e fiéis servos de sua falecida mãe. 

A Guarda é chefiada por Clava, o mais habilidoso e corajoso dos guerreiros, disposto a matar e morrer pela rainha de Tearling. A relação de confiança e amizade que Clava e Kelsea desenvolvem é o ponto alto do livro e a fé que o cavaleiro deposita na garota é tocante, ele a vê como uma salvadora, a única pessoa capaz de libertar seu povo. Mais sábio e mais experiente, ele a aconselha e contrabalanceia o comportamento impulsivo e sonhador da nova rainha, dando a ela a segurança que ela precisa, literalmente.

O livro - primeiro de uma trilogia - termina no seu ápice, nos deixando apreensivo para as consequências das escolhas de Kelsea. A Rainha de Tearling nos faz questionar diversos valores e nos dá pontos de vista diversos sobre o conceito de benevolência e maldade. Há uma preocupação em mostrar os dois lados de uma situação e as consequências de cada movimento feito por eles. Erika Johansen constrói um mundo único que pode, infelizmente, ser mais parecido com o nosso do que imaginamos.

"A ideia de os pobres de Tearling se rebelarem contra o governo era tão improvável que chegava a ser engraçada. Eles estavam ocupados demais tentando obter a próxima refeição." (p. 151)

Sinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. 

Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. 

Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda... ou uma tragédia.

"Esperei muito tempo por você, rainha tear. Mais do que pode imaginar." (p. 308)


maio 27, 2017

[Livros] O Sol Também É Uma Estrela - Nicola Yoon

Título Original: The Sun Is Also A Star
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Young Adult
País: EUA
ISBN: 9788580416589
Classificação: ★

_______________

Brilhante como o sol, o segundo romance de Nicola Yoon é absolutamente maravilhoso e se tornou um dos meus favoritos da vida. Falando sobre amor, destino e as relações entre eles, O Sol Também É Uma Estrela não apenas encanta, como também faz pensar. Com uma mistura de ciência e misticismo, este é um livro que não tenta definir o que é o amor, mas sim, retratá-lo da forma mais fiel possível, bem como seus efeitos colaterais.

Sob inúmeros pontos de vista, a autora nos dá uma perspectiva complexa e completa de cada pessoa que cruza o caminho dos protagonistas, explicando as motivações por trás de cada atitude e mostrando que, se o amor é um sol, vários planetas giram ao seu redor. Uma pequena ação pode ter um efeito catastrófico em sequência e estamos todos esbarrando uns nos outros, nós apenas não nos damos conta do quanto afetamos o resto do mundo.

É como se o título fosse uma metáfora para essa percepção de que o sol não gira em torno do planeta e, portanto, as coisas não acontecem apenas para nós. Somos algo maior, um sistema elaborado que depende de várias outras estruturas - pessoas, planetas - para funcionar. Essa mudança no paradigma é representada também com a narração de pessoas comuns que tem pouco a ver com Daniel e Natasha mas ainda assim, afetam suas vidas. À primeira vista, algumas delas são consideradas cruéis, insignificantes mas, quando vistas sob outra perspectiva, se tornam apenas pessoas com seus próprios universos.

Natasha é uma admiradora da ciência, ela acredita na praticidade e não crê em algo que não possa ser provado ou medido cientificamente. Ela é filha de imigrantes ilegais e, por conta de um erro de seu pai, está sendo deportada com a família para a Jamaica. Enquanto tenta reverter a ordem judicial, ela esbarra num garoto que é seu total oposto e vai virar seu mundo de cabeça para baixo.

Daniel é descendente de coreanos e vive para agradar seus pais. Cada escolha da sua vida foi planejada e arquitetada por eles, bem como sua infelicidade. Ele está "destinado" a ser médico, mas deseja ser poeta e um sonhador apaixonado como é, vai mostrar à Natasha que o a vida é bem mais do que fatos concretos, uma grande abstração.

Por um dia, esse casal extremamente improvável vai tentar desvendar o universo um do outro, mostrando que é preciso ter um pouco de fé e um pouco de lógica para se apaixonar. E enquanto tudo parece determinado a afastá-los, o Universo parece determinado a uni-los. Os dois se encaixam como polos positivo e negativo se atraem. Em uma realidade que poderia se desdobrar em milhares de possibilidades diferentes, como um desencontro, um acidente ou uma deportação, eles percebem que o futuro se define a cada passo que damos e, assim, cada estrela faz toda a diferença no Universo.

"Para cada evento no nível quântico, o universo atual se divide em múltiplos universos. Isso significa que, para cada escolha que a gente faz, existe um número infinito de universos em que você fez uma escolha diferente." (p. 70)

Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.

Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.

O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

"Natasha é diferente. Acredita no determinismo: causa e efeito Uma ação leva a outra e a outra. As ações determinam seu futuro. Nesse sentido ela não é diferente do pai de Daniel. 
Daniel vive no nebuloso espaço intermediário. Talvez não estivesse destinado a conhecer Natasha hoje. Talvez tenha sido uma coisa aleatória. Mas...
Uma vez que se conheceram, o resto, o amor entre eles, era inevitável." (p. 165)

maio 23, 2017

[Séries] Anne with an E - Netflix


Mais uma produção absurdamente linda da Netflix, Anne With An E é a adaptação do romance Anne de Green Gables (Anne Shirley no Brasil). Um conjunto de fotografia, roteiro e atuações espetaculares, a série conquista o coração de seus espectadores assim como sua fofa e carismática protagonista. 

Narrando a história da jovem orfã que é adotada por engano pela família Cuthbert, a primeira temporada da série conta os fatos mais marcantes da infância difícil de Anne. Desde o desprezo de seus antigos tutores até seu excesso de imaginação para tentar sobreviver num lugar hostil. Sua excentricidade é sua maior - e melhor - característica e por gostar muito de ler e imaginar, a pequena Anne é muito boa com as palavras. Palavras, aliás, não lhe faltam nunca, ela não para quieta um só minuto.

A imaginação fértil dela combinada à seu vasto repertório literário dão origem a um mundo de faz de conta que contamina a visão dela da realidade e faz com que o mundo seja uma versão bem mais bonita do que de fato é. Anne vê as coisas com paixão e a natureza é uma das maiores dádivas para ela. Por conta de seu comportamento peculiar, ela é odiada por muitos e frequentemente excluída do convívio com outras crianças. 

Anne sofre e chora por sua infância triste mas se consola com sua criatividade, dando asas aos seus pensamentos mais lindos e vivendo em seu mundo encantado para fugir da vida real. Em vários momentos, a jovem se imagina mais bonita, inteligente e popular do que é e isso parte o coração, pois ela é a garotinha mais interessante que poderia existir. Como as pessoas podem não ver isso? Como podem não gostar dela?


O romance que se desenvolve entre Anne e Gilbert (quem conhece a história original sabe como termina) é um dos pontos altos da trama. Os dois são tão fofo juntos e uma cena específica que envolve os dois se tornou minha favorita absoluta. É tão bonito ver o amor florescer na juventude, puro e denso como o ar das montanhas no inverno. A paixão de Anne é contagiante, inspiradora e transforma tudo em poesia.

Todos os personagens são fantásticos e os diálogos refinados e cheios de reflexões morais e filosóficas pertinentes. Em muitos momentos, a série critica a sociedade hipócrita da época e seus valores conservadores e preconceituosos. Anne se atreve a sonhar em tempos em que as mulheres só podiam pensar em casamento.

Em muitos momentos me identifiquei muito com a protagonista e outros leitores assíduos também vão se identificar. O amor de Anne pelas palavras e pelas histórias vai além das páginas dos livros, é o que a mantém viva. Ela diz que não saberia o que faria se não fosse a imaginação. De fato, muitos não sabem e, por isso, o mundo é um lugar tão cruel, tão cheio de amargura e sonhos despedaçados. Poucos ousam ser diferentes.

maio 18, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte I - Diana Gabaldon (Outlander #7)

Título Original:The Fiery Cross #6
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 720
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416602
Classificação: ★

_______________

A Cruz de Fogo (parte I) é o quinto volume da série Outlander, no entanto, o sétimo livro físico publicado da série (por conta do tamanho, alguns deles foram divididos em duas partes) e nos leva às colônias inglesas na América no século XXVIII. Diana Gabaldon resgata a história da origem dos Estados Unidos e nos traz um ponto de vista único sobre a independência americana. 

Nesta primeira parte, os personagens que conhecemos tão bem se preparam para a revolução que está por vir. Jamie Fraser recebe a função de liderar uma milícia em favor da Coroa, evitando que revoluções pela independência venham a tomar força. No entanto, com a perspectiva do futuro que Claire lhe trouxe, ele sabe que deverá mudar de lado e se posicionar contra a Inglaterra nesta batalha. 

Enquanto o futuro se escreve bem à sua frente, Claire, Brianna e Roger que vieram de lá enfrentam os dilemas paradoxais de tentarem manter tudo no seu curso certo, sem alterar nada para que a história não seja afetada. É um dos livros mais lentos e, sinceramente, o mais prolixo - como se isso fosse possível para Diana Gabaldon - da série até agora. O ritmo desacelerado possivelmente antecede uma grande reviravolta que acontecerá em sua continuação, mas desanima a leitura e fez com que eu ficasse semanas presa nos acontecimentos de um só dia.

A vida na Cordilheira dos Frasers segue pacata - até demais - e, sob pontos de vista alternados, temos uma compreensão ampla das dificuldades que os protagonistas enfrentam para sobreviver e se adequar à época. Brianna e Roger se tornaram tão significativos quanto Claire e Jamie, mas sua falta de personalidade em um trama nada impactante trouxe pouco ou quase nenhum significado.

Em mais de setecentas páginas, A Cruz de Fogo (parte I) nos posiciona e nos prepara para grandes e decisivos acontecimentos em um ritmo bem diferente de seus antecessores. Alguns mistérios permanecem sem solução e o misticismo característico da trama ainda se faz presente nas tradições ancestrais. A maturidade de Jamie e Claire também se torna evidente, diminuindo bruscamente o ritmo de suas aventuras, mas jamais o seu amor. Mesmo que seja o livro mais fraco da série até o momento, Gabaldon ainda é uma exímia contadora de histórias e as mistura a História com perfeição. 

"Nenhum de nós falou, não queríamos perturbar aquela quietude. Era como estar na extremidade de um pião, pensei - um turbilhão de coisas e pessoas rodopiando a toda volta, e um passo em uma direção ou outra nos lançaria de novo naquele furor giratório, mas ali, bem no centro, havia paz." (p. 34)

Sinopse: O ano é 1771. Na Carolina do Norte, conserva-se a duras penas um frágil equilíbrio entre a aristocracia colonial e os esforçados pioneiros. E entre esses dois lados prestes a entrar em conflito está Jamie Fraser, um homem de honra exilado de sua amada Escócia. Convocado a liderar uma milícia para conter as insurgências, ele sabe que quebrar o juramento que fez à Coroa inglesa o tornará um traidor, mas mantê-lo será a certeza de sua ruína.

A guerra se aproxima, garantiu-lhe sua esposa, Claire Randall. E, mesmo não querendo acreditar nesse triste futuro, Jamie Fraser está ciente de que não pode ignorar o conhecimento que só uma viajante do tempo poderia ter. Afinal, a visão única de Claire já os colocou em risco, mas também lhes trouxe salvação.

A Cruz de Fogo é uma envolvente história sobre o empenho de Jamie em proteger sua família, construir uma comunidade e manter suas terras às vésperas de um conflito histórico. Nesses esforços, ele é ajudado por sua mulher, sua filha Brianna e seu genro Roger MacKenzie, que nasceram no século XX e agora tentam se adaptar à tortuosa vida do século XVIII.

"- Pensando bem - acrescentou ele, interessado -, esta noite poderia ser o elo. Quer dizer, a ocasião em que o costume do Velho Mundo é trazido para o Novo. Não seria interessante? 
- Interessante - Brianna concordou desanimada. (...)
- Tudo começa em algum lugar, Bree - disse ele, mais delicadamente. - Na maior parte das vezes, não sabemos onde nem como; importa se soubermos dessa vez?" (p. 319)

maio 02, 2017

[Livros] Quando A Bela Domou A Fera - Eloisa James (Contos de Fada #1)

Título Original: When Beauty Tamed The Beast
Autor: Eloisa James
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Gênero: Distopia, YA, Ficção, Fantasia
País: EUA
ISBN: 9788580416800
Classificação: ★★
_______________

Primeiro volume de uma série de releituras de contos de fadas, Quando A Bela Domou A Fera mistura diversas influências contemporâneas ao clássico A Bela e a Fera. A presença de novos elementos na narrativa foi inicialmente o que me atraiu para a leitura, no entanto, tais transformações acabaram interferindo no romance histórico e o resultado não me agradou o bastante. 

O linguajar empregado nos diálogos, as descrições e mesmo o desenvolvimento da relação entre os protagonistas foi muito cru e não consegui me conectar com a história de forma alguma. Alguns acontecimentos pareceram demasiadamente forçados e outros mais previsíveis do que o permitido para o gênero. Desde o começo da trama sabe-se o final e não é apenas: "sei que os protagonistas ficam juntos", é mais como "sei que ficam juntos e sei exatamente como tudo acontece". 

O que me motivou a ler o livro de Eloisa James foi a construção do protagonista Piers Yelverton. Inspirado no Dr. Gregory House da série de televisão House, o rapaz tem todas as características do arrogante e prepotente médico, mas não se mantém fiel à esta personalidade forte até o final. Aos poucos isso se desconstrói de uma maneira pouco crível e nada sutil. 

Essa mistura de elementos da cultura pop ao clássico me gerou expectativas de uma leitura interessante mas, infelizmente, o resultado me decepcionou brutalmente. A assimilação do comportamento grosseiro e egoísta do médico, rendeu-lhe o apelido de "Fera" e curiosamente esta é a única ligação da história inspiradora ao romance. Um elo fraco e que, sinceramente, foi forçado ao extremo, deveriam haver outras conexões que justificassem a releitura.

A protagonista Linnet é a típica Bela, mas não falo de A Bela e a Fera, pelo contrário, falo de Isabella Swan, seu total oposto. Vendida na sinopse como uma moça diferente, que se destacava das demais, Linnet Thrynne é exatamente o estereótipo de mocinha tapada, igual a grande maioria das senhoritas da época. Ela se diz durona, inteligente e teimosa, mas aceita sem pestanejar qualquer coisa que lhe é imposta e é tão tola que seus diálogos causam vergonha. Sua vitimização faz com que ela seja ainda mais insuportável e foi bem difícil torcer para que seu final fosse feliz. Graças ao gênero, sempre é.

Fadados a ficarem para sempre solteiros, o médico que sofre constantemente com uma dor lancinante na perna e a jovem que teve sua reputação destruída por engano não acreditam em casamento, mas o tempo fará com que eles descubram que o amor pode estar nos lugares mais sombrios. A lição mais importante que a autora deixa é a de que não somos o que parecemos ser. Nem tão belos e nem tão monstruosos.

De forma geral, Quando A Bela Domou A Fera não foi uma história marcante ou mesmo significativa. O título, bastante prepotente esconde uma história nada parecida com o livro que a inspira. Com um desenvolvimento narrativo pouco plausível, nem mesmo a extensa pesquisa científica que a autora realizou se mostrou capaz de salvar o livro. Se o Dr. Piers fosse realmente o Dr. House, com certeza diagnosticaria as falhas neste enredo e, infelizmente, são muitas mais do que acertos. 

"- Eu leio romances demais para não ser romântica.
- Romances não têm nada a ver com a vida real.
- São melhores que a vida real." (p. 166)

Sinopse: Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, "Quando a Bela domou a Fera" é uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos.

Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.

Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.

No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?

"- Está querendo insinuar que sou fácil? - perguntou Linnet, ressentida.
- Está insinuando que eu não a respeitaria se você fosse?" (p. 200)


abril 27, 2017

[Livros] A Prisão do Rei - Victoria Aveyard (A Rainha Vermelha #3)

Título Original: King's Cage
Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 553
Gênero: Distopia, YA, Ficção, Fantasia
País: EUA
ISBN: 9999094163351
Classificação: ★★★☆
_______________

Terceiro livro da saga A Rainha Vermelha, A Prisão do Rei toma um caminho bem diferente de seus antecessores. Se nos outros livros, Victoria Aveyard nos bombardeou com reviravoltas e cenas de tirar o fôlego, desta vez, a autora desacelerou bastante o passo e a história se arrastou de forma entediante por cruéis trezentas páginas. O ritmo da história combinado a escolha dos narradores impactou muito o desenvolvimento da trama e, assim, considero este um dos mais fracos livros da série.

A narração dos capítulos nos fornece três diferentes pontos de vista: Mare, Evangeline e Cameron. Com motivações absolutamente diferentes, a escolha das três garotas não foi aleatória mas acabou prejudicando a narrativa. Mare passou grande parte do livro presa pelo ex-noivo, Maven, sofrendo todo o tipo de tortura física e psicológica. Evangeline é uma manipuladora e faz o possível para proteger a si mesma e aos interesses da família. Cameron, no entanto, é uma sanguenova que tem muita raiva por ter sido obrigada a se juntar à Guarda Escarlate. 

Se a Guarda Escarlate já não é exatamente popular por suas ações radicais, ter o ponto de vista de alguém que não concorda com o grupo tende a influenciar os leitores a não escolherem um lado. Discordo veementemente da forma de atuação política da Guarda e com atentados cada vez mais violentos, se fez necessário um ponto de vista mais humano de dentro da organização. Não há. Provavelmente, esta foi uma escolha proposital de Victoria, justamente para nos mostrar o grande caos político em que essa distopia se enquadra, infelizmente tão contemporânea que assusta.

As movimentações políticas e o jogo de manipulação propagado pelo governo é explícito e complexo. A autora expôs uma realidade distópica em que a rebelião é a única alternativa, no entanto, os ideais se perdem conforme o poder se dissipa. É um infinito de contraste de pontos de vista, crenças e poderes. Escolher um lado não é fácil, especialmente, quando tantos sacrifícios são requeridos pelo "bem maior", essa expressão que justifica todo tipo de atrocidade para consertar outra atrocidade vigente.

Ao finalizar a leitura é possível compreender porque o herdeiro destronado, Cal, hesita tanto em escolher um lado, a Guarda Escarlate não se mostra uma alternativa justa à monarquia absolutista. Teria sido interessante conhecer o ponto de vista dele perante os eventos que sucederam a prisão de Mare. 

Maven, no entanto, se mostrou mais complexo e misterioso do que parecia ser. O jovem rei confessou que é uma criação da mãe - manipuladora de mentes - e nos deixa na dúvida sobre o quanto de sua maldade foi implantada em suas lembranças pela falecida rainha Elara. Em muitos momentos, tive pena dele por tantas escolhas erradas, mas mesmo sem os laços que o uniam à sua mentora, Maven permanece um tirano obcecado por Mare Barrow e pelo poder.

O ritmo narrativo acelera nas últimas páginas e grandes alianças políticas se consolidam. É quase irônico o quanto o poder depende do medo. Enquanto os dois lados armam suas estratégias para a batalha, famílias, vidas e sonhos são dizimados por exércitos inteiros. É um massacre para ambos os lados e a vitória se afasta cada vez mais da paz. A justiça é uma utopia, seja no mundo real, seja no mundo distópico. Somos todos prisioneiros em nossas jaulas prateadas.

"Ele me enganou quando era príncipe, me atraindo para sua armadilha. Agora, estou na prisão do rei. Mas ele também está. Minhas correntes são as Pedras Silenciosas. As dele são a coroa." (p. 183)

Sinopse: No terceiro volume da série que já vendeu mais de 250 mil exemplares no Brasil, tudo vai queimar. Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira.

Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

"- Não sou tolo, menininha elétrica. - Seu tom acompanha o meu. - Se vai brincar com a minha mente, vou brincar com a sua. Somos bons nisso. (...)
- Não me compare a você, não somos iguais.
- Pessoas como nós mentem para todo mundo. Principalmente para nós mesmos." 
(p. 215)


abril 21, 2017

[Livros] A Química Que Há Entre Nós - Krystal Sutherland

Título Original: Our Chemical Hearts
Autor: Krystal Sutherland
Editora: Globo Alt
Páginas: 272
Gênero: YA, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788525062406
Classificação: ★★★★
_______________

Um soco no estômago. A Química Que Há Entre Nós foi uma daquelas leituras que nos chacoalham e nos fazem reavaliar nossas vidas e nossas escolhas amorosas. Mais do que um romance adolescente, essa é a história de um amor de verdade, não daqueles idealizados, mas daqueles que machucam, doem e fazem chorar encolhido na cama. De uma forma simples sem deixar de ser emocionante, o livro de Krystal Sutherland mostra que sentimentos não são nada mais do que química e às vezes as fórmulas não batem.

Outra vez me identifiquei muito com um personagem e mergulhei - literalmente - na história. Henry é o típico garoto que ama perdidamente e se desespera com a possibilidade de não ser amado de volta. Gostar de alguém já é suficientemente difícil, mas não ser retribuído dói como brasa quente e demora a passar. Junto ao protagonista, chorei por cada vez que tive meu coração partido e cada ilusão criada por mim mesma sobre alguém que parecia especial.

Henry Page é um tímido garoto com pouca ou nenhuma experiência com garotas, o típico nerd bonitinho que não sabe se aproximar do sexo oposto. Ele conta com seus dois melhores amigos - Lola e Murray - para fazer da sua experiência no ensino médio algo menos decepcionante. Quando conhece uma garota nova chamada Grace Town, Henry se apaixona instantaneamente por ela e esse é o começo de um perigoso mergulho no amor sem direito a bote salva-vidas ou boia. 

Grace tem problemas sérios com seu passado e tenta, na nova escola, recomeçar sua vida. O que aconteceu em seu passado não chega a ser um grande mistério para leitores de ya's, mas é algo impactante e tão difícil que mudou completamente sua personalidade e a transformou em outro alguém. A protagonista trava uma luta intensa contra seus próprios demônios e, ainda assim, o tolo Henry se apaixona por ela.

A amizade que os dois desenvolvem é espontânea e uma das coisas mais lindas sobre esse livro é a naturalidade como a autora envolve os protagonistas. Henry e Grace são cativantes e suas histórias são como tantas outras que acontecem fora da ficção. Em muitos momentos, percebi em Henry aspectos similares aos meus e sofri vendo-o cometer os mesmos erros que eu costumo cometer. O sofrimento expresso na narrativa é palpável e, apesar de serem níveis diferentes de dor, a autora nos mostra que não é possível comparar qual é a maior. A dor apenas dói.

Apesar de não ter aprovado a adaptação do título para o português, A Química Que Há Entre Nós - Our Chemical Hearts - é mais um belo romance ya publicado pelo selo Globo Alt. A forma como Krystal fala do amor é direta, objetiva, como ele próprio é, uma reação química. Quem complica o sentimento somos nós que ousamos ser peixes em lagos muito profundos quando não ainda sabemos nadar.

"- Você não pode projetar suas fantasias nas pessoas e esperar que elas cumpram o papel, Henry. As pessoas não são recipientes vazios para você encher com seus devaneios." (p. 220)

Sinopse: Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar. Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns.

Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir. Só que quanto mais próximos eles ficam, mais os segredos de Grace parecem obscuros. 

Mesmo que pareça um romance fadado ao fracasso, Henry insiste em mergulhar nesse universo misterioso, do qual nunca poderia sair o mesmo. Com o tempo, fica claro para ele que o amor é uma grande confusão, mas uma confusão que ele quer desesperadamente viver.

"- Eles envenenaram você com essa bobagem de 'o amor é paciente, o amor é gentil' desde que você era criança. Mas o amor é científico, cara. Quer dizer, ele é apenas uma reação química no cérebro. Às vezes essa reação dura uma vida inteira, repetindo-se de novo e de novo. E às vezes não. Às vezes ela entra em supernova e começa a desaparecer. Nós somos todos apenas corações químicos. Isso deixa o amor menos brilhante?" (p. 245)

abril 11, 2017

[Livros] A Rosa e a Adaga - Renée Ahdieh (A Fúria e a Aurora #2)

Título Original: The Rose and The Dagger
Autor: Renée Ahdieh
Editora: Globo Alt
Páginas: 366
Gênero: Romance, Ficção, Fantasia
País: EUA
ISBN: 9788525060365
Classificação★★★★★
_______________

Desfecho da fantástica duologia de Renée Ahdieh, A Rosa e a Adaga conseguiu me encantar com sua beleza singular. Diferente de qualquer coisa que eu já tenha lido, essa recontação de As Mil e Uma Noites não só homenageia sua inspiração, como também a ressignifica. A forma como a autora envolve os contos originais árabes em um romance de moldes contemporâneos é simplesmente tão brilhante quanto as estrelas no deserto.

O triângulo amoroso entre Sherazade, seu marido e seu melhor amigo é de partir o coração. Ambos os garotos da vida de Shazi são merecedores de seu amor e saber que a jovem deve escolher um deles e fazer o outro sofrer é de partir o coração. Eu me apaixonei pelo menino-rei, Khalid, desde sua primeira aparição e minha opinião não mudou, mas a forma como Tariq ainda é apaixonado por seu amor de infância é devastadora.

Neste segundo volume, Renée explora de forma ainda que superficial - infelizmente - os poderes da protagonista. As habilidades recém-descobertas de manipular o tapete mágico e poder viajar para onde quiser são apenas parte da verdadeira força da rainha de Khorasan. Determinada a salvar seu califa, Sherazade recorre às histórias para buscar a verdade sobre a magia que corre em suas veias. 

Enquanto busca uma forma de quebrar a maldição de seu marido, a garota ainda tem de se preocupar com a família e com Tariq. Uma guerra se desenrola bem à sua frente e é difícil saber em quem confiar. O poder do livro que seu pai tenta obter pode ser mais perigoso do que se imagina e somente o verdadeiro conhecimento pode libertá-lo. 

Khalid e Tariq são duas peças importantes na trama, mas Sherazade rouba a cena. De forma geral, várias mulheres são responsáveis pelos acontecimentos decisivos na narrativa e a representação feminina faz jus ao poder da Sherazade inicial, o de utilizar-se de sua inteligência e astúcia para sobreviver. Mesmo com o coração dilacerado e carregando preocupações por sua família, amigos e marido, a jovem califa de Khorasan mostra que é mesmo uma rainha e em seu coração nunca haverá nada mais importante que o amor. Os livros e suas histórias podem salvar vidas, adiar auroras e nos levar para mundos inimagináveis sob um tapete mágico voador, basta um pouco de magia. 

"Em uma carta bem curta, o califa de Khorasan conseguiu expressar em palavras exatamente o que Tariq sempre sentiu sobre a garota que sempre amou. Sempre sentira, mas nunca expressara com tal simplicidade e eloquência. Essas não eram as palavras de um louco.
Pela primeira vez, Tariq viu o que Sherazade via quando olhada para Khalid Ibn al- Rashid.
Ela via um garoto. Que amava uma garota. Mais do que qualquer coisa no mundo.
E o odiou ainda mais por isso." (p. 111)

Sinopse: A esperada continuação de A Fúria e a Aurora, inspirado no clássico As mil e uma noites Sherazade chegou a acreditar que seu marido, Khalid, o califa de Khorasan, fosse um monstro. Mas por trás de seus segredos, ela descobriu um homem amável, atormentado pela culpa e por uma terrível maldição, que agora pode mantê-los separados para sempre. 

Refugiada no deserto com sua família e seu antigo amor, Tariq, ela é quase uma prisioneira da lealdade que deve às pessoas que ama. Mas se recusa a ficar inerte e elabora um plano. Enquanto seu pai, Jahandar, continua a mexer com forças mágicas que ele ainda não entende, Sherazade tenta dominar a magia crescente dentro dela. 

Com a ajuda de um tapete velho e um jovem sábio e tempestuoso, ela concentrará todas as suas forças para quebrar a maldição e voltar a viver com seu verdadeiro amor.

"E o amor? O amor era algo que podia mudar muito uma pessoa. Trazia tanto alegria quanto sofrimento, e trazia no seu bojo os momentos que definiam o caráter.
O amor dava vida aos que não viviam. Era o maior poder de todos.
No entanto, como em todas as coisas, o amor também tinha seu lado negro." (p. 253)


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...