junho 20, 2018

[Livros] Contra Todas As Probabilidades do Amor - Rebekah Crane

Título Original: The Odds Of Loving Grover Cleveland
Autor: Rebekah Crane
Editora: Faro Editorial
Páginas: 240
Gênero: Romance, YA
País: EUA
ISBN: 9788595810105
Classificação: ★★★
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Um dos melhores livros jovens que li nos últimos tempos, Contra Todas As Probabilidades do Amor traz adolescentes "problemáticos" e um tema que precisa - mais do que nunca - ser discutido: distúrbios mentais. A leveza e a sensibilidade da autora ao abordar um assunto tão pesado tornam a leitura agradável e permitem que criemos uma identificação com os protagonistas.

Por sofrer com um transtorno mental e alimentar desde os sete anos e enfrentar um dos momentos mais importantes da minha vida com relação ao tratamento, senti que essa leitura conversou comigo e compreendeu partes de mim que eu mesma não vinha compreendendo. A falta de tratamento, a incompreensão da doença e, até mesmo, o preconceito da sociedade quanto ao assunto potencializam o sofrimento de quem tem depressão, transtorno de ansiedade, bulimia, anorexia e outros distúrbios originados da mente.

Em um acampamento de férias para jovens "peculiares", adolescentes com todos os tipos de problemas vão buscar ajuda para enfrentar seus medos e transtornos. Os protagonistas e personagens secundários são bem desenvolvidos e trazem em suas histórias de vida, cargas emocionais que ninguém deveria carregar.

Aos poucos vamos descobrindo o que levou cada um deles àquele lugar e entendemos como o programa pode ajudá-los. O conceito principal de qualquer acampamento é o trabalho em equipe e somos apresentados a um grupo de pessoas incríveis que vão aprender e nos ensinar mais do que imaginamos.

Rebekah Crane expõe o coração e a mente de jovens que são constantemente ignorados pela sociedade, hostilizados por suas "loucuras" ou "excentricidades". Esse livro não é sobre amor romântico, mas sim sobre o amor pelos outros seres humanos. Todos buscamos fazer parte de um grupo e, algumas vezes, sentimos que não nos encaixamos em lugar algum. Se você sente isso, saiba que não é verdade, você se encaixa SIM nesse mundo, alguém te entende, busque ajuda. No final das contas, estamos todos precisando de ajuda, alguns apenas fingem melhor que outros.

"De repente, me dou conta de que queria poder consertar a cadeira bamba que Grover mencionou com o exemplo para me explicar a sua situação. Queria poder manter a cadeira firme para que ele continuasse sentado nela sem ter a sensação de que ela pode quebrar a qualquer momento e sua vida desmoronar." (p. 91)

Sinopse: Sejam bem-vindos ao acampamento Pádua. Um retiro de verão para adolescentes problemáticos. Mas não se tratam de problemas comuns, como não querer estudar, mentir ou colar na prova. Não! Estamos falando de problemas reais. Alguns deles tão grandes, tão sérios, que até um adulto desmoronaria sob o peso deles. No acampamento, Zander, uma garota enviada pelos pais contra a sua vontade, encontra uma série de adolescentes na mesma situação, e com três deles ela estabelece uma relação de amizade — Grover, Alex e Cassie. Todos os quatro são tão diferentes quanto as pessoas podem ser, mas têm algo em comum — eles estão quebrados por dentro.

Em meio às sessões de grupo e, à medida em que o verão dá as caras, os quatro revelam seus trágicos segredos. Zander encontra-se atraída pelos encantos de Grover, e então começa a se perguntar, depois de muito tempo, se pode apostar em ser feliz novamente.Mas, antes, ela precisa lidar abertamente com seus problemas, para poder juntar seus pedaços e reconstruir sua vida.

Você pode pensar que se trata de uma história triste. E há partes duras sim, mas, Rebekah Crane consegue mostrar como na dificuldade podemos encontrar uma saída. Isso é uma das coisas que faz o livro completamente encantador, divertido e doce, capaz de deixar em você um grande sorriso no rosto.

"O vidro pode se quebrar, mas isso não significa que seja frágil. Às vezes, só o que nos resta são os cacos." (p. 166)


[Livros] A Princesa Salva A Si Mesma Neste Livro - Amanda Lovelace

Título Original: The Princess Saves Herself In This One
Autor: Amanda Lovelace
Editora: Leya
Páginas: 208
Gênero: Poesia
País: EUA
ISBN: 9788544106594
Classificação: ★★★
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Um livro de poemas, A Princesa Salva A Si Mesma Neste Livro conta a história visceral de uma garotinha que sofreu muitos abusos psicológicos na infância e descobriu nas palavras o poder de se libertar. Com a sensibilidade e o sentimento de alguém que vivenciou cada palavra, Amanda Lovelace nos entrega uma obra verdadeira, intensa e cheia de dor. Suas experiências de vida são comoventes e, ao mesmo tempo, inspiradoras. Afinal, a princesa conseguiu escapar da torre onde foi colocada e derrotou os dragões da sua vida.

As metáforas aludindo aos contos de fadas foram estrategicamente pensadas pela autora para dar ênfase a questão do empoderamento da mulher. A típica princesa dos contos medievais estava sempre esperando sua salvação, vítima da sua realidade e refém da maldade. Neste livro - como o próprio título já diz - a única pessoa capaz de salvá-la é ela mesma.

Ainda que não tenhamos construído as prisões que nos limitam, somos capazes de desconstruir essas barreiras e lutar pela nossa liberdade. Amanda Lovelace, como todos nós, sofreu muito por conta dos padrões que a sociedade estabelece, padrões irreais e difíceis de serem alcançados. Sendo julgada e menosprezada por sua aparência pelas pessoas que mais deveriam amá-la, ela passou a se odiar também.

O livro traz um forte viés feminista pois leva em conta os ideais da autora, mas isso não afeta de forma alguma a leitura de pessoas que - como eu - não se identificam com essa abordagem ou não são mulheres. Pelo contrário, os estereótipos contra os quais Amanda luta estão presentes no dia-a-dia de todos nós, sem distinção e isso torna a leitura palpável, sensível e de fácil identificação.

De donzela presa na torre do castelo a rainha empoderada, esse livro traz as fases do amadurecimento de uma garota e sua arma mais poderosa para enfrentar o mundo e seus dragões: a poesia.

"não tenho medo dos monstros
escondidos debaixo da minha cama.

tenho medo dos garotos
com cabelos castanhos despenteados, olhos apertados,

& bocas que só sabem
como dizer meias verdades." (p. 53)

Sinopse: Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI A princesa salva a si mesma neste livro, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes.

Não à toa A princesa salva a si mesma neste livro ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes ("A princesa", "A donzela", "A rainha" e "Você"), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência.

Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração, constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.

"era uma vez, uma princesa 
que nasceu das cinzas
que seus amores-dragão fizeram dela
&
se coroou
a porra da
rainha de si mesma." (p. 113)


junho 12, 2018

[Livros] Escrevi Isso Para Você - Iain S. Thomas

Título Original: I Wrote This For You
Autor: Iain S. Thomas
Editora: Sextante
Páginas: 208
Gênero: Poesia, Fotografias
País: África do Sul
ISBN: 9788543106304
Classificação: ★★★
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Uma coletânea de poemas e fotografias, Escrevi Isso Para Você é excepcionalmente simples e verdadeiro. Iain S. Thomas reúne textos sobre o amor e usa brilhantemente as palavras para expressar os sentimentos que ousamos tentar esconder dentro de nós. 

Em poemas curtinhos, porém cheios de significado, é impossível não se apaixonar por muitos dos escritos que o livro traz. Inicialmente conhecido na internet pelo pseudônimo pleasefindthis, Iain conquistou uma legião de fãs ousando falar de amor. 

O projeto gráfico desse livro lembra um portfólio, produzido em um papel similar ao fotográfico. É quase como se as imagens abstratas, desfocadas contrabalanceassem os poemas. As relações entre os títulos, os textos e as fotografias não é clara, por muitas vezes subjetiva, mas não deixa de ser interessante.

Abordando as diferentes nuances da paixão, dos relacionamentos e do próprio amor, o autor constrói uma obra completa e única, capaz de compreender qualquer um. Acredito que os retratos de Jon Ellis que ilustram o trabalho são - em sua maioria - preto e brancos porque as palavras contidas nesse livro transbordam cores que só um coração que ama ou já amou consegue enxergar.

"Há um milhão de coisas importantes a fazer. Mas nenhuma é tão importante quanto me deitar ao seu lado." (p. 45)

Sinopse: "Você sempre me diz que foi bom enquanto durou. Que as chamas mais intensas são as que queimam mais rápido. Ou seja, você via em nós uma vela. E eu via em nós o sol."

Escrevi isso pra você é uma coletânea de poemas contemporâneos sobre os diversos momentos do amor: a paixão e o encantamento dos primeiros tempos, o lento afastamento, a solidão a dois, a dor do fim e a esperança de novos começos.

Reunindo cerca de 200 textos divididos em quatro partes – Sol, Lua, Estrelas, Chuva –, o poeta sul-africano Iain S. Thomas combina palavras profundas e intensas com fotografias frias e impessoais. O resultado é um livro que provoca uma explosão de sentimentos perturbadores e conflitantes, mas totalmente familiares a qualquer pessoa que já tenha amado e sofrido pelo menos uma vez.

Conhecido nas redes sociais pelo pseudônimo pleasefindthis, o autor começou sua trajetória na internet, publicando poemas e fotos em seu blog pessoal. Com o tempo, seu trabalho ganhou repercussão, se transformou em livro e encantou milhares de leitores ao redor do mundo.

Com extrema delicadeza, Escrevi isso pra você expõe a natureza frágil das relações humanas e as nuances líricas e obscuras do amor.

"Existem milhões de formas de sangrar. Mas você é, de longe, a minha preferida."(p. 67)

junho 01, 2018

[Livros] A Luz Que Perdemos - Jill Santopolo

Título Original: The Light We Lost
Autor: Jill Santopolo
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN9788580418408
Classificação: ★★★
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Uma leitura emocionante, A Luz Que Perdemos me deixou devastada. Jill Santopolo construiu uma história de amor em meio à maior tragédia que os Estados Unidos já viveram e deixou que a vida a fizesse desmoronar. Com lágrimas nos olhos, escrevo essa resenha com o resto de luz que me sobrou.

O atentado terrorista ao World Trade Center mudou a vida de todos nós, o medo, a insegurança, a desconfiança, a urgência de viver e a vontade de fazer a diferença mudaram a forma como encaramos o mundo. Perceber a fragilidade da vida dá a ela um sentido completamente diferente.

Gabe e Lucy estavam juntos quando os prédios desabaram e construíram naquele momento um amor que duraria a vida toda. Os planos deles, no entanto, os levariam para lugares diferentes. Gabe decidiu ser fotojornalista no Oriente Médio enquanto Lucy fez sua carreira nos Estados Unidos com animações infantis.

Nenhum dos dois quer - e pode - abrir mão dos seus sonhos e acabam, por isso, abrindo mão um do outro. Utilizando como inspiração Robert Frost, Jill Santopolo nos faz pensar sobre "a estrada que não pegamos", um caminho que teria nos levado a um destino completamente diferente e desconhecido.

Ainda que distantes, os dois conversam esporadicamente e mantém acesa a luz que criaram tantos anos atrás. Acompanhamos por meio dessa história narrada por Lucy o impacto que seu primeiro amor causou em sua vida e as consequências de tudo o que aconteceu entre eles. Nem sempre conseguimos esquecer o que nos marcou profundamente. A vida segue, mas o amor permanece.

Nem sempre podemos controlar os rumos que nossas vidas tomam, dois prédios desabaram e ninguém pôde evitar. Assim é a vida, duas histórias podem estar ligadas e destinadas a terminarem juntas até que algo colide com elas e faz com que tudo acabe. No lugar do WTC, Nova York construiu um memorial ao que antes existia, nossos corações são repletos de memoriais aos amores que vivemos.

"- Ainda penso em você, Lucy - disse você, olhando para seu copo vazio de uísque.
Tentei imaginar quantas doses você tinha bebido.
- Fico pensando naquela bifurcação do caminho. O que teria acontecido se a gente tivesse seguido pelo outro lado. Dois caminhos divergem." (p. 27)

Sinopse: Lucy e Gabe se conhecem na faculdade na manhã de 11 de setembro de 2001. No mesmo instante, dois aviões colidem com as Torres Gêmeas. Ao ver as chamas arderem em Nova York, eles decidem que querem fazer algo importante com suas vidas, algo que promova uma diferença no mundo.

Quando se veem de novo, um ano depois, parece um encontro predestinado. Só que Gabe é enviado ao Oriente Médio como fotojornalista e Lucy decide investir em sua carreira em Nova York. Nos treze anos que se seguem, o caminho dos dois se cruza e se afasta muitas vezes, numa odisseia de sonhos, desejo, ciúme, traição e, acima de tudo, amor. Lucy começa um relacionamento com o lindo e confiável Darren, enquanto Gabe viaja o mundo. Mesmo separados pela distância, eles jamais deixam o coração um do outro.

Ao longo dessa jornada emocional, Lucy começa a se fazer perguntas fundamentais sobre destino e livre-arbítrio: será que foi o destino que os uniu? E, agora, é por escolha própria que eles estão separados?

A Luz Que Perdemos é um romance impactante sobre o poder do primeiro amor. Uma ode comovente aos sacrifícios que fazemos em nome dos ­nossos sonhos e uma reflexão sobre os extremos que perseguimos em nome do amor.

"- É como se você fosse a minha estrela-guia, meu sol. Sua luz, sua atração gravitacional... Não consigo nem saber direito o que você representa para mim.
- Acho que somos uma estrela binária. (...) Nós orbitamos em volta um do outro." (p. 54)


maio 31, 2018

[Livros] Carta a D. - André Gorz

Título Original: Lettre à D.: Histoire d'un Amour
Autor: André Gorz
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 112
Gênero: Carta, Biografia
País: França
ISBN: 9788535930979
Classificação: ★★★
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Uma biografia comovente, Carta a D. é a história de um amor que durou uma vida e nos inspira além dela. André Gorz se declara uma última vez a sua esposa e nos emociona com suas palavras e lembranças.

Filósofo e jornalista francês, André Gorz - pseudônimo de Gerhart Hirsch - publicou inúmeros escritos sobre o período pós-guerra em seu país natal, nenhum desses textos, no entanto, traz metade do que essa carta a sua amada Dorine traz. Entre memórias e pensamentos, o autor nos leva a conhecer sua vida antes de pôr fim à ela. 

Sabendo da condição terminal de Dorine, que sofreu por grande parte da vida com uma doença degenerativa, André e a esposa decidiram partir juntos dessa existência e se suicidaram aos oitenta anos. Um não queria viver sem o outro e tendo eles construído uma longa história de amor, se mantiveram assim, no verdadeiro final.

"Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. Nós nos doamos inteiramente um ao outro." (p. 15)

Sinopse: Uma das declarações de amor mais conhecidas e emocionantes de nosso tempo, este livro é também uma afirmação comovente de companheirismo entre duas pessoas apaixonadas."Você está para fazer 82 anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que 45 quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca." Assim André Gorz inicia sua carta de amor a Dorine, mulher ao lado de quem ele passou a vida e que há alguns anos sofria de uma doença degenerativa incurável.

"Nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tivéssemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la juntos." (p. 102)

[Livros] Ho'oponopono Sem Mistérios - Laurence Luyé-Tanet

Título Original: Ho'oponopono (...)
Autor: Laurence Luyé-Tanet
Editora: Pensamento
Páginas: 134
Gênero: Desenvolvimento Pessoal, Autoajuda
País: França
ISBN: 9788531520204
Classificação: ★★★
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Um guia prático de vida, Ho'oponopono Sem Mistérios é terapia, ensinamento e, ao mesmo tempo, uma benção do Universo. Nada expressa melhor o que eu sinto ao concluir essa leitura além de gratidão. O método de autocura - que eu prefiro chamar de filosofia de vida - havaiano consiste em perdoar a si mesmo para que possamos seguir em frente e manter o equilíbrio.

A técnica consiste em repetir quatro frases para cada adversidade que surgir até que possamos neutralizar a forma como esses eventos nos afetam. Como hipnotista, professora e uma amante da psicologia, as lições que são apresentadas nesse livro são valiosíssimas e vão de encontro com tudo em que acredito: nossa mente é que cria a nossa realidade.

A partir do momento em que nossa mente se desprende daquilo que a limita, ela cria asas e passa a enxergar coisas que nunca tinha visto antes. O Ho'oponopono se baseia na liberação das memórias negativas, trabalhando para que possamos desconstruí-las e, assim, viver sem o sofrimento que elas nos causam.

As quatro frases são tão simples quanto poderosas: eu sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grato. Em qualquer situação, essas afirmações podem nos fazer ver de maneira mais clara e objetiva os problemas que nos afligem. Utilizada como um mantra, o Ho'oponopono pode curar as feridas mais profundas da nossa alma e nos guiar para uma vida mais feliz. 

Eu sinto muito que nem todo mundo conheça essa técnica, me perdoe por não ter começado a usar o Ho'oponopono antes na vida, eu te amo, Universo e sou grata por ter lido esse livro tão especial no momento em que eu mais precisava dele.

"Podemos observar os acontecimentos de outra forma, dar-lhes um sentido. Contatamos nossa possibilidade de ação. Começamos a ver mudanças, como se véus caíssem de nossos olhos. O mundo ao nosso redor muda porque mudamos o nosso ponto de vista." (p. 67)

Sinopse: O Ho'oponopono é uma técnica ancestral de cura havaiana baseada num antigo princípio desse povo: os nossos problemas - ou erros - têm origem em pensamentos poluídos pelas memórias dolorosas do passado e são responsáveis por causar doenças e desequilíbrios. Mas como podemos nos restabelecer espiritualmente? O segredo está em quatro frases: Sinto muito. Me perdoe. Sou grato. Eu te amo.

Por meio dessas afirmações, a prática do Ho'oponopono permite liberar a energia bloqueada nessas memórias celulares e espirituais, eliminando mágoas, dores físicas e emocionais, crenças limitantes e qualquer dificuldade do presente ou do passado, desbloqueando todas as áreas da sua vida: financeira, pessoal, profissional e espiritual. Esta técnica já ajudou milhares de pessoas ao redor de todo o mundo e agora pode ajudar você a alcançar saúde e felicidade plena.

"Sentir gratidão nos permite deixar entrar luz em nossa vida E precisamos muito dela. Concentrar-se no que é positivo não significa negar o que não dá certo, mas nos dar a oportunidade de não nos determos no detalhe que impede de ver o todo. A gratidão também é o início do caminho para a felicidade." (p. 128)

maio 25, 2018

[Livros] Dias de Despedida - Jeff Zentner

Título Original: Goodbye Days
Autor: Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Gênero: Ficção, YA
País: EUA
ISBN: 9788555340635
Classificação: ★★★
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Um livro que nos faz pensar sobre o impacto que causamos na vida das pessoas, Dias de Despedida é intenso, sensível e bonito. Abordando a culpa em sua forma mais bruta, Jeff Zentner escreve uma história cruel, dolorosa e, ainda assim, linda. Se despedidas são difíceis, imagine não poder se despedir.

Narrado em primeira pessoa intercalando memórias, alucinações e o tempo atual, o livro conta a história de Carver, um jovem que foi direta ou indiretamente - vou deixar essa conclusão em aberto - responsável pela morte de seus três melhores amigos em um acidente de carro. Aspirante a escritor, é uma ironia do destino que por causa de uma mensagem de texto, ele causaria o acidente que colocou fim a vida de Mars, Eli e Blake. As palavras que ele nunca deveria ter escrito.

Enquanto as famílias dos mortos buscam justiça e o culpam pela dor que estão sentindo, ele é indiciado pelo envolvimento nas circunstâncias do acidente, como se não bastasse a culpa e a saudade que ele sente. É o tipo de narrativa que faz com que possamos entender todos os lados, as famílias buscam justiça e Carver busca uma absolvição que nem o tribunal poderia lhe dar.

Aceitando a sugestão de uma das únicas pessoas no mundo que não o consideram culpado, ele decide fazer um dia de despedida para cada um dos amigos, homenageando-os e celebrando as memórias deles com quem os amava. O que ele não imagina é que talvez ninguém esteja pronto para dizer adeus, nem mesmo depois de já ter dito.

Chorei muito durante a leitura e me deparei com muitos questionamentos sobre a culpa e a relação de causalidade. O bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo e a culpa é da borboleta ao mesmo tempo que não é. Se a culpa, mesmo quando resultado de algo não proposital é capaz de destruir alguém, Jeff Zentner é culpado por me fazer chorar, e eu o perdoo.

"Ajudo a carregar o caixão de Blake até o carro funerário. Pesa uns mil quilos. Um professor de ciências uma vez perguntou para a gente: 'O que pesa mais, um quilo de penas ou um quilo de chumbo?' Todo mundo respondeu chumbo. Mas algumas dezenas de quilos de melhor amigo em um caixão não pesam o mesmo que algumas dezenas de quilos de chumbo ou de penas. Pesam muito mais." (p. 19)

Sinopse: "Cadê vocês? Me respondam." Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. 

Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

"Nossa mente busca causa e efeito porque isso sugere uma ordem no universo que talvez não exista, mesmo se você acreditar em algum poder superior. Muita gente prefere aceitar uma parcela indevida da culpa por alguma tragédia do que aceitar que não existe ordem nas coisas. O caos é assustador. É assustadora uma existência inconstante em que coisas ruins acontecem a pessoas boas sem nenhum motivo lógico." (p. 229)

maio 17, 2018

[Livros] O Diário de Adão e Eva - Mark Twain (Coleção Inglês com Clássicos da Literatura #5)

Título Original: The Diary Of Adam And Eve
Autor: Mark Twain
Editora: Folha de São Paulo
Páginas: 96
Gênero: Contos, Clássico
País: EUA
ISBN: 9788593876684
Classificação: ★★★
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Sagaz, irônico e extremamente inteligente, O Diário de Adão e Eva é um retrato do estereótipo de masculino e feminino. No quinto volume da coleção Inglês com Clássicos da Literatura, Mark Twain traz um texto leve e cômico que parodia a criação do ser humano e o desenvolvimento do relacionamento entre homem e mulher. Um dos mais divertidos textos do autor, esse diário explica o comportamento tão distinto de dois seres da mesma espécie que parecem não falar a mesma língua. 

Em tempos de discussão de gênero, O Diário de Adão e Eva não abrangeria a pluralidade comportamental/emocional e os conceitos de masculino e feminino, mas levando em consideração o ano em que foi escrito, 1906, e uma leve generalização da personalidade de homens e mulheres é uma obra muito atual. A edição bilíngue se preocupa em contextualizar alguns recursos linguísticos usados pelo autor enfatizando as figuras criadas por ele.

O homem, visto como uma criatura mais prática, racional e objetiva, é o primeiro narrador dessa história e conta como a mulher, uma criatura sensível, curiosa, esperta e falante, o faz companhia. Antes solitário, Adão não compreende muito o que acontece a seu redor e também evita pensar sobre isso, enquanto Eva se encanta pelas maravilhas do jardim do Éden e quer descobrir tudo o que puder sobre o mundo. 

As diferenças deles são acentuadas por Twain e contrastadas com o modo característico de pensar do outro. Eva fala sem parar e tenta se aproximar de Adão, enquanto ele se irrita com isso e evita ficar perto dela. Ela adora a companhia dele, enquanto ele aprecia seus momentos de solidão e quietude. Entre ironias e metáforas brilhantes, o autor nos guia por esse processo de construção e descobrimento do ser, bem como o do mundo. A forma como Adão e Eva se completam é perfeita, como só o criador - falo de Mark Twain - poderia escrever.

"A nova criatura se intrometeu. Quando tentei expulsá-la, começou a derramar água pelos buracos que usa para olhar, e a limpá-las com as costas das suas patas, e fez um barulho como o de alguns outros animais quando estão com algum problema. Adoraria que não falasse; mas fala o tempo todo." (p. 10)

Sinopse: “O diário de Adão e Eva”, do qual apresentamos aqui as duas primeiras partes, pertence à última fase da carreira literária e da vida de Mark Twain.

Foi publicado em 1906, um período de profunda depressão do escritor, por dificuldades financeiras decorrentes de investimentos mal-sucedidos e sobretudo por graves lutos familiares (em 1896, a filha Susy morreu de meningite; em 1904, faleceu a mulher Livy, depois de longa enfermidade; e, em 1909, foi a vez de outra filha, Jean).

Desse estado de ânimo restam alguns vestígios em certos meandros menos aparentes do texto, que no entanto apresenta-se em seu conjunto como uma brilhante e divertida paródia, reconstruindo as relações entre os dois progenitores bíblicos da humanidade no Jardim do Éden.

"Os gestos dele são grosseiros, e ele não é gentil. (...) Fico pensando: será que é pra isso que ele serve? Será que não tem coração?" (p. 54)

maio 16, 2018

[Eventos] Sextante 20 Anos - Ciclo de Palestras


Em 2018 a Sextante está completando 20 anos e para comemorar essa data especial, decidiram reunir alguns dos seus autores mais vendidos e conceituados para um ciclo de palestras inesquecível. Venha conferir o que esse time de sucesso reservou para nós no próximo fim de semana. Para se inscrever, clique aqui.





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