dezembro 30, 2017

[Livros] Moletom - Julio Azevedo

Título Original: Moletom
Autor: Julio Azevedo
Editora: Globo Alt
Páginas: 168
Gênero: Ficção, YA
País: Brasil
ISBN: 9788525063373
Classificação: ★★★
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Fofo, sensível e repleto de ilustrações lindas, Moletom é o tipo de leitura que aquece o coração num dia frio. Sem trazer um enredo muito complexo ou grandes reviravoltas, Julio Azevedo narra uma história como quem compartilha uma memória da juventude e nos conquista justamente por ser tão real quanto um dos amores que já vivemos.

Pedro está tentando encontrar a si mesmo enquanto foge de uma vida que não o compreende. Sonhando ser escritor, o jovem se vê escrevendo o próximo capítulo de sua própria história quando faz um amigo que poderá ajudá-lo a terminar seu livro. Essa amizade cheia de sentimento e compreensão é tão pura e espontânea que cada um dos rapazes não percebe o quanto passam a significar um para o outro. 

Os traços característicos de Julio Azevedo tornam a obra completa e complementam o texto com doçura, refletindo sentimento. Moletom não traz uma história de amor épica ou um grande drama capaz de destruir corações, pelo contrário, é um dos nossos tão conhecidos amores de verão - apesar de não se passar especificamente no verão, ok? É um daqueles romances que tem prazo de validade mas marcam nossa vida para sempre.

Se apaixonar nem que seja passageiramente é sentir a plenitude de estar vivo e mesmo que esse amor nos machuque depois do fim, a lembrança da felicidade permanecerá intocada. De momentos especiais é composta a nossa vida, ilustrações mentais de tudo o que conhecemos, cada uma delas única e imcomparável. Moletom é o retrato de uma bela história que pedia para ser contada com palavras e desenhos mas, acima de tudo, amor. 

"- Você já ouviu falar na palavra kaukokaipuu?
Confessei que mesmo trabalhando com palavras e sendo um velho amigo delas, nunca tinha ouvido essa antes. Voltando a olhar para o céu acima de nós, ele respondeu:
- Bem é um sentimento complexo. Na verdade, é uma palavra finlandesa que nem tem tradução para o português. É tipo quando você sente falta de um lugar que nunca visitou. Kaukokaipuu é tipo aquela sensação de ser um velho amigo de alguém que você acabou de conhecer. Pode parecer bizarro, mas é assim que eu me sinto em relação a você." 
(p. 57)

Sinopse: Em 'Moletom', Julio Azevedo — o jovem autor da página de mesmo nome do Facebook — mostra, por meio de uma narrativa envolvente e ilustrações poéticas, que não adianta tentar fugir dos problemas: eles nos perseguem até que os encaremos de frente. Seu protagonista, Pedro, está fugindo de algo. 

Ele acaba de chegar em uma nova cidade, onde ficará hospedado na casa da tia por algum tempo, e essa mudança representa para ele um recomeço, um escape de algo que está causando uma grande angústia. Assim que chega a esse novo ambiente, no entanto, ele conhece Lucas, um garoto que despertará exatamente os sentimentos que ele estava tentando evitar.

"É como se fôssemos feitos de pequenos encaixes.
E eu sempre sentia que estava faltando uma maldita peça." (p. 136)



[Livros] Mil Beijos de Garoto - Tillie Cole

Título Original: A Thousand Boy Kisses
Autor: Tillie Cole
Editora: Outro Planeta
Páginas: 400
Gênero: Romance, Drama, YA, Ficção
País: Reino Unido
ISBN: 9788542209822
Classificação: ★

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Mil Beijos de Garoto é o tipo de livro que nos faz chorar convulsivamente e parte um coração de mil formas diferentes. Definitivamente, meu favorito do ano, o livro de estreia de Tillie Cole foi mais um coração de papel que eu guardo no meu potinho de lindas leituras pelo resto da vida.

Narrando a história de um amor que dura a vida inteira, Mil Beijos de Garoto tem romance, drama e todas as aventuras apaixonadas de um jovem casal em busca de seus sonhos. A escrita da autora torna as paisagens e os personagens vívidos fazendo com que nossa imaginação crie cenários belíssimos enquanto se encanta por Rune e Poppy. 

Antes de perder a avó, sua pessoa favorita no mundo, a jovem Poppy recebe um presente único – um pote com mil corações de papel em branco – para viver a grande aventura que é sua vida. Vovó que colecionou a vida toda beijos de seu marido, costumava anotar cada beijo especial que ele desse nela e, assim, quando o vovô de Poppy partiu, ela tinha mil deles para se lembrar de seu grande amor.

Seu melhor amigo, Rune, decide então ser a pessoa especial que vai dar à Poppy os mil beijos e o que começou com a amizade de duas crianças vizinhas, se torna o mais puro tipo de amor. O relacionamento dos dois dura anos, até que Rune é obrigado a acompanhar os pais numa viagem de trabalho – lá ele deve ficar por anos – e perder Poppy, a luz da sua vida, o destrói por completo. 

Quando ele retorna à sua antiga vida, já não é mais o mesmo. Os anos de raiva se transformaram em rebeldia e o rapaz ficou tão bonito quanto perigoso. Poppy mal reconhece o garotinho que amou por toda a infância, mas por baixo do badboy encrenqueiro, ainda existe o encantador Rune e ele ainda ama a sua melhor amiga mais do que tudo.

Sensível, apaixonante e completamente devastador, Mil Beijos de Garoto me deixou sem palavras. Nada que eu escreva se compara à forma como meu coração explodiu por ter a oportunidade de ler algo tão lindo. Existem momentos únicos na vida, daqueles que devemos registrar na memória e em pequenos corações de papel, esse livro é um deles. E meu coração quase explodiu.

"Não sei bem por quê, mas capturar momentos me fascinava. Talvez porque às vezes tudo o que temos são momentos. Porque não há repetições; o que em acontece em um momento define a vida - talvez seja a vida." (p. 43)

Sinopse: Um beijo dura um instante. Mas mil beijos podem durar uma vida inteira. Um garoto. Uma garota. Um vínculo que é definido num momento e se prolonga por uma década. Um vínculo que nem o tempo nem a distância podem romper. Um vínculo que vai durar para sempre. Ao menos era o que eles imaginavam. 

Quando, aos dezessete anos, Rune Kristiansen retorna da Noruega para o lugar onde passou a infância – a cidade americana de Blossom Grove, na Geórgia –, ele só tem uma coisa em mente: reencontrar Poppy Litchfield, a garota que era sua cara-metade e que tinha prometido esperar fielmente por seu retorno. E ele quer descobrir por que, nos dois anos em que esteve fora, ela o deletou de sua vida sem dar nenhuma explicação.

"- Você vai me dar todos os meus beijos? O suficiente para encher este pote inteiro? - perguntei.
Rune deu outro sorrisinho.
- Todos eles. Vamos encher o pote inteiro e mais.
Vamos juntar bem mais que mil." (p. 29)

dezembro 26, 2017

[Livros] Entre As Estrelas - Katie Khan

Título Original: Hold Back The Stars
Autor: Katie Khan
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 280
Gênero: Distopia, Ficção Científica
País: Reino Unido
ISBN: 9788528621815
Classificação: ★

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Ficção científica distópica, Entre As Estrelas me surpreendeu com um romance daqueles que vão ficar para sempre na memória. Repleto de metáforas e questionamentos filosóficos, o livro de Katie Khan conquistou meu coração e o destruiu por completo ao narrar a história de um casal que luta contra as regras de uma sociedade opressora onde o amor não tem lugar e precisa esperar. Esperar, quando tudo o que menos temos é tempo. 

Max e Carys são membros da AEVE, uma agência espacial que tenta há anos descobrir uma forma de atravessar o cinturão de asteroides ao redor da Terra. Em um planeta devastado pelas guerras e refém de um sistema de governo autoritário, o confinamento que os impede de explorar a galáxia torna o futuro ainda mais incerto. Os dois cosmonautas são, então, enviados em uma missão inédita, mas acabam sofrendo um grave acidente e são arremessados no vácuo do universo.

Com apenas noventa minutos de oxigênio e poucas chances de sobrevivência, os dois relembram a jornada que percorreram e o quanto amam um ao outro. O tempo que sempre lhes pareceu inesgotável é cruelmente essencial e cada segundo os aproxima mais do fim. 

É difícil escrever sobre esse livro porque as lágrimas atrapalham a digitação e as estrelas parecem bem mais brilhantes essa noite. O universo - a coisa que mais me fascina - é o cenário dessa distopia e em meio a flashbacks sobre a vida na Terra, conhecemos os dois jovens que se apaixonaram no momento errado e foram punidos por isso.

Entre As Estrelas é sobre amar alguém mais do que a quantidade de estrelas no céu e lutar até o fim para protegê-lo. É o paradoxo de ser nada além de poeira das estrelas ao mesmo tempo que se é o universo inteiro de alguém. Esse livro me levou ao céu e me deixou lá, no vácuo, olhando para a Terra e tentando entender como tudo é lindo visto de cima.

"- Vamos fazer uma brincadeira - disse ele um dia, no apartamento de Carys, junto ao mar. - Complete essa frase. Quando os asteroides destruírem a Terra em pedacinhos, quero estar...
Ela pensou no assunto.
- Bem acima deles, observando tudo lá de cima. E você?
- Na cama com você." (p. 118)

Sinopse: Um romance futurista surpreendente sobre o impacto do primeiro amor e como nossas escolhas podem mudar o destino de todos ao nosso redor. Perfeito para os fãs Um Dia e Gravidade. Num futuro não muito distante, após a aniquilação dos Estados Unidos e do Oriente Médio, a Europa nada mais é que uma utopia na qual, a cada três anos, a população se muda para uma nova comunidade multicultural. 

Em um desses paraísos, Max conhece Carys, e é amor à primeira vista. Ele logo percebe que Carys é a pessoa com quem deseja passar o resto da vida - uma decisão impossível nesse novo mundo.

Conforme o relacionamento dos dois se desenvolve, a conexão entre o tempo deles na Terra e o dilema atual no espaço vai sendo revelado. À deriva entre as estrelas, com apenas noventa minutos de oxigênio, eles concluem que só um deles tem a chance de sobreviver. Mas quem?

"- Então vamos conversar.
- Não há nada melhor do que passar os últimos minutos da sua vida - diz Max - conversando com a pessoa mais sensacional que você já conheceu." (p. 151)


dezembro 24, 2017

[Livros] Tipos Incomuns - Tom Hanks

Título Original: Uncommon Types
Autor: Tom Hanks
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Gênero: Contos, Histórias, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788580417807
Classificação: ★★★★
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Uma coletânea de histórias do diretor, produtor, redator e ator Tom Hanks, Tipos Incomuns é uma mistura de sensibilidade e humor. A narrativa traz um contraste de histórias incomuns vividas por personagens que são, pelo contrário, bem ordinários, parecidos com qualquer um de nós. Cada texto tem apenas um elo em comum com os outros - uma máquina de escrever. A paixão do autor pelo objeto transparece em sua escrita e a forma como envolve a datilografia em suas histórias faz com que também nos encantemos pela magia dos tipos.

A heterogeneidade de temas e abordagens torna as histórias de Tom Hanks surpreendentes. Algumas delas terminam sem uma conclusão enquanto outras trazem reviravoltas inteligentes. Cada temática escolhida é contemporânea e aborda problemas com os quais estamos ou deveríamos estar lidando. A falta de trabalho para imigrantes, os desafios da vida moderna, o desejo de parar o tempo, a frenética vida de fama, as lembranças que nos levam de volta aos bons tempos, a busca incansável pelo perfeccionismo que arruína vidas, entre outros. 

É impossível não ler esse livro e traçar paralelos entre grandes personagens interpretados por Tom Hanks e os criados por ele. Em tons de comédia, melancolia, crítica e até mesmo um apego nostálgico pelo passado, seus textos são consistentes, deliciosos de ler. Destaco entre os meus favoritos: "De Volta Ao Passado", "Quem É Quem?", "Uma Viagem À Cidade Luz" e "O Passado É Importante Para Nós". Minha predileção pela temática "tempo" fica bem explícita nessa seleção. 

Eu não me surpreendi por ter me tornado fã do Hanks escritor, afinal, seu trabalho de atuação é magnífico e só mesmo alguém que conseguiu viver tantas vidas numa só, poderia escrever com a propriedade de quem, de fato, as viveu. Seja em um computador ou em uma máquina de escrever, as histórias desse livro tomaram vida, de maneira sensível e singular. Cada tipo compõe um trecho de uma história incomum como, curiosamente, são as nossas.

"Se alguma vez encontrar Al Bean novamente, vou lhe perguntar como foi a vida desde que cruzou duas vezes a equigravisfera. Ele sofre de melancolia numa tarde tranquila, enquanto o mundo gira no modo automático? De vez em quando vou me sentir triste, porque nada é tão maravilhoso quanto cortar Dufay ao meio?" (p. 136)


Sinopse: Um affaire agitado e divertido entre dois grandes amigos. Um ator medíocre que se torna uma estrela e se vê em meio à frenética viagem de divulgação de um filme. O colunista de uma cidadezinha com um ponto de vista antiquado sobre o mundo. Uma mulher se adaptando à vida na nova vizinhança após o divórcio. Quatro amigos e sua viagem de ida e volta à Lua num foguete construído num fundo de quintal.

Essas são apenas algumas das pessoas e situações que Tom Hanks explora em sua primeira obra de ficção. Os contos têm algo em comum: em todos, uma máquina de escrever desempenha um papel — às vezes menor, às vezes central.

Conhecido por sua sensibilidade como ator, Hanks traz essa característica para sua escrita. Ora extravagante, ora comovente, ocasionalmente melancólico, Tipos incomuns deleitará e surpreenderá seus milhões de fãs.

"- Passarinha - disse Bob. - Comece com uma nova você antes de tudo." (p. 152)


dezembro 19, 2017

[Livros] Manual do Coração Partido - Mari Ramos

Título Original: Manual do Coração Partido
Autor: Mari Ramos
Editora: BestSeller 
Páginas: 136
Gênero: Autoajuda
País: Brasil
ISBN: 9788546500543
Classificação: ★★★★
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Um manual de sobrevivência fofo sobre um momento nada fofo difícil pelo qual todos nós já passamos ou vamos passar: o fim de um relacionamento. Terminar é sempre algo devastador, independentemente da forma como acontece, encerrar um ciclo é sempre doloroso e uma ajuda para enfrentar a tristeza não faz mal. Em tom de conselho de amiga, Manual do Coração Partido narra situações em que tudo o que queremos fazer é chorar com um pote de sorvete no colo e nos ensina a enfrentá-las de cabeça erguida.

Uma diagramação linda e bastante atrativa em conjunto com o tom descontraído da autora torna o tema, que é tão pesado e negativo, algo leve e, por vezes, até cômico. O humor que desaparece completamente de nossas vidas após um término se faz presente nas lições de superação inusitadas propostas pelo livro e é possível chorar e sorrir num mesmo parágrafo. Acredite, aconteceu comigo!

O clichê da autoajuda, obviamente, se faz presente mas, não incomoda. Pelo contrário, as frases e músicas motivacionais só reforçam uma mensagem que precisa mesmo ser transmitida - pode parecer que vai, mas você não vai morrer. Dividido em cinco fases, bem como o processo de luto, Manual do Coração Partido nos ajuda a lembrar que outras pessoas passaram por isso e conseguiram seguir em frente, mesmo que nós não consigamos ver uma saída do fundo poço. 

Mari Ramos nos ensina a respeitar cada uma das fases pelas quais precisamos passar. Chorar, sofrer e se sentir mal é necessário, só assim poderemos amadurecer e aprender em nossos próximos relacionamentos. Se nada é para sempre - nem mesmo aquele amor que você jurou que nunca acabaria - imagina a tristeza. Ela vai passar e, se não passar, não hesite em buscar ajuda profissional, afinal, não vale a pena sofrer por um amor ruim. Como dizem os filósofos contemporâneos: "Se você amou tanto a pessoa errada, imagine o quanto pode amar a certa."

"Você quer mesmo aceitar qualquer reação da parte dele? Vale qualquer coisa para chamar a atenção?" (p. 61)

Sinopse: Uma das únicas certezas que temos sobre a vida, além do nascimento e da morte, é que, uma hora ou outra, todos sofreremos por amor. Ninguém está imune. Podemos até não ter muita escolha sobre como vamos nos sentir quando esse momento chegar, no entanto, podemos escolher como vamos reagir. 

Em Manual do coração partido, a autora Mari Ramos nos mostra que é possível dar a volta por cima, baseada em situações vividas por ela e por amigas, e compartilha conosco, de forma bem-humorada e descontraída, dicas de como encarar a fase do luto pós-desilusão amorosa. A autora usa como referência as cinco fases do luto em divertidas situações com as quais todos que já tiveram o coração partido vão se identificar.Nas palavras da própria autora, esse livro é “dedicado a todos aqueles que já sofreram por amor e acharam que o mundo fosse acabar… Mas não acabou”.

"Mas, não importa aonde você vá, há essa ausência que, paradoxalmente, te acompanha sempre. Sensação social estranha essa, de estar, mas não estar, de sorrir, mas nunca rir, de falar e não se escutar. Uma vontade incontrolável de desistir de tudo." (p. 66)

dezembro 11, 2017

[Livros] Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente

Título Original: Textos Cruéis Para Serem Lidos Rapidamente
Autor: TCD
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Gênero: Coletânea, Textos
País: Brasil
ISBN: 9788525065360
Classificação: ★★★★
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Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente é um chute no estômago. Esse livro fala sobre morrer de amor ou da falta dele e, ainda assim, ter que continuar vivendo. Com uma exposição de sentimentos e histórias tão intensos quanto o título sugere, a coletânea tritura e esmigalha corações que  já estavam partidos. Cada fragmento narra a dor, o desespero e a tristeza que permeiam as relações humanas, e essa percepção da realidade é, de fato, excruciante.

Com uma diagramação linda e ilustrações de Anália Moraes, Textos Cruéis Demais... é uma obra-prima que une diferentes linguagens para falar de sentimentos complexos. Todos os textos iniciam-se sem maiúsculas, como se não se importassem com regras ou como se não coubessem limitações para o sentir, isso faz com que cada fragmento pareça incompleto dentro de sua completa significância.

Dividido em quatro "temas centrais", o livro segue como que em fluxo de pensamento, mais que isso, sentimento, e nos leva a uma jornada de reflexão. Pelo menos uma das situações que inspirou os textos já aconteceu com seus autores, bem como conosco e essa identificação torna a dor ainda mais palpável. 

Muitos livros mexeram comigo de diferentes maneiras, mas esses textos chegaram a mim no momento em que eu mais precisava deles. Cada pedrada no coração ajudou a abrir feridas que não estavam cicatrizadas para que eu pudesse finalmente limpá-las e seguir em frente. A crueldade não está nas palavras impressas deste livro, mas sim nas lágrimas salgadas que teimam rolar pelo nosso rosto quando um texto nos compreende.

"a dor surgia de assimilar que você era igual aos outros caras que encontrei por aí. de que você poderia ser diferente de todos ele mas que, mesmo assim, preferiu ser igual." (p. 27)

Sinopse: Indo contra a tendência dos textos curtos e superficiais que são postados nas redes sociais, o coletivo literário Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente (TCD) passou a produzir e compartilhar um conteúdo extenso, profundo e extremamente poético em suas páginas no Facebook e no Instagram. 

Com seus escritos e ilustrações, eles acabaram atingindo um público muito maior do que o esperado, nos mostrando como, apesar da crescente agilidade que nossa comunicação exige, ainda precisamos de tempo para digerir e entender nossas complexas relações humanas. Para este livro, foram produzidos textos inéditos que ganharam a companhia das sensíveis ilustrações de Anália Moraes.

"a metáfora é que quanto mais luz, mais dor, você era um raio solar em pleno meio-dia em horário de verão." (p.204)


novembro 15, 2017

[Livros] Mister O. - Lauren Blakely

Título Original: Mister O.
Autor: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 272
Gênero: Romance Erótico, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788595810020
Classificação: ★★★★
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Mister O. é o segundo livro de Lauren Blakely que tenho o prazer de ler e traz um divertido e sensual romance vivido pela irmã do protagonista de Big Rock. Intenso e mais explícito que o anterior, esse é o tipo de leitura que nos vicia e faz com que torçamos para que a mocinha se apaixone pelo personagem principal como nós nos apaixonamos. 

Seguindo uma linha mais cômica e com tiradas inteligentes, Lauren Blakely constrói uma narrativa dentro da narrativa e compara seu protagonista à criação artística que dá nome ao livro. Nick Hammer, trocadilhos à parte, é um famoso ilustrador e deu origem a um desenho animado - para adultos - de sucesso.

Nos quadrinhos e na série televisiva inspirada no Mister Orgasmo, Nick criou um super-herói que salva mocinhas insatisfeitas. Ele ajuda o mundo fazendo com que elas se satisfaçam. A proposta já é engraçada, chegando a ser ridícula e essa é a real intenção da autora, mostrar que falar sobre sexo pode ser divertido e não deve ser um tabu. 

Como seu alter-ego, Nick é um expert em conquistar mulheres e coloca parte de suas experiências pessoais em suas histórias. O resultado disso é a fama de pegador que o acompanha por toda parte. Todas as mulheres caem a seus pés e ele deixa claro que tem o objetivo de satisfazê-las ao extremo. Afinal, que pra quê outro superpoder, né?

O único problema é que Nick tem uma quedinha pela irmã do seu melhor amigo, a única garota expressamente proibida para ele. O típico clichê de se apaixonar pela única pessoa no universo que você não pode ter. Quem nunca? 

Harper Holiday é tão carismática quanto seu irmão e nos conquista com uma mistura de ingenuidade e safadeza. Ela é, no entanto, um desastre no quesito amoroso e resolve pedir ajuda para alguém que entende do assunto. Ela nem imagina que essas "aulas" de sedução serão uma espécie de tortura e prazer para os dois, quanto mais tempo juntos eles passam, mais difícil fica tentar manter a distância.

Fofo, engraçado e cheio de piadas de duplo sentido, Mister O. é um tom diferente do seu antecessor e, confesso, a leveza do anterior me conquistou mais. De qualquer forma, é impossível não se encantar por esse casal improvável e torcer para que eles consigam salvar um ao outro.

"Talvez eu esteja dando a isso um significado maior do que de fato tem, mas é como se a Harper estivesse retribuindo, sabe? Como se ela quisesse exatamente a mesma coisa: o próximo capítulo daquele beijo que começou fora da sua casa. Assim, eu respondo:
- Que tipo de beijos?
- Beijos que me fazem derreter.
- São o melhor tipo." (p.101)

Sinopse: Nick Hammer tem a vida que todo cara sempre sonhou: dinheiro e mulheres lindas aos seus pés, que não esperam nada em troca além do melhor sexo de suas vidas. E tudo isso graças ao seu personagem, Mister Orgasmo, que saiu das páginas dos gibis para ganhar um programa na televisão. Agora Nick se tornou o mentor sexual de homens ao redor do mundo e o objeto de desejo de todas as mulheres. Para para Nick, e seu alter ego Mister O, a receita é simples: dar prazer, sempre! 

Mas tudo isso pode estar em risco quando um pedido acontece. Harper, A irmã de seu melhor amigo, Spencer Holiday, também quer aprender as valiosas lições de Nick e Mister O. Harper é divertida, inteligente, linda e irresistivelmente sexy. E lutar contra o desejo de ter ela em sua cama será o pior pesadelo de Nick. Mister O vai conseguir “salvar” essa mocinha e ainda não ferrar a relação com o seu melhor amigo? Um romance divertido, leve, sexy e que vai arrancar suspiros dos leitores. Afinal, não dizem que o amor e a amizade andam lado a lado? Talvez eles até possam dormir na mesma cama.

"Eu quero que a Harper seja feliz em todos os sentidos: na cama e fora dela. Não pretendo proporcionar a essa mulher apenas dez mil orgasmos. Quero vê-la sorrir mais vezes do que puder contar." (p. 227)



novembro 10, 2017

[Livros] A Invasão de Tearling - Erika Johansen (A Rainha de Tearling #2)

Título Original: The Invasion Of The Tearling #2
Autor: Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Páginas: 400
Gênero: Fantasia, Distopia,
País: EUA
ISBN: 9788556510471
Classificação: ★

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A Invasão de Tearling, segundo volume da série A Rainha de Tearling, é ainda melhor que seu antecessor e traz as consequências catastróficas dos acontecimentos do primeiro livro. O livro de Erika Johansen se destaca de outras fantasias justamente por ser uma mistura de gêneros e abordar com maestria as mais importantes críticas sociais contemporâneas. Em um ritmo intenso e, ainda assim excessivamente descritivo, a narrativa acompanha o desenvolvimento da protagonista e seu crescimento na trama.

A construção da forte protagonista feminina, que foi o foco do primeiro volume, atinge seu ápice quando Kelsea passa a se perceber como mulher, rainha e entender seu poder - em todos os sentidos. Com uma mensagem feminista sólida, a autora expõe diferentes facetas da discriminação contra a mulher, abordando o problema em diferentes momentos da História do Tearling e trazendo os pontos de vista únicos de suas personagens.

Críticas sociais e políticas permeiam toda a narrativa e a tentativa de um sistema igualitário se mostra falha quando percebemos que o poder pode cegar até mesmo um bom líder, derrubando qualquer sistema de governo. A autora expõe os anseios de uma sociedade desesperada por um futuro melhor e que acaba, como na vida real, repetindo os mesmos erros do passado enquanto tenta evitá-lo.

Em uma série que envolve magia, fantasia, política, distopia e certa dose de terror, Erika Johansen evidencia problemas reais em uma história surpreendente, perturbadora e extremamente crítica. A relação entre o passado e o futuro é genial, estando um diretamente conectado ao outro e às consequências das escolhas de pessoas que ousaram tentar mudar as coisas. 

Épicos embates metafóricos estão presentes em A Invasão de Tearling, há o bem contra o mal, a tecnologia versus a ignorância, o conservadorismo contra o liberalismo, a fé em oposição ao ceticismo, o conformismo em contraposto à rebeldia, entre outros. Cada uma dessas falsas dicotomias é explorada sabiamente pela trama e compõe a personalidade de personagens fortes que têm motivações consistentes.

O tom medieval que o universo distópico de Tearling apresenta é bastante diferente do que as distopias costumam apresentar e, por isso, sua trama é algo completamente novo, de certa forma, assustador e belo. A perspectiva de que o futuro culmine numa repetição do passado é aterrorizante e, infelizmente, cada vez mais real fora da ficção. A diferença é que não temos magia para tentar evitá-la.

"A Travessia foi mais de três séculos antes, mas aquele mundo de repente parecia muito próximo, separado por um fino véu de tempo.
Deus grandioso, pensou Kelsea com desolação, não mudamos nada?" (p. 83)

Sinopse: Kelsea Glynn é a rainha de Tearling. Apesar de ter apenas dezenove anos e nenhuma experiência no trono, Kelsea ficou rapidamente conhecida como uma monarca justa e corajosa. No entanto, o poder é uma faca de dois gumes. Ao interromper o comércio de escravos com o reino vizinho e tentar conseguir justiça para seu povo, ela enfurece a Rainha Vermelha, uma feiticeira poderosa com um exército imbatível. 

Agora, à beira de ver o Tearling invadido pelas tropas inimigas, Kelsea precisa recorrer ao passado, aos tempos de antes da Travessia, para encontrar respostas que podem dar ao seu povo uma chance de sobrevivência. Mas seu tempo está acabando... Nesta continuação de A rainha de Tearling, a incrível heroína construída por Erika Johansen volta para outra aventura cheia de magia e reviravoltas.

"Ela tentou sentir pena dele, mas só conseguiu um pouco. Pen ficava ao lado da rainha todos os dias, sua espada protegendo-a do mundo inteiro. Com certeza aquilo era recompensa suficiente.
O amor era real, pensou Aisa, mas secundário. Sem dúvida o amor não é tão real quanto minha espada." (p. 164)


outubro 28, 2017

[Blogagem Coletiva] Leia.Seja.


A Leia.Seja é uma campanha é protagonizada por um time de personalidades do esporte, das artes cênicas, da música e da comunicação, convidadas a incorporar personagens icônicos da literatura brasileira e mundial. O técnico de vôlei Bernardinho se vestiu de Capitão Rodrigo, de “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo; o publicitário Washington Olivetto e a cantora Baby do Brasil fizeram Visconde de Sabugosa e Emília, de “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato; a apresentadora Bela Gil virou a Capitu de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; o ator Cauã Reymond se fantasiou do protagonista de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes; e o jornalista Pedro Bial aparece como o detetive de “As aventuras de Sherlock Holmes”, de Arthur Conan Doyle.

O conceito da ação parte da ideia de que, quando lemos, nos tornamos parte da história – ler estimula a imaginação, a criatividade e a inspiração; faz rir e chorar, refletir e viajar. Nas peças, as personalidades dão vida aos personagens, lendo trechos dos títulos escolhidos. Assim que fecham os livros, voltam a ser eles mesmos, com o semblante transformado pelo prazer e a reflexão que uma boa leitura oferece.

O grupo foi fotografado e filmado por Miro, um dos mais consagrados fotógrafos brasileiros, em cenários que remetem às obras. As imagens publicitárias serão utilizadas em anúncios impressos, mídia digital e urbana.

“O Brasil precisa com urgência de uma revolução de cidadania e ética, e acreditamos que a leitura tem um papel fundamental a desempenhar nessas áreas. A campanha ‘LEIA.SEJA.’ quer mostrar exemplos de pessoas reconhecidas pelo público em geral, que tiveram suas trajetórias marcadas pelos livros de diferentes maneiras”, afirma Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL. “Nosso desejo é que essa ação reverbere pelos meses seguintes, estimulando o hábito da leitura ao redor do país e propondo uma conscientização sobre o seu valor”, completa.


Pereira comemora os passos da ação até o momento. “Começamos a campanha Leia.Seja. com o pé direito na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, com excelente repercussão e envolvimento do púbico. Nessa primeira fase da campanha, conseguimos alcançar mais de 1,1 milhão pessoas nas redes sociais. A partir de outubro, peças começarão a ser veiculadas e estarão decorando as livrarias de várias partes do Brasil, e contamos com o engajamento de todos nas celebrações do Dia Nacional do Livro”, diz.

“Leia.Seja.” nas redes sociais

Em pouco mais de um mês de presença nas redes sociais, a Leia.Seja alcançou uma média de mais de 37 mil pessoas por dia no Facebook e, no Instagram, a hashtag #leiaseja foi registrada em mais de 1.400 publicações públicas.

Com mais de 13 mil curtidas, a fanpage da campanha no Facebook reúne depoimentos de personalidades e leitores sobre obras que os inspiram, além de charadas, dicas e curiosidades sobre o universo literário.

Divida sua paixão pelos livros através de seu personagem favorito. Use as hashtags #LeiaSeja e #DiaNacionalDoLivro, marque os perfis nas redes sociais (@leiaseja) e divirta-se! Vamos juntos celebrar o valor do livro na sociedade.

outubro 23, 2017

[Livros] Amor Sem Medidas - Sophie Jackson (Desejo Proibido #3)

Título Original: A Measure Of Love
Autor: Sophie Jackson
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Romance, NA
País: EUA
ISBN: 9788580417500
Classificação:
★★★☆☆
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Amor Sem Medidas é o terceiro volume da série Desejo Proibido e, assim como seus antecessores, traz a história de um homem em busca de redenção. Seguindo a fórmula clichê dos new adults dessa série, Sophie Jackson escreve mais um romance sensual e envolvente e nos faz suspirar por outro galã apaixonante.

A trilogia tem como tema principal a superação do passado. Desde o primeiro volume, conhecemos protagonistas que cometeram erros e buscam consertá-los para reencontrarem a si mesmos. A forma como a autora expõe os fatos sem sugerir um julgamento sobre as ações dos seus personagens é bastante sutil. Seus defeitos os tornam humanos e tiram o estigma da perfeição que os mocinhos dos romances geralmente carregam.

Envolvendo um crime, o passado de Riley Moore é sombrio e fez com que ele perdesse tudo o que tinha de mais valor - sua família, amigos e o amor da sua vida. A detenção fez com que ele se tornasse uma pessoa diferente mas, mesmo assim, as pessoas que confiavam nele não acreditam que ele possa realmente ter mudado.

Quando, por acaso, encontra a ex-namorada - Lexie - em sua cidade natal, Riley percebe o quanto a moça ainda mexe com ele, afinal, ela foi seu primeiro e único amor. Ela, no entanto, está diferente, mais madura, mais responsável e tem problemas maiores do que ele em sua vida, mas ainda o ama. Os segredos que os afastaram ressurgem e será preciso muito amor para superar todos os anos e decisões que os separaram.

Com um ritmo bem mais lento que Desejo Proibido e Paixão Libertadora, Amor Sem Medidas é romântico, fofo e tem seus momentos sensuais, mas não supera seus antecessores. Riley e Lexie funcionam juntos, mas tem uma química menor que os outros casais de protagonistas. A narrativa é bastante previsível e o rumo da história pode ser ditado já nos primeiros capítulos. Apesar disso, o livro conseguiu colocar um sorriso no meu rosto e aquecer meu coração. Não há medidas para o amor, nem para o quanto eu amo os protagonistas de Sophie Jackson.

"- Eu só queria dar alguma coisa para mostrar o que você significa para mim.
Riley contraiu os lábios e voltou a olhar o desenho.
- Um planeta?
Lexie fez que não com a cabeça.
- Não, seu bobo. - Lexie ficou mais séria. - O mundo. O mundo inteirinho." (p.44)

Sinopse: Tudo ia bem na vida de Riley Moore, um ex-presidiário que trabalha duro para se manter de forma honesta em Nova York. Um telefonema da mãe, no entanto, acaba tirando o rapaz dos eixos: o pai está internado em estado crítico, depois de sofrer o segundo ataque cardíaco em menos de dois anos.

Para estar ao lado da mãe nesse momento tão difícil e tentar resolver seus conflitos com o pai antes que seja tarde demais, Riley deixa tudo para trás e retorna a Michigan, sua terra natal, pela primeira vez em cinco anos.

Mas lá não estão apenas os pais de Riley e as memórias de sua família: Lexie Pierce ainda vive na cidade. Grande amor da vida de Riley, ela também foi a responsável por deixar seu coração em pedaços.

Como se a alma de um atraísse a do outro, o encontro entre os dois é inevitável. As lembranças de um amor poderoso fazem Riley querer Lexie de volta aos seus braços. Entretanto, a garota esconde um grande segredo, capaz de colocar à prova a confiança e os sentimentos do rapaz. Será que eles conseguirão superar a dor e o sofrimento de sua história para enfim viverem felizes para sempre?

"Tinha sido muito fácil se apaixonar por Riley, anos antes. Tudo tão simples, sem qualquer esforço. Foi quase como entrar debaixo de lençóis limpos, usando um pijama recém-tirado da gaveta: uma sensação de acolhimento, de calma, de segurança." (p. 173)


outubro 19, 2017

[Livros] Uma Bolota Molenga e Feliz - Sarah Andersen

Título Original: Big Mushy Happy Lump
Autor: Sarah Andersen
Editora: Seguinte
Páginas: 136
Gênero: Tirinhas, Humor
País: USA
ISBN: 9788555340451
Classificação: ★★★
_______________

Segunda compilação de tirinhas da página Sarah's Scribbles, Uma Bolota Molenga e Feliz reúne fofas - e verdadeiras - pequenas histórias da genial Sarah Andersen. Com um tom sarcástico e bem humorado, o livro critica alguns padrões estabelecidos e aborda questões psicológicas que afetam, em especial, os jovens adultos no século XXI.

As ilustrações de Sarah Andersen retratam o cotidiano e seus traços fofinhos em meio às suas ácidas tiradas são sua marca registrada. A diagramação continua impecável e a edição em capa dura é tão linda quanto a primeira, aliás, que bela coleção estamos formando. Em cores opostas, os dois volumes ficam incrivelmente bonitos juntos.

A única diferença de seu antecessor é que em Uma Bolota..., a autora contextualiza algumas de suas tirinhas e cria pequenas histórias em quadrinhos para expor uma situação. Os temas recorrentes e que afetam a nossa geração como fobia social, ansiedade, depressão, isolamento, carência, entre outras, estão representados e integrados ao cotidiano, infelizmente, vistos como algo comum. O que a sociedade insiste em fazer - transformar transtornos psicológicos e emocionais em sentimentos normais.

Inteligente e sagaz, Sarah criou uma personagem com a qual é fácil se identificar. Em pequenas cenas, a ilustradora consegue representar nossos medos e inseguranças, bem como nossas manias e vícios. Tão divertido quanto o primeiro volume, Uma Bolota Molenga e Feliz é uma leitura rápida e leve cheia de passagens memoráveis que vão se encaixar na sua vida como um bom blusão de namorado no inverno. 


Sinopse: As incríveis tirinhas de Sarah Andersen são para nós, que não economizamos dinheiro na livraria, vivemos à base de café, deixamos tudo para a última hora, somos especialistas em roubar o blusão alheio, não sabemos nos comportar em situações sociais e insistimos em Pensar Demais. Esta segunda coletânea continua exatamente onde a primeira parou: debaixo de uma pilha de cobertas, evitando as responsabilidades do mundo real. Este volume traz tiras que acompanham os altos e baixos da montanha-russa implacável que é o começo da vida adulta, além de ensaios ilustrados sobre experiências pessoais da autora ligadas a ansiedade, carreira, relacionamentos e amor por gatinhos. Tudo isso com o mesmo tom sincero, leve e divertido que já conquistou mais de 2 milhões de fãs no Facebook.


outubro 13, 2017

[Livros] Janelas da Mente - Ana Beatriz Barbosa Silva & Eduardo Mello Guimarães

Título Original: Janelas da Mente
Autor: Ana Beatriz Barbosa Silva e Eduardo Mello Guimarães
Editora: Globo Livros
Páginas: 192
Gênero: Contos, Psicologia
País: Brasil
ISBN: 9788525062994
Classificação★★★☆☆
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Janelas da Mente é um livro de contos inspirados em transtornos mentais. Escrito por profissionais da área, Ana Beatriz Barbosa Silva e Eduardo Mello Guimarães, o livro conta histórias que se repetem na vida real e mostra as peculiaridades de cada caso. 

Os temas abordados vão de doenças ligadas à fobias, paranoia, obsessão, compulsão até psicopatia. Sem julgamentos, o livro descreve esses transtornos e os mostra como parte integrante da vida dos personagens. Na maioria dos casos, ninguém sabe que o indivíduo sofre com algum transtorno, nem mesmo ele. 

O impacto desse desequilíbrio vai além da própria pessoa, familiares, amigos, namorados, todos são afetados direta ou indiretamente por isso. Dos casos mais leves aos mais graves, os transtornos mentais afetam a qualidade de vida de quem passa por isso todos os dias, tornando infindável a batalha invisível que acontece em nossa cabeça.

Sofro com transtornos mentais - transtorno de ansiedade e emetofobia - há muitos anos e faço o possível para conviver com isso, alguns dias são mais difíceis que outros e é preciso muito apoio para não desanimar. A sensação de impotência, de não controlar o que acontece com seu corpo e sua mente é frustrante, mas saber que você enfrenta isso constantemente e segue vencedor, é a recompensa. 

Com Janelas da Mentes volta a tona a discussão sobre o que o século XXI fez com nossos cérebros. Os transtornos são cada vez mais comuns e a falta de informação sobre eles torna a vida que quem sofre muito pior. Existem muitos tratamentos, muita ajuda disponível e é importante que você saiba que não está sozinho. Por mais que você não consiga, de fato, ver uma saída, sempre há uma janela.

Sinopse: Em seu segundo mergulho na ficção, a psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva brinda o leitor com doze contos a respeito dos comportamentos humanos disfuncionais. Este novo livro é fruto de uma parceria com o também escritor e publicitário Eduardo Mello Guimarães. Baseadas em casos que Ana Beatriz dissecou ao longo de sua carreira, as histórias tratam de temas polêmicos sem meias-verdades e tabus como compulsão, ninfomania e depressão, porém sem perder a leveza e o bom humor, em um texto ágil e dinâmico.

Em meio ao caos do universo urbano e através de uma narrativa inquietante, os autores constroem histórias repletas de drama, humor e emoção que irão fazer com que o leitor se pergunte: onde está o muro que separa a ficção da realidade?


outubro 09, 2017

[Livros] Mr. Romance - Leisa Rayven (Masters Of Love #1)

Título Original: Mr. Romance #1
Autor: Leisa Rayven
Editora: Globo Alt
Páginas: 358
Gênero: Romance, Ficção
País: Australia
ISBN: 9788525064684
Classificação★★★★☆
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Um livro que reúne todos os clichês românticos sedutores num personagem misterioso, Mr. Romance é mais do que uma boa leitura, um romance intrigante. O enredo criado por Leisa Rayven, bem como na trilogia Meu Romeu, envolve um personagem que está interpretando outros personagens. Suas múltiplas personalidades escondem o verdadeiro protagonista e fazem com que o leitor não saiba ao certo por quem se apaixonou.

A narrativa de Leisa é tão envolvente quanto os mocinhos que ela cria e nos conquista já no primeiro capítulo. Mr. Romance dialoga com seus leitores ao trabalhar clichês batidos em new adults contemporâneos e nos forçar a pensar sobre nossas expectativas românticas surreais. 

Eden Tate não acredita no amor e vive se envolvendo com babacas. A jornalista não vê motivo para desejar mais do que um relacionamento de uma noite, afinal, ela está focada em sua carreira que é mais fracassada ainda do que sua vida amorosa. Redatora de matérias duvidosas, Eden busca sua redenção com um grande furo de reportagem que a tire da lama de uma vez por todas. 

Um rumor sobre um tal de Mr. Romance começa a circular e a jornalista se interessa pela história de um galã que seduz a alta sociedade em troca de dinheiro. Determinada a desmascarar o rapaz e expor seu serviço de luxo, Eden começa uma caçada sem imaginar que talvez ela também precise de um pouco de romance em sua vida.

Max Riley não oferece fantasias sexuais às suas clientes, pelo contrário, ele oferece fantasias românticas, entregando tudo o que elas desejam em um homem - menos sexo. É uma forma de suprir as necessidades emocionais dessas mulheres mostrando a elas como um pouco de ficção poderia fazê-las felizes. Sob personalidades distintas, Max faz com que elas se sintam amadas e desejadas expondo-as à situações completamente diferentes das que elas estão acostumadas a viver, mas muito próximas dos clichês românticos que encontramos nos livros.

Enquanto escreve a matéria, Eden vai conhecendo um pouco do misterioso Mr. Romance e cada uma de suas facetas, parece ser mais encantadora que a anterior. Uma característica das narrativas de Leisa Rayven é o fato de o protagonista ser um ator. É muito interessante que não saibamos quem de fato é Max Riley, afinal, conhecemos apenas seus personagens. 

De uma forma inteligente, sensível e sedutora, Mr. Romance vai conquistar corações - tanto o protagonista quanto o livro. Todos precisamos de um pouco de romance em nossas vidas, clichê ou não, se apaixonar é como estar em um bom livro: a gente ama o mocinho e torce por um final feliz. 

"Todos nós temos questões que estamos tentando superar, senhorita Tate. Todo mundo quer se sentir especial, a gente admitindo ou não. E amar sem limites, nos permitindo ser amados de volta, é o que dá sentido à vida. Ou, pelo menos, é o que deveria dar. Todo o resto só atrapalha." (p. 106)

Sinopse: Max Riley pode fazer com que as fantasias mais incríveis ganhem vida: sob o alter-ego de Mr. Romance, ele pode ser um bilionário dominador, um bad boy inocente, um geek sexy ou qualquer outro homem que satisfaça os desejos das mulheres solitárias da alta sociedade de Nova York. 

No entanto, nada disso envolve sexo: são apenas encontros inesquecíveis. Intrigada com a lenda urbana de Mr. Romance, a jornalista Eden Tate está determinada a publicar uma matéria revelando sua identidade e suas artimanhas. 

Desesperado para proteger seu anonimato, Max desafia Eden a ter com ele três encontros: se ela não se apaixonar por ele, poderá publicar a matéria. Caso contrário, deverá esquecer a história. Eden não tem dúvidas de que conseguirá resistir a todos os falsos personagens de Mr. Romance, mas será que é seguro entrar no jogo do maior mentiroso de todos?

"Todas nós já nos machucamos. Todas nós temos cicatrizes em alguns lugares. Mas o romance nos permite esquecer disso por um momento e acreditar que contos de fadas podem ser reais. Nós vivemos em um mundo de homens falhos. Não há vergonha nenhuma em se permitir acreditar em um perfeito por um tempinho" (p.222)

setembro 24, 2017

[Livros] Meus Dias Com Você - Clare Swatman

Título Original: Before You Go
Autor: Clare Swatman
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Gênero: Romance, Ficção
País: Inglaterra
ISBN: 9788580417401
Classificação★★★★☆
_______________

Romance de estreia de Clare Swatman, Meus Dias Com Você narra uma emocionante história de arrependimento, perda e amor. Apesar do clichê romântico já visto em diversos filmes do gênero, a narrativa comove e nos faz pensar sobre as consequências de cada pequena ação. O casal de protagonistas é tão cheio de falhas que chega a ser palpável e, apesar de ser ficção, não é difícil se colocar no lugar deles.

A temática - voltar no tempo para consertar as coisas - é uma velha conhecida dos fãs de ficção científica que tem sido misturada aos romances contemporâneos. Quando incorporada à reflexão e ao arrependimento da protagonista, a chance de mudar o passado e, assim, tentar afetar o presente se torna seu objetivo. Ainda que exista paradoxo de que nada pode realmente ser mudado, o leitor torce para que tudo dê certo.

Começando pelo final e de forma impactante, a trama se desenvolve a partir da morte de Ed. Sua esposa, Zoe, se vê desolada e arrependida por ter brigado com ele na manhã do acidente. Eles nem sequer se despediram e a última vez que se viram sentiam raiva um do outro. O sentimento que o primeiro capítulo gera é de tristeza e angústia porque tantas vezes ficamos furiosos com alguém sem pensar que aquele pode ser nosso último encontro. As coisas pelas quais brigamos têm mesmo tanta importância?

No entanto, algum tempo após a morte do marido, Zoe acorda em um tempo diferente, num lugar conhecido onde Edward Williams ainda não morreu. Ela está na faculdade, no dia em que viria a conhecer o amor da sua vida e tem a chance de tentar mudar as coisas, quem sabe tentar salvá-lo.

Zoe recebe o privilégio de reviver os dias mais importantes da sua vida, mas por mais que tente mudar as coisas, as consequências são sempre as mesmas. Ela, então, decide aproveitar essa segunda chance para amar o marido de novo, mais do que amou pela primeira vez. É absolutamente devastador o desespero da protagonista ao fechar os olhos, sem saber se aquela será a última vez em que verá Ed. É um choque ainda maior pensar que deveríamos nos sentir assim todos os dias.

Apesar de previsível e clichê, Meus Dias Com Você traz uma mensagem tão linda que pouco importa se já a vimos diversas vezes. Às vezes, somos obrigados a viver uma experiência mais de uma vez para finalmente aprender algo com ela. Ainda não podemos alterar o nosso passado ou reviver nossos momentos favoritos, mas podemos aproveitar cada segundo como se fosse o último quando tomamos a consciência de que um dia será mesmo. 

"Quero dizer a ele que nunca é o momento certo, que a vida é muito curta para jogar as coisas fora, para perder tempo, para ficarmos separados. Mas não posso, e sei que um cara de 19 anos não tem como compreender isso." (p. 43)

Sinopse: Quando o marido de Zoe morre, o mundo dela desaba. Mas e se fosse possível tê-lo de volta? Numa fatídica manhã, Ed e Zoe têm uma discussão terrível, algo recorrente no seu casamento em crise, e ela acaba se despedindo de forma brusca quando ele sai para o trabalho.

Pouco tempo depois, um ônibus acerta a bicicleta de Ed, matando-o e deixando Zoe arrasada por não ter lhe dito quanto o amava. Se tivessem ficado mais um pouco juntos aquela manhã, ele ainda estaria vivo? Será que poderiam ter reconstruído o amor que os unira?

Após dois meses, Zoe ainda não conseguiu se conformar. De luto, decide cuidar do jardim do marido, quando acaba caindo e desmaiando. Então, algo estranho acontece: ao acordar, ela está em 1993, no dia em que conheceu Ed na faculdade.

A partir desse instante, Zoe passa a reviver momentos cruciais de sua vida e percebe que talvez tenha conseguido uma segunda chance: uma oportunidade de fazer tudo diferente, de focar naquilo que realmente importa, de mudar os rumos do relacionamento – e, quem sabe, o destino de seu grande amor.

"Ele está tão bonito e tão jovem, usando calça jeans rasgada no joelho e os cabelos caindo nos olhos, e meu coração se aperta um pouco mais, quase explodindo de amor. Meu Ed. 
E então aqui está ele, na minha frente, e seu rosto se abre em um sorriso largo quando me vê, e é como se o sol tivesse nascido." (p. 60)


setembro 22, 2017

[Livros] Contos de A Fúria e a Aurora - Renée Ahdieh

Título Original: The Crown and The Maze
Autor: Renée Ahdieh
Editora: Globo Alt
Páginas: 104
Gênero: Romance, Ficção, Contos
País: EUA
ISBN: 9788525064394
Classificação★★★★☆
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Um livro de contos tão curtinho quanto bonitinho, essa coletânea nos transporta mais uma vez para as areias do deserto e nos faz matar a saudade dos protagonistas inesquecíveis de A Fúria e a Aurora. Histórias já conhecidas são narradas sob outro ponto de vista e, por isso, temos uma visão mais ampla dos acontecimentos dos livros anteriores. 

Renée Ahdieh recontou a história de Sherazade e fez com que nos apaixonássemos por suas mil e uma histórias. Seus  personagens são cativantes e é impossível não criar empatia por cada um deles: Despina, Jalal, Khalid e a protagonista absoluta, Shazi. Senti falta de um pouco mais de Tariq, o terceiro elo do triângulo amoroso, mas talvez a autora tenha outros planos para ele. 

Como um tapete mágico, as páginas escritas por Ahdieh nos levam diretamente para um mundo incrível que mistura fantasia, ficção e magia. Khalid, o amante amaldiçoado, se mostra ainda mais apaixonante e conquista um pouco mais meu coração. Eu queria muitas histórias mais, mas tudo bem... vou fechar os olhos e sonhar com o rei de Khorasan enquanto espero pela próxima aurora.

"Fazia sentido acreditar que essa garota - essa Sherazade al-Khayzuran - não devia estar em sã consciência. Pela experiência de Khalid, apenas duas coisas levavam as pessoas a tomar medidas tão drásticas. 
Amor. E ódio. 
Qual seria o caso?" (p. 14)

Sinopse: O que passava pela cabeça de Khalid antes dele conhecer Sherazade e qual foi a sua primeira impressão ao vê-la? O que ele sentiu, tempos depois, já completamente apaixonado por ela, ao ser forçado a se afastar e ver seu palácio destruído? E como Despina se envolveu e se apaixonou pelo capitão da guarda real Jalal al-Khoury? Nesses três contos, Renée Ahdieh retorna ao mundo de As mil e uma noites para dar voz a Khalid e Despina em pontos chave da história, nos envolvendo novamente nesse encantador universo de palácios, desertos e paixões avassaladoras.

"- Você mandou Sherazade embora com um rapaz a quem eu não confiaria uma cobra morrendo. Você não tem ideia...

- Ele a ama, Khalid jan - Jalal interrompeu com suavidade. - Ele a manterá em segurança. Ele me prometeu.
- E o que lhe dá o direito de....
- Olhe à sua volta, Khalid Ibn al-Rashid. Olhe à sua volta com olhos de homem, não com o coração de um menino." (p. 36)


setembro 06, 2017

[Livros] As Cores do Amor - Camila Moreira

Título Original: As Cores do Amor
Autor: Camila Moreira
Editora: Paralela
Páginas: 320
Gênero: Ficção, Romance, Hot
País: Brasil
ISBN: 9788584390823
Classificação★☆☆☆☆
_______________

As Cores do Amor, recebido em parceria com a editora Paralela, infelizmente, foi uma das minhas maiores decepções literárias. O romance forçado e repleto de exageros não conseguiu me convencer e, confesso, torci mais para que os protagonistas se separassem do que para que ficassem juntos. 

Com uma premissa - à primeira vista - interessante e abordando em primeiro plano o racismo, o livro tinha bastante potencial mas se perde em excessos. As situações e a intensidade do preconceito são absurdas e ainda que - até quando? - uma constante na vida de pessoas negras, soaram fabricadas demais para forçar reações.

Apesar de ambientada na contemporaneidade, os pensamentos dos protagonistas nos remetem à romances de época, totalmente descontextualizados e pouco verossímeis. E se o comportamento do vilão da história, o racista e ignorante coronel Montolvani é injustificável, o do panaca de seu filho é ainda mais. 

Criado sob a vigilância de um pai cruel, preconceituoso e conservador, Henrique se "rebelou" contra os ideais de seu progenitor. Essa sua revolta, no entanto, não dura muito pois o jovem é obrigado a retornar à casa do pai quando descobre que ele está doente. Independente do que o coronel faça, Henrique sente pena do velho e volta para cuidar dele, como se o câncer do pai anulasse a podridão de sua alma. Essas idas e vindas do rapaz levando em consideração tudo o que o canalha faz para humilhá-lo são incompreensíveis para mim.

Após se apaixonar por Silvia, uma jovem negra, Henrique se vê num dilema: assumi-la ou não. O pai nunca aceitaria que ele namorasse alguém de pele escura e, para o protagonista, a aprovação do pai é algo a ser levado em consideração. Logo de início, o rapaz esnoba Silvia, tentando fingir que não a conhece perto do pai. Sua atitude covarde, no entanto, logo é esquecida e perdoada e o casal que não possui química alguma volta a se envolver.

Infelizmente, nada nesse romance funcionou para mim. Nem mesmo as cenas eróticas que prometiam prender a atenção dos leitores, conseguiram me convencer. Não há sensualidade, sutileza na descrição das cenas. Os diálogos são rasos, bobos e cheios de repetições irritantes, vide o tanto de vezes que eles usam os apelidos carinhosos 'minha morena' e 'galego'. Urgh!

Silvia é muito conformada, aceita tudo, perdoa todas as imbecilidades de Henrique enquanto paga de mulher forte, bem resolvida e madura. Existem muitas outras incongruências mas, dentre elas, a paixão repentina dos dois é a pior. Em poucos dias, ambos já falam de amor como se a humilhação que Silvia sofreu não fosse importante. É surreal a falta de proporcionalidade.

As Cores do Amor tem pouco de amor e muito de preconceito - e essa não é a premissa que o romance anuncia. Talvez se houvesse um maior equilíbrio entre ambos, a história fosse mais interessante. Me peguei querendo abandonar a leitura muitas vezes, eu realmente gostaria de ter visto cores mais vivas e um melhor desenvolvimento, infelizmente, não foi dessa vez. 

"- Se você diz, minha linda.
- Minha linda?
- Um homem pode sonhar." (p. 40)

Sinopse: O que define uma pessoa? O dinheiro? O sobrenome? A cor da pele? Filho único de um barão da soja, Henrique Montolvani foi criado para assumir o lugar do pai e se tornar um dos homens mais poderosos da região. No entanto, o jovem se tornou um cafajeste aos olhos das mulheres, um cara egocêntrico segundo os amigos e um projeto que deu errado na concepção do pai. 

Quando o destino coloca Sílvia em seu caminho, uma jovem decidida e cheia de personalidade, Henrique reavaliará todas as suas escolhas. O amor que ele sente por Sílvia o fará enfrentar o pai e transformará sua vida de uma maneira que ele nunca pensou que fosse possível. Um sentimento capaz de provar que nada pode definir uma pessoa, a não ser o que ela traz no coração.

"- Estou apaixonado por você.
Era tudo o que eu precisava ouvir.
Muitas vezes, passamos a vida toda nos escondendo do amor, tentando evitá-lo, mas esquecemos que não temos controle sobre esse sentimento. Não tem como aprisionar um furacão em um copo. Henrique me fazia sentir um turbilhão de emoções que não cabiam no meu coração." (p. 109)


setembro 04, 2017

[Livros] Eu Te Darei O Sol - Jandy Nelson

Título Original: I'll Give You The Sun
Autor: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 364
Gênero: Ficção, YA, Romance
País: EUA
ISBN: 9788581636467
Classificação: ★★★★★
_______________

Eu Te Darei O Sol é uma das melhores leituras da minha vida. Jandy Nelson escreveu uma história de cortar o coração e eu daria as estrelas para poder curar a dor desses protagonistas.

A narrativa expõe o drama de dois irmãos que se amam tanto quanto se odeiam e disputam a atenção dos pais. Gêmeos idênticos, eles sempre foram metades um do outro, mas a vida os separou e fez com que eles se perdessem de si mesmos. É como se não houvesse espaço para os dois juntos, mas só houvesse vazio quando estão separados.

Bullying, sexualidade, morte, rebeldia, arte, perdão, culpa, fé, felicidade e amor são apenas alguns dos temas que permeiam a obra de Jandy Nelson. Um livro complexo e repleto de metáforas, Eu Te Darei O Sol conta não só a jornada desses dois adolescentes tão parecidos quanto diferentes, mas também a de tantos outros jovens que sofrem por não se encontrarem em si mesmos.
É difícil escrever sobre um livro que mexeu comigo de forma tão intensa. Talvez minhas mãos pudessem expressar com mais precisão do que as palavras o sentimento que veio com essa leitura. Uma verdadeira obra-prima, esse young adult vai partir seu coração como que para dar vida a uma dolorosa escultura em pedra. E a arte final é única, sensível, brilhante como o sol. 

"Eu a encontro e a encontro e a encontro, mas não consigo realmente encontrá-la." (p. 257)

Sinopse: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.

Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

"Platão falou sobre coisas que existiam e que tinham quatro pernas, quatro braços e duas cabeças. Eram coisas únicas, estáticas e poderosas. Poderosas demais, então Zeus as cortou pela metade e espalhou as metades pelo mundo, para que os humanos estivessem para sempre fadados a procurar suas metade, a metade com a qual compartilham a própria alma. Somente os humanos mais sortudos encontram suas metades, sabe?" (p. 338)

agosto 10, 2017

[Livros] Fuck Love - Louco Amor - Tarryn Fisher

Título Original: F*ck Love
Autor: Tarryn Fisher
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788562409998
Classificação★★☆☆☆
_______________

Demorei mais do que esperava para escrever essa resenha porque esse livro representou um monte de coisas para mim - a maioria delas ruins. Por um lado, a história de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal de uma pessoa com problemas similares aos meus me conquistou, por outro, o desenvolvimento da trama me decepcionou e jogou um balde de água no que eu mais havia gostado no romance. Talvez essa dualidade - o lado positivo e negativo - presente também no amor, no entanto, faça sentido - mesmo que livro não faça.

Partes da trama mexeram comigo positivamente sim, muitas frases pareceram escritas para o meu momento. Até mesmo o drama da protagonista é parcialmente compreensível e, apesar de não concordar com as atitudes da personagem, me apaixonei pelos momentos reflexivos que intercalavam seus momentos de impulso. Tarryn descreve uma jornada de redescoberta que tenta nos faz enxergar que o amor-próprio sempre deve estar acima do amor, mas falha, pois cai em sua própria armadilha. Um outro final teria funcionado para mim.

Helena se apaixonou pelo único cara pelo qual nunca deveria ter se apaixonado - o namorado da melhor amiga. Desejar alguém que não pode ser seu e, principalmente, machucar assim alguém com quem você se importa é uma situação complicada. Em diversos momentos, vi em Helena uma mulher egoísta, carente e desesperada mas, apesar de não ter simpatizado nem um pouco com a protagonista, compreendi suas crises e torci por ela - na maior parte do tempo - e por decisões melhores.

O comportamento obsessivo de Helena poderia ser taxado como abusivo, afinal, ela persegue o namorado da melhor amiga, se infiltra na vida da ex-namorada dele e até mesmo vai morar na cidade em que ele nasceu. Pouca gente teve essa percepção, especialmente porque é uma personagem feminina que inspira mais dó do que raiva mas, a mim, incomodou demais a forma com Helena cercou a vida de Kit e destruiu o relacionamento dele com Della.

Della, Kit e Helena são insuportáveis. Com personalidades rasas, desinteressantes e egocêntricas, o triângulo amoroso não me convenceu e, de verdade, pouco me importou. Em resumo, Helena deseja o namorado palerma da amiga escrota. Não há conexão entre nenhum deles e os fios que mantém a história são tão frágeis que não se sustentam. 

O final foi a pior decepção literária desse ano. Tarryn Fisher é conhecida por fazer seus leitores amarem ou odiarem seus livros e eu entendi o porquê. Em conjunto a uma trama fraca, personagens entediantes e um título pretensioso que prega justamente o contrário da sua narrativa, o desfecho me frustrou a ponto de me deixar indignada. Nem as inúmeras referências - nada espontâneas e extremamente forçadas - a Harry Potter fizeram com que o livro me conquistasse. Infelizmente, Fuck Love só me proporcionou algumas boas frases. 

"Você só começa a procurar a verdade quando alguma coisa dá terrivelmente errado e você percebe que precisa buscar respostas. Não há mais volta quando ultrapassamos esse ponto. As emoções são enterradas debaixo do concreto. É como se dez anos tivessem se apagado da minha vida e eu me tornasse adulta sem ter vivido o tempo atual." (p. 78)

Sinopse: Helena Conway se apaixonou. Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo.Kit Isley é o oposto dela desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu. Ele parece o seu complemento. Poderia ser tão perfeito... se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga. 

Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa certa e pensar nos outros. Mas ela não o faz... Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente. 

Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas. Se você não quer se viciar, não leia a primeira página.

"- Tudo bem, mas estou tentando me encontrar.
- Essa, minha querida, é a coisa mais assustadora que você poderia querer fazer.
- Por quê?
- Porque você pode não gostar do que vai encontrar." (p. 142)


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