março 22, 2020

[Livros] O Vencedor Está Só - Paulo Coelho

Título Original: O Vencedor Está Só
Autor: Paulo Coelho
Editora: Paralela
Páginas: 416
Gênero: Ficção, Suspense, Thriller
País: Brasil
ISBN: 9788584391547
Classificação: ★★
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Uma das minhas únicas decepções com Paulo Coelho, O Vencedor Está Só me frustrou por não entregar um propósito como os outros livros do autor. Eu esperava nessa leitura encontrar o que mais admiro na escrita dele: uma mensagem edificante, algo que falasse com a minha alma. No entanto, essa foi apenas uma leitura genérica e arrastada com um final previsível e frustrante.

Escrito com as características de um thriller e no formato de uma fotografia do lado obscuro da fama, esta é uma história repleta de violência e gatilhos de um relacionamento abusivo. A toxicidade dessa narrativa é tanta que a leitura chegou a me perturbar.

O protagonista é um homem completamente obcecado pela ex-mulher que é capaz de tudo para recuperá-la. Seus constantes dilemas morais e religiosos fazem com que ele esteja sempre em busca de uma justificativa para os atos vis que comete em nome do "amor". Seus próprios questionamentos, no entanto, não chegam a nos convencer e sendo esta uma narrativa em primeira pessoa foi muito difícil me conectar com Igor.

Os outros personagens, bem mais interessantes que o protagonista e que tem o azar de cruzar seu caminho são a única coisa que faz com que o livro valha a pena. Coelho faz um retrato do cotidiano interessante de pessoas envolvidas com a fama - anônimos e celebridades e cruza seus caminhos com maestria. Uma pena o livro ser focado no "vencedor" quando os perdedores tinham histórias bem mais interessantes para contar.

Sinopse: Você seria capaz de matar pela pessoa que ama? Até onde iria para conquistar o que deseja? Baseando-se em pesquisas e no triângulo de violência, luxo e celebridade, Paulo Coelho nos leva à Riviera Francesa para uma leitura eletrizante em O vencedor está só.

Igor levou anos para estabelecer seu império no pós-guerra. Quando sua esposa Ewa o abandona, o ex-militar russo começa a trabalhar de forma obsessiva, na esperança de se contentar com as conquistas de seus esforços.

Decidido a reconquistá-la e disposto a fazer de tudo para conseguir, ele a segue até o superexclusivo Festival de Filmes de Cannes onde Ewa estará com o seu novo namorado e celebridade da moda Hamid. Ao longo de um único dia, acompanhamos o reencontro de Igor com Ewa em meio ao luxo, fama, violência e desespero, lutando para manter as aparências e a própria vida.

fevereiro 27, 2020

[Livros] Boa Garota - Jana Aston

Título Original: Good Girl
Autor: Jana Aston
Editora: AllBook
Páginas: 235
Gênero: Hot, Erótico
País: EUA
ISBN: B07RWC37Z5
Classificação: ★★
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Um romance hot bem fluido e divertido, Boa Garota de Jana Aston é uma leitura agradável apesar de nada crível. É o tipo de livro que devoramos em pouco tempo e que faz uma garota se iludir acreditando que cafajestes podem se transformar em príncipes encantados quando se apaixonam. Ou melhor, nos faz acreditar que cafajestes, de fato, se apaixonam. É a ilusão que amamos alimentar e esse é o tipo de romance que todas nós gostaríamos de viver.

Lydia é uma garota - bem tapada e insuportável - que foi boazinha a vida inteira. Quando cansa de fazer tudo direito, ela decide que quer um pouco de aventura na sua vida e isso pode levá-la às piores decisões possíveis. Decisões que podem não só destruir sua fama de boazinha como também destruir seu coração no processo.

Rhys é um empresário bem sucedido que não quer se envolver com ninguém. Para ele é muito mais simples pagar por relações de uma noite e evitar todo o envolvimento emocional que pode resultar disso. Quando os caminhos desses dois opostos se cruzam é algo arrebatador e Jana Aston descreve com comicidade as situações improváveis que conectam um ao outro.

Romance despretensioso para os amantes do gênero, Boa Garota é uma boa leitura e consegue fazer que suas leitoras se apaixonem ainda mais por um estereótipo de homem incorrigível. Apesar da protagonista ser muito sonsa e o contraste do casal ser gritante, rende uma boa distração. Se um homem é mesmo capaz de mudar por uma mulher eu não sei, mas que a gente sempre torce pelo final feliz é verdade.


Sinopse: Sempre fui uma boa garota.
Trabalho duro, sigo as regras, sempre conquisto meus objetivos.

Mas, às vezes, boas garotas querem coisas que não são boas para elas.
Ou alguém que não é bom para elas.
Tipo seu novo chefe.

E, às vezes, elas fazem coisas ruins para chamar sua atenção.
Como vender a virgindade em um leilão.

Quem diria que ele ficaria tão, tão bravo?
Talvez esse não tenha sido meu melhor plano…


fevereiro 22, 2020

[Livros] O Antigo Tarô de Marselha - Lo Scarabeo & Zilda H. S. Silva

Título Original: Ancient Tarot of Marseilles
Autor: Lo Scarabeo & Zilda H. S. Silva
Editora: Pensamento
Páginas: 88
Gênero: Tarô, Autoconhecimento
País: Itália
ISBN: 9788531521089
Classificação: ★★★★
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Não é segredo a minha fascinação pelo tarô e sua arte. O jogo, quase tão antigo quanto a curiosidade humana não é - como muitos pensam - uma previsão para o futuro, pelo contrário, é uma análise do presente e das possíveis consequências das nossas ações. O baralho conta a história do ser humano e cada carta simboliza uma etapa necessária para o nosso desenvolvimento.

Um dos tarôs mais antigos e que originou grande parte dos baralhos que conhecemos hoje é o Tarot de Marselha, produzido na França por volta de 1760. Numa edição bastante fiel ao seu original, a editora Pensamento nos presenteia com um deck de colecionador. As cartas que contém cópias das ilustrações originais, são bem diferentes das múltiplas interpretações disponíveis atualmente e preservam a magia e a simplicidade da época.

Item indispensável não só para aqueles que o utilizam como um oráculo divinatório mas também para aqueles que compreendem suas cartas como fonte de autoconhecimento e busca espiritual, o Antigo Tarô de Marselha é uma oportunidade de perceber que a humanidade enfrenta os mesmos desafios desde sempre e que os nossos problemas fazem parte da nossa jornada. Jornada essa que se inicia na ingenuidade do Louco (o arcano 0), passando por todas as etapas necessárias para nossa evolução e termina com o arcano do Mundo (o arcano XXII), encerrando ciclos para que outros se iniciem.

O tarô é uma representação da vida bem como suas cartas representam momentos e aprendizados. Que neste momento possamos ser compreensão e entendimento para aceitar nossas próprias escolhas e as consequências destas. Afinal, desse mundo só se leva o que se aprende. Faça o melhor possível com este aprendizado.

Sinopse: O Antigo Tarô de Marselha foi produzido originalmente em Marselha, no sul da França, a partir de 1760. Projetado por Conver e seus descendentes, este baralho entrou para a história após inúmeras reimpressões serem comercializadas em Marselha por mais de cem anos, o que o torna um verdadeiro item de colecionador para os interessados nesta antiga arte divinatória. 

Com textos de Lo Scarabeo e colaboração de Zilda H. S. Silva, esta edição foi feita a partir de uma cópia de 1870 de um colecionador particular do tarô de Nicolas Conver, a qual apresenta matizes mais vivos; especialmente no que diz respeito ao amarelo e verde, que é diferente do modelo de 1760, que é diferente do modelo de 1760 que se encontra hoje preservada na Biblioteca Nacional da França, tratando-se então de uma cópia fiel , e talvez o único e verdadeiro Tarô de Conver ainda existente em nossos dias.

fevereiro 04, 2020

[Livros] A Gaiola Dourada - Vic James (Dons Sombrios #1)

Título Original: Gilded Cage
Autor: Vic James 
Editora: Galera Record
Páginas: 415
Gênero: Distopia, Fantasia, Ficção
País: Reino Unido
ISBN: B079731JFH
Classificação: ★★
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Em sua distopia de estreia, Vic James constrói uma história a princípio interessante, mas que peca no  seu desenvolvimento e faz com que a leitura se torne arrastada e pouco significante. O gênero distópico flerta com o gênero fantástico nesse livro, porém, a combinação foi desastrosa. Há pouca ou nenhuma utilidade para os elementos fantásticos e isso me incomodou demais, creio que chegou até a atrapalhar.

Em uma Grã-Bretanha distópica, somos apresentados ao nada complexo sistema político: pessoas que possuem poder estão no poder - eles se denominam Iguais. Há uma tentativa de explicar historicamente como a sociedade chegou a este ponto, mas os esforços da autora para tal não chegaram a me interessar. Existem também as pessoas "sem habilidade", o povo, que está submetido às leis criadas pelos Iguais.

Uma lei suprema obriga todos os cidadãos a oferecerem dez anos de sua vida em regime de escravidão para seu governo. Este regime - que sinceramente me lembrou um contrato de trabalho comum, sem remuneração, claro - deve ser cumprido em cidades de escravos ou na casa de uma família aristocrata.

A narrativa se inicia com a família Hadley - pessoas comuns - que decidem cumprir seus dez anos de escravidão juntos e são enviados para uma família do alto escalão Igual. Um dos filhos, no entanto, não consegue uma vaga para servir com eles e é separado da família, indo parar numa das piores cidade de escravos da Grã-Bretanha. Lá ele percebe que uma revolta está crescendo e as primeiras faíscas de uma possível revolução são percebidas.

Enquanto isso, somos apresentados também à uma família de Iguais que detém grande poder decisivo nessa sociedade. Cada um com sua habilidade especial, eles tem suas próprias motivações para o governo e suas intenções nunca ficam muito claras. É difícil saber em quem confiar.

Quando os caminhos dessas duas famílias se cruzam podemos entender o real significado do título. Mesmo no poder, todos vivem numa gaiola ornamentada. Talvez a jaula seja diferente mas há sempre algo que os mantém refém de suas escolhas. Com ou sem habilidade, todos buscam um mesmo ideal: liberdade.

Alguns elementos fantásticos chegam a ser perturbadores como o fato de que pessoas condenadas são transformadas parcialmente em cachorros, tendo sua anatomia modificada e sofrendo maus tratos. É bizarro! Os capítulos também são narrados intercalados por quase todos os personagens, o que dificulta a empatia por qualquer um deles. Lembrando que este é o primeiro volume de uma trilogia, na qual eu não pretendo dar continuidade. No decorrer da trama eu já não me importava mais com quem faria o quê, acho que eu também estava querendo me libertar de tudo aquilo.

Sinopse: Em uma Grã-Bretanha distópica, além da riqueza e dos títulos, os membros da nobreza também possuem habilidades mágicas, como cura acelerada, leitura de mentes e controle da natureza. Os privilégios não terminam aí: todo plebeu deve servir à nobreza por dez anos. Não há como escapar.

Abi Hadley pensou que estaria fazendo um favor a sua família quando os inscreveu para cumprir seus dias de escravidão na residência da Família Fundadora, mas a garota mal sabia dos horrores que estavam por vir. Já seu irmão, Luke, acaba sozinho em uma das cidades mais brutais para os escravos. Tanto Abi quanto Luke precisarão se adaptar a suas novas realidades, ou, quem sabe, se tornar aliados na luta pelo fim dos privilégios de uma elite que busca cada vez mais poder.

Enquanto isso, o mais jovem aristocrata da Família Fundadora conspira para moldar o mundo à luz de seu dom sombrio, e os dias de escravidão podem ser apenas o início de algo muito mais cruel.

janeiro 20, 2020

[Livros] Um Caminho Para A Liberdade - Jojo Moyes

Título Original: The Giver Of Stars
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 368
Gênero: Romance, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788551005453
Classificação: ★★★★
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Um romance sobre o poder libertador da leitura, Um Caminho Para A Liberdade é o tipo de livro que nos mostra o quão privilegiados nós - principalmente nós mulheres - somos por estarmos vivendo neste momento histórico. Houve tempos em que os livros eram um luxo destinado a poucos, tanto por conta do acesso difícil a eles quanto por seu poder transformador.

Na narrativa de Jojo Moyes que se passa nos anos 30, conhecemos a protagonista Alice, uma jovem inglesa que acaba de se casar com um americano. Sua vida muda radicalmente ao se ver num país diferente, refém dos costumes de seu esposo e de seu sogro que controlam cada pas. Rapidamente, Alice percebe que numa terra em que as mulheres não têm voz, somente os livros podem propagar ideias.

Conhecida apenas com a mulher de Benett - o que mostra que o valor de uma mulher era definido pelo homem que a desposava -, Alice já não era muito respeitada por ser uma forasteira na pequena cidade conservadora para onde se mudara com o marido. A impressão que a cidade forma dela piora quando ela decide entrar para o grupo de bibliotecárias a cavalo da comunidade.

O projeto de biblioteca a cavalo, de fato, existiu no interior dos Estados Unidos nessa época e a difícil missão era encarada por mulheres que enfrentavam as piores condições climáticas com recursos escassos. Os livros eram levados semanalmente às famílias que moravam afastadas da cidade e ajudaram cerca de 100 mil pessoas. Dentre seus objetivos, o principal deles era alfabetizar os cidadãos e capacitar pessoas para trabalhar fora.

Na ficção - bem como na realidade - moradores mais conservadores viram no projeto uma arma em potencial que poderia educar as pessoas a ponto de prejudicar os negócios de grandes mineradoras e difundir ideias progressistas. Além disso, as mulheres poderiam apresentar insubordinação a seus maridos e tal conceito era abominado por comunidades cristãs. O único livro que deveria ser lido por elas era a Bíblia - e quem sabe um livro de receitas ou costura.

Alice descobre que seu casamento é uma prisão e, então, o trabalho e os livros a libertam. Ao conhecer a vida de outras pessoas e fazer novas amigas, a jovem inglesa descobre o mundo novo que lhe foi prometido e encontra nas páginas dos livros que entrega as páginas que escreveriam sua própria história.

Sinopse: Cinco mulheres vão enfrentar uma cidade inteira por amor aos livros. E juntas vão descobrir o poder do conhecimento, da liberdade e da amizade.

Em uma época em que não seguir os costumes e a religião era transgressão gravíssima, o caminho de um grupo de mulheres se cruza de maneira inesperada. A década de 1930 está chegando ao fim, e, em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, a ideia de que as moças administrem uma biblioteca itinerante desafia o status quo.

Com o compromisso de levar livros para os moradores mais pobres da região, Margery, Alice, Beth, Sophia e Izzy aceitam trabalhar na biblioteca. E à medida que enfrentam inúmeras dificuldades, como aprender a cavalgar, percorrer rotas de difícil acesso e suportar o preconceito dos mais conservadores, elas fortalecem o laço que as une e descobrem mais sobre si mesmas. Em pouco tempo, toda a cidade se volta contra o grupo, colocando em risco a sobrevivência do projeto. E as mulheres vão se perguntar mais uma vez se o poder das palavras será suficiente para salvá-las.

Inspirado em uma história real, Um Caminho Para a Liberdade fala de lealdade, independência e justiça. Com uma trama envolvente e emocionante, Jojo Moyes faz o leitor refletir sobre as redes de apoio e amizade entre mulheres e como é preciso ir além dos nossos — supostos — limites. Afinal, conquistar a liberdade nunca é fácil.

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