Adaptações cinematográficas sempre dão o que falar. Seja por serem extremamente fiéis, seja por serem o exato oposto disto. Apesar de fenômenos literários serem frequentemente adaptados para o cinema, eles nem sempre mantém o mesmo enredo que sua obra inspiradora. Essa divergência - sem trocadilhos - se deve ao fato de que adaptar (qualquer coisa) não requer verossimilhança e a compreensão desse fato, infelizmente, ainda é ignorada pelos fãs que esperam ansiosos para ver o que leram (por mais impossível que isso seja).
Adaptação: ação ou efeito de adaptar(-se), ajuste de uma coisa a outra.
Se a adaptação é um ajuste, não faz sentido que seja exatamente igual ao original, certo? Sempre que alguma coisa é adaptada a outro contexto, ela muda. É algo natural. Não é possível transformar palavras em imagens sem que algo se perca e vice-versa. Além de uma questão de tempo é uma questão de interpretação e subjetividade.
Se cada pessoa que lê um livro o interpreta de maneira diferente, como poderíamos querer ver exatamente a nossa interpretação nas telas? O que seria um filme "fiel"? E se o filme não mantiver o enredo, mas for fiel às concepções do próprio autor? E se o enredo for escrito sob outra perspectiva, isso diminui o valor da obra ou aumenta? Pense fora da caixa!

Convido você a desafiar suas próprias concepções e assistir às adaptações sem procurar a mesma coisa que viu durante a leitura. Tente "ler" o filme com outros olhos, afinal, novas leituras só acrescentam. Assista sem a expectativa de uma cópia do original. Cópias são apenas cópias e ver uma mesma coisa duas vezes é muito cômodo, veja além, desafie-se a ampliar seus próprios horizontes e, como a Tris, quebre o vidro.