janeiro 26, 2017

[Livros] Juntando os Pedaços - Jennifer Niven

Título Original: Holding Up The Universe
Autor: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Gênero: Romance, YA, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788555340246
Classificação★★★★★
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Juntando os Pedaços é mais um livro incrível da Jennifer Niven que emociona ao falar sobre perder. Perder alguém, perder peso, perder a capacidade de reconhecer rostos, perder a si mesmo. Na vida, perdemos muito e perdemos muitas vezes, mas isso não faz de nós perdedores. Pelo contrário, nos ensina a ser fortes e, principalmente, a juntar os pedaços. 

A autora que já havia me conquistado com Por Lugares Incríveis, conseguiu, outra vez, trazer um livro repleto de sentimento, verdade e sensibilidade. Misturando suas lembranças de vida a uma trama encantadora e nada convencional, Juntando os Pedaços conta a história de amor e ódio de dois jovens tão diferentes quanto podem ser, mas que no fundo se reconhecem igualmente solitários. 

Libby foi considerada a adolescente mais gorda dos EUA ao ter que ser resgatada da sua casa durante um ataque de pânico. Após anos sem sair de casa, os policiais tiveram que destruir as paredes de sua casa para tirá-la de lá e a jovem demorou anos para reconstruir seu próprio interior. Os efeitos do peso e do bullying que sofreu durante anos a aterrorizavam, mas não mais do que a falta que sentia da mãe – razão pela qual ela começou a comer. Foi então que ela decidiu recomeçar e isso é mais difícil do que ela imaginava.

Jack tem uma doença rara – prosopagnosia – que o impede de reconhecer rostos. Ele não faz ideia de como é o rosto dos seus pais, dos seus amigos e muito menos o seu próprio. Apesar de não conseguir identificar ninguém mais no mundo, ele esconde sua condição de todos e sofre ao ter que descobrir todos os dias quem está ao seu redor. Com o tempo, Jack aprendeu a detectar marcas que diferenciam seus amigos e familiares, até que uma garota nova chama sua atenção, Libby. 

Libby chama a atenção por seu peso, mas não é só isso que faz com que Jack a reconheça numa multidão. Essa estranha familiaridade os conecta de uma maneira sincera, única. Aliás, se há algo que a narrativa de Juntando Os Pedaços trata é a questão do “ser diferente”. Afinal, somos todos diferentes e iguais e únicos ao mesmo tempo. 

O bullying é uma questão forte – de vida ou morte – e que precisa ser discutida com urgência. Qualquer tipo de discriminação não pode ser tratado como brincadeira, aliás, não é brincadeira se as duas partes não se divertem. Jennifer trabalha o tema com a propriedade de alguém que já passou por isso e sabe o quanto dói ser taxado, humilhado e ridicularizado por algo que você é. 

Destaque importante dos personagens secundários, Dusty, irmão de Jack, é uma das maiores vítimas de bullying e intimidação. Seu jeito de ser e sua preferência por coisas “tipicamente femininas” fazem com que ele sofra perseguição na escola. O garotinho é um doce e faz o possível para ajudar todos ao seu redor, especialmente, Jack e cada vez que ele chega arrasado, sentimos vontade de abraça-lo e dizer que esse mundo tão cruel não o merece. 

O conceito - maravilhoso - da capa é repleto de significados e faz dela tão única e especial quanto seus protagonistas. O título adaptado também foi genial, poucas vezes a versão brasileira me agradou mais do que a original. Essa é uma história que foge dos clichês e quebra todos os padrões, afinal, sempre que somos obrigados a juntar os pedaços de alguma coisa ela não é mais o que era antes. Libby e Jack estão fragmentados e, talvez, o amor e a compreensão sejam a cola que pode fazê-los inteiros de novo. 

"- As pessoas fazem merda por vários motivos. Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros, como foram tratadas. Às vezes fizeram merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merdas com os outros antes que façam com elas. É uma autodefesa de merda. " (p. 74)

Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. 

Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.


"- É engraçado, não é? Apesar de estarmos basicamente sozinhos aqui dentro - ele bate no peito - , é muito fácil esquecer quem somos." (p. 319)


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