outubro 04, 2015

[Livros] Futilidade ou O Naufrágio do Titan - Morgan Robertson

Título Original: Futility, or The Wreck Of The Titan
Autor: Morgan Robertson
Editora: Vermelho Marinho
Páginas: 112
Gênero: Romance, Ficção, Clássico
País: EUA
ISBN: 9788582650288
Classificação★★★★★
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Profético e emblemático, 'Futilidade' é uma leitura - no mínimo - curiosa por ter previsto um dos maiores e mais trágicos acidentes marítimos. Narrando acontecimentos impactantes e um trágico acidente, o livro de Morgan Robertson chama atenção por falar de um navio - considerado inabalável - chamado Titan, que bateu num iceberg e afundou. As semelhanças com o trágico naufrágio do Titanic - que aconteceria quatorze anos depois - são absurdas. Além de uma crítica ao que a sociedade estava se tornando, o livro trazia também um aviso: ganância e prepotência destroem até mesmo as estruturas mais sólidas.

A arrogância dos engenheiros, mecânicos e empresários responsáveis pela construção do navio, que dispensaram medidas de segurança, levou-os a arriscar a vida dos passageiros e, por conta disso, não haviam botes suficientes para salvar a todos. Tanto no livro quanto na realidade, o Titan/Titanic eram considerados extremamente seguros até o último segundo - quando deixaram de ser.

Robertson fala sobre a influência da modernidade no comportamento e pensamento das pessoas. À época de Futilidade, o ocidente vivia um período de questionamentos. Antes inabalável, a fé passa a ser discutida e o homem começa a ver rachaduras na sólida crença em Deus. As máquinas passaram a ser vistas como absurdamente poderosas, inabaláveis, grandiosas e, consequentemente, foram endeusadas. Por meio da ficção, o autor expõe a inversão dos valores religiosos e culturais ao final do século XIX.

John Rowland é um ateu e seu posicionamento religioso fez com que ele se afastasse da mulher que amava, Myra Selfridge - uma cristã fervorosa. Por acaso, ou não, os dois acabam se encontrando na primeira viagem do Titan, ele como marinheiro e ela com sua nova família, como passageira da primeira-classe. Ao reencontrar o antigo namorado, o ódio que Myra sentia por ele, retorna, ainda mais forte e faz com que ela ordene que ele mantenha distância dela e de sua filha, também chamada Myra.

Os desfortúnios da vida, levaram John ao alcoolismo e sua fama não é das melhores, nem mesmo entre a tripulação. Ao presenciar um ato imprudente do capitão do navio, ele decide fazer o que certo e denunciar a atitude de seu superior. Para evitar que o marinheiro o denuncie, o capitão arma uma cilada para ele e tentando descredibilizar o homem, droga seu uísque. Em meio à isso, no entanto, o Titan bate em um iceberg e as coisas ficam bem mais nebulosas - literalmente. O anti-herói terá de desafiar os julgamentos da sociedade e, acima de tudo, provar que é merecedor de fé - nem que seja a das pessoas.

Nas entrelinhas, pode-se encontrar muitas referências e metáforas empregadas por Morgan Robertson para expor os tempos modernos e a transição do pensamento americano na virada do século. Desde a escolha da ambientação: um símbolo da velocidade e força da modernidade, até a neblina que envolve o navio e a trama, as curiosas mensagens subliminares enviadas pelo autor são tão enigmáticas quanto a própria profecia escondida por trás de sua história.

O final, nada menos que absolutamente brilhante, fragmenta o pensamento do leitor e faz com que ele questione a vericidade dos acontecimentos narrados, bem como os valores da época. Expondo conceitos filosóficos, econômicos, culturais e, em especial, religiosos, Robertson desafia o leitor a questionar ou não, assim como John Rowland.

"Inafundável. Indestrutível. E, justamente por isto, carregava apenas o número mínimo de botes salva-vidas necessários para satisfazer as leis. Estes, num total de vinte e quatro, estavam seguramente cobertos e atados às suas travas no convés superior. Se lançados, comportariam quinhentas pessoas. Ele não carregava jangadas salva-vidas, inúteis e deselegantes." (p. 9)

Sinopse: Futilidade ou O Naufrágio do Titan conta como o maior navio do mundo naufragou, em sua primeira viagem, após bater em um iceberg, exatamente, como viria a acontecer com o malfadado Titanic. Quem poderia imaginar que uma novela do final do século XIX se tornaria célebre por ter praticamente previsto o maior acidente náutico de todos os tempos?

Mais do que o livro que profeticamente previu o naufrágio do Titanic, Futilidade é a história de John Rowland, um ateu convicto que embarca como marinheiro no navio, e Myra Selfridge, uma jovem cristã que foi o grande amor de sua vida. Os problemas só aumentam quando um capitão trapaceiro tenta colocar tudo a perder.

Myra e Rowland encarnam, assim, os conflitos científicos e religiosos da virada do século, quando a ciência, mais do que nunca, se sobrepôs à religião. Ao leitor, resta a dúvida: teria sido coincidência ou providência?

"Lá em cima, em algum lugar que eles não sabem exatamente onde... mas em algum lugar lá em cima está o Paraíso dos cristãos. Lá está o seu bom Deus, que colocou a filha de Myra aqui. Seu bom Deus, que emprestou seu espírito selvagem e sanguinário para suas criaturas. E, logo abaixo de nós, também em algum lugar, está o seu inferno e o seu Deus mau, que eles mesmos inventaram. E dão-nos a nossa escolha: céu ou inferno. Não é assim... não tão assim. O grande mistério não está resolvido." (p. 62)

8 comentários:

  1. Menina!! Como que esse cara previu o Titanic 14 anos antes?! Estou CHOCADA! Hahaha. Sério mesmo. Leria o livro só por conta disso!

    Mas adorei sua resenha. A obra parece ser bem reflexiva. Principalmente com um personagem ateu que, acredito, sofreria muito mais do que já sofrem os ateus hoje em dia.

    Mais interessante ainda é ver como a religião nos influencia na vida. Ele perdeu a mulher amada porque não acreditava o mesmo que ela. É para se pensar, né?

    Fiquei bem interessada e não fazia ideia que esse livro existia! Hahaha
    Obrigada pela apresentação. Irei pesquisá-lo assim que possível. :)

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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  2. Olá!

    Leria o livro só pela previsão! A trama te faz refletir sobre muitas coisas, como amor e fé. A leitura vale a pena justamente por isso - e pra saber se vão acreditar no John.

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  3. Confesso que não conhecia esse livro, mas por ser associado a uma previsão referente ao Titanic já fiquei super interessada e curiosa em relação a história desse livro então adicionei em minha lista de leituras e pretendo ler em breve, sua resenha está muito boa.

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  4. Oi Mari! Não tinha visto nada a respeito deste livro, mas fiquei bem curiosa para conhecer um pouco mais a respeito.
    O homem tem se esquecido que existe força maiores na natureza. Bom, vou deixar o livro na lista e quem sabe mais a frente eu tenha a oportunidade de ler

    Beijos
    Amor Literário

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  5. Eu não conhecia o livro, porém fiquei completamente encantada com a história, a escrita parece prender o leitor do começo ao fim, vai entrar para minha lista de futuras leituras.

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  6. Eu não conhecia o livro, porém fiquei completamente encantada com a história, a escrita parece prender o leitor do começo ao fim, vai entrar para minha lista de futuras leituras.

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  7. Um livro que prévio um dos maiores e mais trágicos acidentes marítimos sem dúvida é muito impressionante. Também nunca me conformei com a ignorância em relação as medidas de segurança, quando penso na quantidade de pessoas que morreram fico revoltada.
    Não curto anti-heróis mas John parece ser um personagem que todo leitor torce para que tudo acabe bem para ele. Contudo, por não gostar de livros que abordam os conceitos religiosos prefiro não ler Futilidade. Mas achei legal a resenha.
    Abraços.

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  8. Quando você disse que era um dos mais trágico acidente marítimo já logo me veio a mente Titanic, tipo eu não achei que houvessem criado uma historia que falassem sobre isso, e ainda mais sobre a arrogância das pessoas o que é horrível.

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Deixe sua sugestão, opinião ou crítica. Prometo lê-las com carinho. Mil beijos, Mari Siqueira.

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