outubro 06, 2014

[Livros] Garoto Encontra Garoto - David Levithan

Título Original: Boy Meets Boy
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 240
Gênero: Ficção, YA
País: EUA
ISBN: 9788501047779
Classificação★★★★☆
_______________

Mais um livro de Levithan que me encanta, emociona e surpreende positivamente. Eu já falei que esse autor tem um espaço cativo no meu coração e na minha estante, né? Ok, porque eu não canso de repetir o quanto eu gosto dos seus livros. Ele fala de homossexualidade, bissexualidade, sexualidade e amor de maneira ímpar e como simpatizante e membro da aliança gay-hétero adoro  e apoio sua forma de pensar. David é um daqueles autores dos quais eu leria até a lista de compras. Suas narrativas sempre falam sobre o amor de uma forma simplificada, desmistificada e pura. Sem limites, complicações ou padrões. O mundo que David Levithan cria em seus livros, se não é o mundo ideal, se aproxima muito dele. E não difere sexo, cor, classe social ou credo.

Para iniciar essa resenha, gostaria de deixar claro que um dos pontos que mais incomodou outros leitores, foi exatamente o que eu mais gostei: a cidade 'utópica' em que se passa a narrativa. Sim, é uma cidade perfeita, onde não há preconceito. Na escola, é perfeitamente normal um garoto ser líder de torcida e se apaixonar por uma quarterback transexual. Assim como gays e lésbicas não sofrem nenhum tipo de preconceito e integram uma 'aliança gay-hétero'. Os adolescentes e até mesmo as crianças são livres para se expressar. E desde pequenos aprendem a lidar com sua própria sexualidade. Tudo isso pode soar surreal, e infelizmente ainda é.

Se você notar o exagero com que foram construídas as personagens, vai perceber que o autor quer é chamar nossa atenção para o real motivo do preconceito. Por que é tão estranho imaginar uma quarterback transexual? Ou um 'líder' de torcida? O que há de tão errado em um casal gay? Levithan explora o tema tentando nos trazer excessos e extremos com a intenção de nos questionar. Por que isso nos choca tanto? Ser diferente, ser pouco, ser muito, ser absurdamente diferente. E daí? 

Esse livro me fez perceber que todos nós ainda carregamos preconceitos. E que devemos nos desapegar deles e olhar para quem as pessoas realmente são. Infinite Darlene não é a protagonista, mas rouba a cena. Ela é mais do que uma quarterback, é mais do que uma transexual e muito mais do que uma rainha do baile. É uma personagem incrível que nos conquista e que ganha a minha admiração por ser tão fantástica, literalmente. É similar ao que aconteceu em Will & Will, com o Tiny Cooper. Levithan é mestre em criar coadjuvantes melhores que os protagonistas.

A história central gira em torno de Paul, um garoto gay que tem uma turma de amigos muito divertida. Ele se apaixona à primeira vista por Noah, um - até então desconhecido - colega de escola. O problema é que Paul pisa na bola e arruína suas chances com o garoto. Para completar, sua melhor amiga Joni está namorando um cara que é um verdadeiro mala. Seu melhor amigo, Tony, tem pais religiosos que não aceitam o fato do filho gostar de garotos. E seu ex-namorado Kyle, de quem Paul levou um doloroso chute na bunda agora o quer de volta.

Como o mundo não é perfeito, algumas coisas me incomodaram e  não pude dar cinco estrelas ao livro. Joni é uma personagem irritante. Mimada, egoísta e só liga para o próprio umbigo. Da metade para frente passa a ser intragável, assim como seu relacionamento com o brutamontes do Chuck. Paul também não é dos protagonistas mais adoráveis. Sim, ele pisou na bola e se arrependeu, mas isso não o redime, pelo menos não para mim. De qualquer forma, sua amizade com Tony é muito legal e eu adoraria saber um pouco mais sobre seu melhor amigo.

Confusões à parte, é um livro muito bem escrito e que, obviamente, é um young adult com potencial. É também, um dos livros mais famosos de Levithan, destinado ao público young adult e/ou LGBT. Numa sociedade tão preconceituosa, egoísta e retrógrada como a nossa, o autor nos lembra que somos tão diferentes quanto iguais. E isso não nos torna superiores ou inferiores. O amor não tem sexo, cor, raça ou religião, ao menos não para mim e para David Levithan. Por isso admiro esse autor e o aplaudo de pé.

"Vi homens andando de mãos dadas na rua em uma cidade grande e li sobre mulheres se casando em um estado não muito longe do meu. Encontrei um garoto que talvez eu ame e não fugi. Acredito que posso ser quem eu quiser ser. Todas essas coisas me dão força." (p. 188)

Sinopse: Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola... E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!

"- Acho que sei o que vem agora.
- As pessoas perguntam o tempo todo?
E o engraçado é que não, elas não perguntam o tempo todo.
- Por que 'infinita' - pergunta Infinite Darlene.
Cory concorda.
- Porque - explica ela -, em determinado ponto da vida, eu me dei conta de que estava vivendo uma vida muito finita, e não queria mais isso. Sei que a finitude é inevitável, pois todos nós morremos, nenhum de nós pode andar até a lua, e assim por diante. Mas ainda quero viver minha vida infinitamente. Quero viver como se qualquer coisa fosse possível. Porque é tedioso demais, incolor demais viver finitamente. Sei que não vou viver para sempre, mas quero poder seguir em qualquer direção que me pareça certa." (p. 223)


12 comentários:

  1. Minha próxima leitura é Will&Will, e depois dessa sua resenha fiquei mais encantada ainda pela escrita do Levithan, que ansiedade para ler esses dois livros que aparentemente parecem ser maravilhosos.
    Ótima resenha!
    Adorei.
    Beijos
    http://myself-here1.blogspot.com.br/

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  2. Estou louca para ler esse livro. Já li "Will&Will" e amei!

    estantedorefugio.blogspot.com

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  3. Não Will e Will, mas tenho o livro em casa, assim mesmo como tbm quero ler Garoto encontra garoto, o tema falado no livro me chama bastante atenção, então bem provavel que eu ame ambos livros
    http://contodeumlivro.blogspot.com.br/

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  4. Olá!

    Gostei da resenha!

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  5. Eu não li esse e nem Will e Will, mas ouço muitos elogios a respeito.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista. São 6 livros para escolher e 2 ganhadores.

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  6. Oi Mari!
    Ainda não li nenhum livro do autor, mas sempre ouvi falar muito bem de seus livros.
    Me interessei bastante por esse, vou colocar na minha listinha de compras..hehe
    Beijos

    Li
    literalizandosonhos.blogspot.com.br

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  7. Oláaa!!
    Ainda não li esse livro, mas com certeza está na lista. Li várias resenhas falando super bem do livro, o que aumenta cada vez mais a minha vontade!
    Adorei a resenha, explicou muito bem! Espero gostar da leitura assim como você gostou *--*
    Beijoss

    http://our-constellations.blogspot.com.br/

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  8. Fiquei curiosa com esse livro ainda não lido resenha dele

    ⋙ Um beijo, te espero no blog
    blog Livros com café

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  9. Ah, Levithan. Esse cara... Sem palavras! <3
    É realmente fantástico o poder que ele tem em mãos de fazer com que o preconceito seja extinto de uma vez por todas.
    Sem contar que ele deve ter algum tipo de magia com as palavras... Só pode!
    Ainda quero muito ler esse livro.

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  10. Levithan é vida né?!!! Como não amar??

    Eu não li esse livro (ainda), mas já sei que vou amar!! Pela resenha, é bem provável que justamente o que os outros não gostaram, também será minha passagem preferida.

    Amei a resenha!!

    Bjks

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  11. Oi Mari!
    Bom, você como ninguém, soube e viu de perto a minha pequena frustração que tive diante de Wiil and Wiil... E, não sei se me interessaria em ler este livro... Olha que coisa, em poucos pontos discordamos... E esse autor é um deles.... Não tenho preconceito de sua escrita, apenas não acho interessante... É uma pena, pois muitas pessoas gostam e muito deste autor. Já li várias resenhas que falam muito bem dele, mas eu... pobre ser... não curti ele :(
    Beijos e se cuida
    Ariana Silva
    http://ariabooks.blogspot.com.br/2014/10/livro-primeira-vista-nicholas-sparks.html

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  12. Oi Mari

    Nunca li nada do David apesar de ter Todo Dia na minha estante há um tempo. A ideia e a forma de abordagem do autor, forçando os leitores a enxergar e se questionar sobre seus próprios preconceitos parece ser bastante interessante.
    As opiniões sobre esse livro são bastante divididas e eu ainda não decidi se lerei ou não.

    Beijos
    Mundo de Papel

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Deixe sua sugestão, opinião ou crítica. Prometo lê-las com carinho. Mil beijos, Mari Siqueira.

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