março 16, 2017

[Livros] Outro Dia - David Levithan (Todo Dia #2)

Título Original: Another Day
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788501106834
Classificação: ★★★
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Definitivamente, um dos melhores livros da vida, Outro Dia é tão (ou mais) genial quanto seu antecessor. Narrado a partir do ponto de vista de Rhiannon, a história se desenrola até o exato ponto onde terminou Todo Dia deixando o desfecho em aberto para o último livro da trilogia - ainda sem previsão de lançamento

Sob os olhos da protagonista, a - já incrível - trama criada por David Levithan ganha ainda mais força e é impossível não compreender os sentimentos e medos dos personagens. Se a jovem foi julgada por suas escolhas no livro anterior, desta vez, nos colocamos no lugar dela e percebemos o quanto é difícil sua situação. Rhiannon se apega à uma relação fracassada por sentir que sua vida é ainda mais vazia sem as migalhas de atenção que recebe do namorado. 

Observando seu namoro com Justin, é notável o quanto os dois fazem mal um para o outro. Em muitos momentos, a garota é chata, insegura, tola e dependente do namorado. O relacionamento abusivo - por culpa dos dois - exige tudo dela e lhe traz tão pouco em troca, é muito triste ver o quanto ela se diminui para tentar agradar Justin e como sempre falha miseravelmente. Essa não era a visão que tínhamos de Rhiannon, aos olhos de A ela parecia invencível, forte e extremamente interessante. Aí está a genialidade de Levithan ao escrever pontos de vista que se fundem às nossas próprias perspectivas. 

Rhiannon se apaixonou por A, um ser que vive mudando de corpo. Não há uma definição para A, ele simplesmente é. Não há gênero, raça, idade, família, nenhuma ligação constante. A é tudo e todo mundo e ao mesmo tempo não é ninguém. Mas como amar alguém que cada dia está num corpo diferente? Como ignorar a aparência, a história de vida, o livre-arbítrio do hospedeiro em troca de uma essência?

Ninguém jamais conseguiu ver nossa essência, mudamos todos os dias e nos escondemos sob nossas aparências e, por isso, somos um pouco A. Tudo o que buscamos é identidade, compreensão e, acima de tudo, amor. Mas também somos um pouco Rhiannon, reféns dos estereótipos de gosto, identidade, instinto. Somos tudo e nada ao mesmo tempo. 

Um livro repleto de questões filosóficas, Outro Dia faz pensar, questionar e nos confunde com múltiplas metáforas e possibilidades de interpretação. Poucas vezes uma história me tocou tão fundo quanto essa e por muitos motivos. Debaixo de todas as camadas, cascas e rótulos que me definem, os livros de David Levithan encontraram minha alma e o amor que eu sinto por essa série transcende o que e quem eu sou. 

"- Tem tantas coisas que podem manter você num relacionamento - diz ele. Seus olhos me imploram para ouvir. - Medo de ficar sozinho. Medo de bagunçar a ordem da sua vida. A decisão de se acomodar com algo que é razoável porque você não sabe se vai arrumar coisa melhor Ou, talvez, a crença irracional de que vai ficar melhor, mesmo que você saiba que ele não vai mudar." (p. 56)

Sinopse: Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. 

A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.

"Então volto a olhar para o público o máximo que posso, escolhendo por que pessoa eu ficaria mais atraída se A estivesse dentro dela. 
Sei que a resposta deveria ser todas elas.
Não é todas elas. 
Não é tão simples quanto dizer que todos os caras são sim e todas as garotas são não. É mais complicado que isso. Embora eu considere basicamente os garotos.
A resposta (o A real que eu quero) está sentado bem ao meu lado." (p. 189)


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