setembro 23, 2015

[Livros] Zac & Mia - A. J. Betts

Título Original: Zac and Mia
Autor: A. J. Betts
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Sick-lit, YA
País: Austrália
ISBN: 9788581637716
Classificação: ★★★★☆

_______________

Zac & Mia é um sick-lit adolescente que fala sobre câncer, adolescência e as relações problemáticas entre um e outro. Pode parecer apenas mais do mesmo, mas a narrativa de A. J. Betts tem ao menos um diferencial: não tenta comover. Com humor e esperança, a autora traz uma história de amizade e superação que foge dos clichês e ilustra de forma mais fiel o câncer e suas consequências.

Zac tem leucemia e acabou de receber um transplante de medula óssea. Durante a recuperação da cirurgia, ele fica confinado em um dormitório de hospital jogando videogame e palavras cruzadas com sua mãe. Viciado em estatísticas e estimativas, o garoto pesquisa constantemente sobre o câncer e suas reais chances.

Após muitos dias trancado no quarto, Zac descobre que tem uma nova vizinha. Uma adolescente rebelde que xinga a mãe, não aceita medicação e se preocupa apenas com sua aparência. A personalidade forte e irritante de Mia, é no entanto, o que chama atenção de Zac. Afinal, ele é exatamente o oposto.

Narrando sob pontos de vista alternados o dia-a-dia dos dois, a história retrata realidade - as qualidades e defeitos de dois jovens comuns que cometem erros, ficam zangados e se frustam com sua própria sorte. Mia pode parecer extremamente fútil de início, (e sim, ela é!) mas ao perceber suas inseguranças, seus traumas, começamos a entender que não é assim tão simples, e essa futilidade é uma fuga. Ninguém precisa encarar um câncer sorrindo e Mia, prova isso. Nem tudo são flores, poemas e discursos motivacionais, a protagonista mostra que, às vezes, a vida é uma merda e temos de lidar com isso.

Não é um livro que leve à reflexões profundas, mas que cumpre seu papel: entreter o leitor, dar esperança aos que sofrem (direta e indiretamente) e romper preconceitos. O câncer é uma realidade alarmante e as probabilidades de que um indivíduo ou alguém em sua família seja acometido pela doença são enormes. Tratar de um tema delicado de forma tão casual, com uma abordagem jovem, não só prepara os jovens leitores, como também os alerta para a brevidade da vida. Quando jovens, acreditamos que temos a vida toda pela frente, e quando descobrimos que não temos, as amizades que cultivamos são o que nos dão força para continuar.

"De todos, eu sou o menos corajoso. Nunca me alistei para essa guerra. A leucemia me convocou, essa filha da puta." (p. 51)

Sinopse: A última pessoa que Zac esperava encontrar em seu quarto de hospital era uma garota como Mia - bonita, irritante, mal-humorada e com um gosto musical duvidoso.No mundo real, ele nunca poderia ser amigo de uma pessoa como ela. Mas no hospital as regras são diferentes. Uma batida na parede do seu quarto se transforma em uma amizade surpreendente.

"- Eu sou uma atração de circo. 
- Mia, você não sabe...
- Você é que não sabe, Zac.
- Não, você não sabe o quanto é linda.
A palavra me derruba um pouco. Linda? Fecho os olhos. A Terra parece estar balançando sob meus pés. 
- Você é Mia. Você era e continua sendo, e você sempre vai ser." (p. 170)

12 comentários:

  1. Já tinha visto esse livro em algum lugar, não me recordo onde. Mas nunca tinha me interessado a ler, acho que porque não gostei muito da capa, parece se uma historia bem legal.

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  2. Achei os quotes muito fofos, e esse livro não deixa de estar em minha lista. Acho sim! Que nem tudo é um mar de rosas e uma montanha russa colorida (péssimo exemplo). E as vezes precisamos lidar com a realidade.

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  3. Oi Mari, td bem? Tempinho q não passava aqui...
    Vc disse duas coisas bem importantes pra mim na resenha: não é um livro que tenta comover, e não traz reflexões profundas, retrata a realidade. E é bom saber tbm que não é mais do mesmo. Os personagens do livro parecem ser cativantes!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  4. Que lindo, gostei da proposta do livro!
    O livro me parece ser bem emocionante em fazer com que o leitor reflita sobre vários aspectos da vida, mostrando também um lado diferente da doença que até antes não tinhamos conhecimento. Eu não poderia estar mais curiosa em relação a um livro, com certeza está na minha lista de desejados.
    Abçs!!

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  5. Suas resenhas me fazem querer ler livros que sozinha eu não iria atrás! Essa é um exemplo. Nem gosto desse tema mas parece tão bom!

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  6. Oi, Mari. Eu ainda não conhecia o termo sick-lit, mas fui pesquisar e daí descobri que tratava-se de gênero-enfermo, uma espécie de A Culpa é das Estrelas. Bom, Zac & Mia foi um livro que me fez pensar que seria mais do mesmo, mas vi por você que ele é narrado de uma forma mais humorada e repleta de amizade, o que me animou para a leitura.

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  7. Oi, Mari!

    Parece a nova onda do momento são os sick-lit, né? Eu não sou muito chegada no gênero para ser sincera. Li A Culpa das Estrelas porque a sinopse me interessou, mas normalmente não é uma atração muito grande. =/

    A história realmente parece ser muito bonita. Minha mãe quase comprou esse livro para ler, mas acabou optando por um romance de previsível final feliz para dar uma relaxada. Rsrs

    Mas fico feliz que alguém mostre o lado ruim de se ter câncer mesmo. Ninguém é obrigado a ser um doente feliz. Tenho problema quando as pessoas ficam insistindo que "você deve olhar pelo lado bom", cada um olha pelo lado que achar melhor, não é mesmo?!

    Mas a resenha está ótima!
    Beijão

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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  8. Olha este livro me parece ser leve e divertido e abordar o câncer da mesma forma, tal como ACEDE.
    Eu fugia de livros assim porque minha mãe teve câncer e não é nada leve e divertido.
    Mas encaro estes livros como uma terapia pós trauma, algo assim.
    Acho que se está doente estes livros não seriam legais...
    Li também A menina que semeava e gostei muito.
    Os personagens são interessantes em Zac e Mia e acho que encarar a doença como tipo: não faça de conta que vc tá bem, a vida é uma droga às vezes é legal.
    Vc tem que abraçar a pessoa e chorar e dizer eu não quero que vc morra.
    Câncer é uma merda gente, nada legal!

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  9. Primeira resenha que leio sobre o livro e com certeza já irei incluir ele a minha lista de desejados, gosto de livros com temáticas assim para a gente se por no lugar no outro, viver " mais de perto" com a historio. creio que deva ser um livro que dê alguma forma nos traga uma mensagem. Linda capa.Maravilhosa resenha!!

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  10. Esse livro me chama atenção já pela capa, eu acho ela muito bonita! Acredito que um assunto como esse deva ser trabalhado de forma pensada e muito técnica pelos autores, afinal, não é um assunto fácil de ser abordado. Confesso que a protagonista feminina poderia me irritar um pouco, no início, mas acredito que ela, como tu mesma disse, serve para nos abrir os olhos para as dificuldades de se enfrentar essa situação, talvez a futilidade seja apenas uma máscara, na verdade. Gostei da forma como a autora trabalhou o tema, deixando claro que nem tudo são flores sempre, mas que existe sim esperança.

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  11. Geralmente não gosto livros com histórias sick-lit adolescente, mas confesso que desde o lançamento desse livro fiquei bem curiosa em relação a história, e parece ser um romance bom, então por esse motivo adicionei ele em minha lista de leituras e pretendo lê-lo. Sua resenha está muito boa.

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  12. eu quero muito ler esse livro. nao imaginava que o livro falasse sobre câncer. bom saber, pois é um tema muito interessante.
    mia me fez lembrar um pouco da mia colucci uahauha tanto pelo nome como pelas caracteristicas de personalidade citada na resenha
    gostei da mia. parece ser uma garota de atitude e gostei também da mensagem que o livro passa: esperança!
    quero mais ainda conferir o livro

    beijos

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Deixe sua sugestão, opinião ou crítica. Prometo lê-las com carinho. Mil beijos, Mari Siqueira.

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