fevereiro 17, 2015

[Livros] As Cores do Entardecer - Julie Kibler

Título Original: Calling Me Home
Autor: Julie Kibler
Editora: Novo Conceito
Páginas: 352
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788581635910
Classificação★★★★★
_______________

Emocionante. Foi difícil conter as lágrimas durante e depois da leitura de As Cores do Entardecer. Por si só, o tema segregação racial já me faz querer chorar, mas o livro de Julie Kibler intensifica esse sentimento de tristeza e de indignação com uma narrativa carregada de sensibilidade. Tomamos consciência de que o que Bob Marley dizia foi realidade nos EUA de 1930 e infelizmente, ainda é, em todos os lugares. Nós vivemos em um mundo onde a cor da pele significa mais que o brilho dos olhos.

Questionando a infundada e desumana divisão entre os brancos e negros que aflorava nos Estados Unidos há pouco menos de um século, conhecemos a história de uma garota branca que vive as consequências de um amor proibido. Como um Romeu e Julieta ao mesmo tempo moderno e antiquado, onde as famílias do casal não são rivais, mas têm peles de cores opostas.

Kibler descreve os fatos e os cenários como se realmente estivesse lá. Um intenso trabalho de pesquisa unido aos relatos de “sobreviventes” desse período lamentável da História, foram o bastante para criar uma sólida história, com forte embasamento e feita para tocar todos os corações, afinal debaixo da nossa pele, somos todos da mesma cor.

O livro traz a trágica e comovente história de Isabelle e Robert, dois adolescentes que cometeram o maior dos pecados numa América racista: se apaixonaram. Além de mal visto, o romance dos dois é proibido por lei e está destinado ao fracasso. Os pais da menina, conservadores, não podem sequer imaginar que a filha ama o garoto de pele negra que sempre foi um criado da casa. E quando esse amor vem a tona, nada poderá impedir suas consequências.

A história de sua vida é narrada pela própria Isabelle, hoje com 89 anos. A cabelereira Dorrie torna-se sua confidente e as duas partem em uma jornada através das memórias da velha senhora branca. Os resquícios do preconceito ainda permeiam na sociedade e mesmo depois de tanto tempo, Miss Isabelle é julgada por seu relacionamento com Dorrie, que é uma moça negra. 

O livro é narrado intercalando o passado e o presente das duas, descrevendo seus problemas, seus relacionamentos e tornando-as íntimas, como mãe e filha. É uma relação pura, que surge espontaneamente e que não se importa com os limites étnicos impostos pela sociedade. A amizade de Dorrie e Isabelle é maior que quaisquer diferenças entre elas.

Poucas vezes um livro me tocou tão profundamente quanto As Cores do Entardecer. Fiquei horas pensando sobre a história que acabara de ler, soluçando, indignada, incapaz de abandonar esses personagens tão incríveis, tão reais. Nas páginas brancas, leitosas do livro de Julie Kibler, as palavras impressas com tinta preta marcam o contraste de duas etnias e resultam numa belíssima história sobre amor e humanidade - ou a falta dos dois.

"Mas essa noite meu peito se apertou com uma sensação dolorosa de vergonha. Robert havia me salvado de algo que eu mal conseguia imaginar, mas estava proibido de me levar para casa por causa de uma regra que eu nunca havia questionado antes. Li a placa como se fosse a primeira vez: NEGRO, MELHOR NÃO SER APANHADO EM SHALERVILLE DEPOIS DO PÔR DO SOL." (p. 43)

Sinopse: As cores do entardecer - A sonhadora Isabelle e o determinado Robert desejavam, com todas as suas forças, se entregar à paixão que os unia. Mas uma jovem branca e um rapaz negro não poderiam cometer tamanha ousadia em plena década de 30, em uma das regiões mais intolerantes dos Estados Unidos, sem pagar um preço muito alto.

Diante dos ouvidos atentos da cabeleireira Dorrie, a história do amor trágico e proibido se desdobra, enquanto mudanças profundas se instalam em sua própria vida. Com personagens humanos e, por isso mesmo, memoráveis, As Cores do Entardecer mostra que as relações afetivas muitas vezes são mais profundas que os laços de sangue. A cada etapa da viagem de Isabelle e Dorrie, as lições sobre otimismo e fé se multiplicam.

"Olhando para ele agora ficava espantada de alguém achar que lhe faltava alguma coisa. Ele era o par perfeito, exceto pela cor de sua pele, linda e preciosa como a safira negra do anel de casamento de minha mãe. A cor era a única coisa que nos mantinha separados. Tal injustiça me fazia querer gritar. Eu queria subir a montanha mais alta que encontrasse e gritar até o mundo enxergar seu erro." 
(p. 138)


14 comentários:

  1. Oi, Mari! Tudo bem?!
    Nossa... Só de ler a palavra "segregação racial" esse livro já entrou pra minha wishlist do skoob. Imagino o quão emocionante a leitura deve ser. Minha família paterna é negra e apesar de eu nunca ter sofrido preconceito, vi meu pai e sua família serem alvo constante de injúrias raciais. O efeito se prolonga e atinge a família e os amigos. Por esse motivo, só com a resenha já fiquei emocionada! Parabéns por ela.

    Beijos,

    Juliana Garcez |Livros e Flores

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  2. Nunca li nada com essa temática
    Só o que sei de segregação racial é o que vejo na tv e não é muito coisa...
    Mas fiquei tão curiosa em relação a esse livro e essa emocionante historia, que preciso logo pegar esse livro para ler
    Parabéns pela resenha

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

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  3. Oi, Mari. Como já havia dito no grupo, este tipo de história não me chama muito a atenção e não faz muito o meu estilo, mas gostei bastante da sua resenha e fico feliz que você tenha gostado!
    Beijo,
    http://pactoliterario.blogspot.com.br/

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  4. Gostei bastante da proposta do livro, mas o enredo me lembrou muito "coisa de Nicholas Sparks", o que não me animou muito para a leitura. Eu acho que livros assim tem sempre uma história bonita, mas o final é sempre o mesmo.

    laoliphant.com.br

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  5. Oi Mari, tudo bem?
    Olha vou te confessar que não gosto de ler suas resenhas! Porque você sempre acaba me fazendo comprar o livro...rsrs Proibido chegou essa semana que passou e vou mandar a conta pra vc! rsrs.
    Eu também fico muito tocada quando o assunto é segregação racial! É um assunto que sempre me emociona e indigna muito.
    As cores do entardecer parece ser um livro belíssimo. Parece ser desses que a história não termina quando a gente ler a última página!
    Sua resenha me deixou com muita vontade de ler esse livro e eu com certeza vou colocar ele na minha listinha do skoob, pra quando pintar um dinheirinho...rsrs

    Beijão ;*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  6. Oláá! Primeira vez aqui. E olha resenha maravilhosa, tenho que comprar esse livro e entende você de como é ficar emocionada com os livros. O tema colocado no livro hoje dia ainda ainda existe. O preconceito com o negro diminuiu mais ainda continua. A capa é muito linda!
    Seguindo :D

    Beijão da Lari <3
    Brilliant Diamond | Fan Page

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  7. Oiee

    Não sabia do que este livro se tratava e vou tentar colocar ele na fila de leituras mais recentes, adoro me emocionar e o tema de racismo muito me emociona e sempre toca o meu coração!

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  8. Normalmente eu não leria um livro que desde a sinopse já está destinado ao final triste, pra ser sincera. Gosto de final feliz. Como você se emocionou tanto com a obra, no entanto, vou tentar deixar de lado meu preconceito - afinal, é disso que a obra fala - e dar uma chance à leitura.

    The Fat Unicorn

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  9. Oii Mari, tudo bem?
    Nunca vi a novo conceito anunciar o lançamento desse livro, não curto história com inspiração de Romeu e Julieta, vi que você se emocionou com a escrita do livro, a história parece ser interessante mas não pretendo ler haha, ficou ótima a escrita da resenha :D
    Espero sua visita *-*
    http://www.doceliterario.com/

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  10. Hey!
    Como um simples e insignificante detalhe pode mudar completamente a vida de algumas pessoas né?
    Infelizmente é um problema série e muitas pessoas já sofreram ou sofrem com isso. É algo que foi tão forçado em nossas culturas que é muito difícil mudar essa forma de pensamento.
    Acho que toda a leitura nesse estilo é válida!

    Beijos O Outro Lado da Raposa

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  11. Oi, Mari! Como vai?
    Nunca tinha ouvido falar do livro e ele parece ser muito bom! A autora deve ter uma sensibilidade incrível para conseguir fazer o tempo voltar e não só isso, tratar de uma questão forte como a segregação racial, o preconceito que ainda existe no mundo. Mari, Tocantins para a sua resenha, sério. Você começou belamente com a frase do Bob Marley e encerrou com chave de ouro!!! "As palavras impressas com tinta preta marcam o contraste de duas etnias e resultam numa belíssima história sobre amor e humanidade - ou a falta dos dois." Acho que eu não leria o livro pelo livro, mas pela sua resenha, porque apesar de ser um tema bastante interessante, busco fugir um pouco da realidade enquanto os livros querem mais é que eu veja o desastre que o mundo é - para, claro, tentar fazer alguma coisa. Bem, se seguir essa linha de raciocínio, a autora já fez a parte dela. Se eu parar de fugir da realidade, talvez consiga fazer a minha.
    Beijinhos,
    Karol.
    http://heykarol.blogspot.com.br/

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  12. Oie Mari!

    Olha de fato eu não queria ler esta obra, por achar que não seria nada legal, mas sua resenha me deu uma visão bem diferente e confesso que agora estou morrendo de curiosidade. Não sabia do que se tratava e gosto demais do tema racismo e por isso eu necessito deste livro.

    Parabéns pela resenha e pelas palavras e claro, por me deixar bastante curiosa

    Beijos Fê
    http://www.amorliterario.com

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  13. Já tenho quase certeza que esse vai entra para minha lista de preferidos, segregação racial é um assunto tão delicado e tão complexo que o autor tem que ser muito delicado ao abordar esse assunto em livros.
    http://memorias-diversas.blogspot.com.br/

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  14. Olá!

    Às vezes fico pensando que o intuito desses autores, de fato, é dar um tapa em nossas caras e nos mostrar o quanto errada é a nossa sociedade e até mesmo o nosso modo de viver.
    Talvez você seja atraída por livros que contém amor proibido, em? Proibido e agora As Cores do Entardecer, hahaha.
    Resenha maravilhosa, como todas. Até surge aquela vontade irresistível de lê-lo.

    Beijos literais,
    Luiz Henrique (Luke)
    instanteliteral.com

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Deixe sua sugestão, opinião ou crítica. Prometo lê-las com carinho. Mil beijos, Mari Siqueira.

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