fevereiro 19, 2015

[Livros] Tudo Que Um Geek Deve Saber - Ethan Gilsdorf

Título Original: Fantasy Freaks and Gaming Geeks
Autor: Ethan Gilsdorf
Editora: Novo Conceito
Páginas: 432
Gênero: Autobiografia, Geek
País: EUA
ISBN: 9788581635538
Classificação★★★★☆
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Nerd assumida, devorei 'Tudo Que Um Geek Deve Saber' em pouquíssimo tempo. Ethan Gilsdorf é absolutamente mais geek que eu, mas mesmo assim consegui me identificar com grande parte da narrativa. O livro - que é uma mistura de reportagem e biografia -, fala sobre a infância problemática do autor enquanto traça um paralelo entre os hábitos geeks e o escapismo. 

A jornada épica prometida na sinopse, de fato, foi alcançada. Para os fãs de Tolkien e jogos de RPG, o livro narra uma verdadeira aventura. Confesso que não sou fã de jogos de interpretação de papéis, mas em compensação sou admiradora da obra de J. R. R. Tolkien. Intercalando o melhor dos dois mundos, o autor nos mostra o resultado de anos de pesquisa. Entrevistando nerds e geeks, Gilsdorf quer entender o que leva esses grupos tão peculiares a se refugiarem em outros universos, como os games, livros ou filmes. 

O escapismo, como conclui Ethan, nada mais é do que o ato de fugir da sua própria realidade. Geralmente excluídos da sociedade, esses grupos de pessoas não se identificam com os padrões. Seus gostos peculiares e extravagantes são incompreendidos e suas manias rotuladas como estranhas. Num mundo onde parece não haver espaço para o diferente, os geeks/nerds encontraram uma forma de fugir. Fingir ser outra pessoa ou simplesmente se desconectar da realidade. É o que fazemos quando estamos lendo um livro, vendo um filme ou jogando um jogo em primeira pessoa.

Com certa dose de psicanálise, Ethan Gilsdorf compartilha com os leitores o drama do qual ele escapava quando adolescente: a doença terminal da mãe. O aneurisma que acometeu a mulher que ele mais amava, deteriorou sua família, sua infância e seu mundo. A realidade só trazia sofrimento enquanto um mundo de fantasia parecia atraí-lo cada vez mais: Dungeons & Dragons. O jogo que foi bastante popular nos EUA (antes da Era Digital), mistura imaginação e interpretação, tudo com que o jovem Ethan podia contar naqueles tempos difíceis. 

Aos poucos seus interesses mudaram e com mais maturidade, o autor decidiu abandonar esses hábitos considerados 'infantis'. O que ele não sabia, porém, é que a fantasia não é só coisa de criança. Adultos também precisam de válvulas de escape, e ser um outra pessoa por algumas horas pode fazer de você alguém melhor. Em um mundo de estresse, correria e pressão, nós precisamos de tempo para sermos o que sonhamos ser. 

Em muitos momentos, percebi que compartilho os pensamentos do autor. Eu também questiono uma sociedade que nos julga por sermos 'viciados' em games ou em livros. Todos temos vícios. É o maior defeito do ser humano, mas se é um vício que não prejudica os outros, qual o problema? Muita gente diz que eu compro livros demais. Eu me pergunto se eles prefeririam que eu gastasse todo o meu dinheiro com drogas, bebida e sei lá com o que mais que os jovens da minha idade costumam gastar. 

Ao mesmo tempo, somos levados a nos questionar. Até que ponto viver uma fantasia pode ser saudável? Um pouco de fantasia é essencial para a nossa vida? Escapar da realidade nos torna menos sãos? Recomendo a leitura para geeks e fãs de fantasia, definitivamente esse livro ajuda a entender o nosso mundo incomum e particular. A escrita de Gilsdorf é leve, descontraída, como a de um velho amigo que te mantém informado das novidades. Me senti lendo uma carta de alguém que me conhecia bem e que entendia como é ser assim tão diferente.

"(...) É uma maneira de dar forma ao mundo ao meu redor ao invés de dar forma a mim mesmo em função do mundo." (p. 24)

Sinopse: Por intermédio das suas reflexões e da viagem que decidiu fazer, Ethan Gilsdorf conta não somente a sua história, mas a da cultura pop. Jogador, na adolescência, de Dungeons & Dragons e fã de J. R. R. Tolkien, ele pegou a estrada para ir ao encontro de sua família . Nesse incrível tour, o autor viaja para a cidade natal do criador de D&D, Gary Gygax, veste uma fantasia para participar de um RPG e usa trajes medievais para encenar uma guerra em um encontro de nerds.Ao longo de sua jornada, Ethan ainda visita as obras do castelo francês Guédelon, uma incrível fortaleza medieval que está sendo construída hoje com os mesmos recursos utilizados no passado, e viaja para a Nova Zelândia, onde conhece as locações das filmagens de O Senhor dos Anéis. Acompanhe Ethan Gilsdorf nesta jornada sem precedentes, que traz para a realidade a paixão pela fantasia e pelos jogos.

"As histórias, personagens e músicas serão passadas à próxima geração, e as referências subculturais irão brilhar no panteão de mitologias criadas à imagem e semelhança dos deuses. Harry Potter ocupará seu lugar ao lado de heróis como Ulisses, Paul Bunyan, Bilbo Bolseiro, Luke Skywalker e Jesus. Nós precisamos dos nossos heróis." (p. 227)


6 comentários:

  1. Oi Mari =)
    Quando esse livro chegou para mim, meu marido que é totalmente nerd/geek já pegou para dar uma folheada, pela sua resenha vejo que irei gostar, me pareceu ser um livro rápido de ler e concordo com você em relação aos vícios, todos nós temos vícios, sou viciada em livros, chocolate rsrs e isso não faz de mim uma pessoa "pior" que as outras. Julgamentos sempre vão existir e parece que os nerds/geeks tendem a sofrer isso, assim como outros "grupos" também.
    Adorei sua resenha.
    Beijos!!!
    @lpdiversao
    @jannagranado
    http://livrospuradiversao.blogspot.com.br

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  2. Oi!
    Na primeira vez que vi o livro me interessei bastante, mas agora percebi que ele é diferente do que eu imaginava. Eu esperava uma história corrida, sabe? Não um relato de um autor geek. Mesmo assim, ainda gostaria de ler, pois nos últimos tempos venho pensando muito sobre esse escapismo que os livros nos proporcionam.
    Sua resenha foi muito útil para mim, obrigada!

    Leitores Forever

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  3. Oiee

    A única coisa que me identifiquei ai é ter um vício e óbvio o da leitura, no mais acho que não leria o livro , não me acho nerd nem geek e não me identifico com esse livro rsrs mas que bom que você gostou !

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  4. Que bom que você gostou, mas acho que não leria. Não faz bem o meu tipo.
    Infelizmente de "nerdice" não tenho nada.

    Inquietudes Secretas

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  5. Olá!

    Sou nerd, mas não a ponto de ser geek. Não sei se o leria, não combina comigo rs

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  6. Oi Mari, sua linda, tudo bem?
    A cada resenha sua, fico mais impressionada com a maturidade de seus textos, com suas visões do mundo, com o seu jeitinho de enxergar uma história e de vivê-la com toda paixão. Acho que você ser escritora seria limitador demais. Hoje acho que você é uma artista. Artista é um termo mais amplo, que engloba tudo. Acho que o mundo é muito pequeno para você, dá para perceber isso na forma como você se comunica. Eu nunca leria essa livro, não é o meu estilo. Mas você o expôs para mim de uma forma que me enlaçou.
    Ameie!!!!!
    beijinhos.]
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

    OBS: tenho certeza de que você tem asas e pode voar muito longe. Acredite em você.

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Deixe sua sugestão, opinião ou crítica. Prometo lê-las com carinho. Mil beijos, Mari Siqueira.

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