julho 28, 2016

[Filmes] Negócio das Arábias (Cabine de Imprensa - Mares Filmes)


Ontem, (27/07), estive na 1ª Cabine de Imprensa de Negócio das Arábias no shopping Eldorado em São Paulo, o blog foi convidado pela distribuidora Mares Filmes. A adaptação cinematográfica do livro "Um Holograma Para O Rei" que foi publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras e tem como protagonista ninguém menos que o fantástico Tom Hanks estréia em 4 de agosto nos cinemas brasileiros.

Em mais uma atuação brilhante, Hanks interpreta Alan Clay um vendedor de meia-idade que se vê sua vida desmoronar ao perder seu carro, casa e esposa - não necessariamente nessa ordem. Após o divórcio, a responsabilidade de custear a faculdade da filha recai sobre ele e para conseguir bancar os caros estudos da filha, ele decide tentar fechar uma venda milionária com o poderoso Rei da Arábia Saudita.

O projeto - um sistema de tecnologia holográfica - apesar de genial, esbarra em muitos obstáculos, sendo o principal deles a falta de vontade dos funcionários Reais. Ao encontrar o Centro de Negócios, um terreno no meio do deserto onde ainda não há nada construído, o vendedor percebe que tem um desafio enorme pela frente. O próprio Rei passa meses afastado de seus negócios e, enquanto aguarda ansiosamente pela oportunidade de apresentar seu produto, Alan descobre mais sobre si mesmo e começa a questionar o rumo que sua vida tem tomado.

Repleto de metáforas, muitas delas pouco claras de início, Negócio das Arábias fala sobre um homem que está perdido. Em uma clara alusão ao centro de negócios, a atual vida de Alan Clay é apenas um projeto, não há absolutamente nada. Não há referência mais devida do que estar perdido no deserto. 

Com coadjuvantes árabes caricatos e exagerados, o tom cômico do filme é alto. Tom Hanks usa um tom de voz característico dos vendedores e suas ações parecem forçadas, mas são na verdade muito próprias para seu personagem. As piadas, apesar de clichês, em sua maioria funcionam e é impossível não se divertir com as catástrofes que cercam a vida do protagonista.

Desacostumado ao fuso-horário árabe, Alan todos os dias perde a hora de ir para o trabalho e acaba tendo que pedir um taxi. O motorista é um divertido rapaz chamado Yousef que eleva a comicidade do filme ao extremo. Atrapalhado e tagarela, Yousef se torna um bom amigo para o americano e torna sua estadia algo memorável.

Alan Clay pergunta a cada uma das pessoas que conhece de qual país ela é. O hábito, que parece não ter nenhuma relação com o filme, na verdade esconde a real intenção por trás da história: mostrar as múltiplas culturas que formam uma sociedade. Todas as pessoas que conhecemos nos impactam de alguma forma e deixam um pouco de si conosco, umas mais e outras menos. Alguém que chegou sem nada a um país desconhecido pode terminar cheio de histórias para contar e, até quem sabe, um pouco mais feliz.

Em suma, este é um filme divertido, complexo e muito metafórico. A primeira parte pode parecer tediosa porque visa transmitir a real situação na qual o protagonista se encontra, mas aos poucos o ritmo aumenta e o deserto mostra ter mais do que grãos de areia. Há, até mesmo, uma crítica à economia atual que sofre com a desvalorização que países como a China impuseram ao mercado econômico, essa situação impacta inclusive na trama. Uma mistura de muitos temas, sotaques, personagens, culturas e histórias, Negócios das Arábias pede reflexão e funciona como um holograma, trazendo a seu espectador uma visão tridimensional da vida de um homem e das consequências de suas escolhas.

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