fevereiro 28, 2016

[Livros] O Que Há de Estranho Em Mim - Gayle Forman

Título Original: Sisters In Sanity
Autor: Gayle Forman
Editora: Arqueiro
Páginas: 224
Gênero: Ficção, Young Adult
País: EUA
ISBN: 9788580414806
Classificação: ★★★☆☆
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O retrato de uma realidade oculta, O Que Há de Estranho Em Mim expõe uma situação, infelizmente, ainda muito frequente - o descaso em sanatórios e clínicas de internação para jovens com problemas psicológicos. Hábil contadora de histórias, Gayle escreve sobre o tema questionando também a linha tênue entre loucura e sanidade.

Abordando, de maneira interessante, a amizade e a lealdade que surgem nas circunstâncias mais difíceis, o livro de estreia de Gayle Forman cumpre seu papel - passar uma mensagem. A intenção da autora sempre foi misturar ficção e realidade para chamar atenção aos problemas dos jovens. Assim como em Eu Estive Aqui, um de seus livros mais intensos e que trata de suicídio, este é também um alerta, um recado que pode salvar vidas.

Comparações com o livro Garota Interrompida são inevitáveis. Desde muitas das características das personagens até o rumo que a história segue, parece ser possível traçar um paralelo, mas existem algumas diferenças, e nelas, a marca registrada da autora de Se Eu Ficar. O romance fugaz adolescente e as frases reflexivas que estão presentes em seus outros livros, marcam presença em meio as questões densas da história. Esse equilíbrio de medidas é o que torna sua escrita tão boa, não há drama demais.

Brit é uma jovem adolescente que perdeu a mãe e vive com o pai e a madrasta - uma megera nada carinhosamente apelidada de Monstro. Sua vida é, como a de muitos adolescentes, vista como um ato de rebeldia. Cabelos são coloridos, vários piercings, notas baixas, ódio por sua madrasta e o fato de que a garota está numa banda de rock são o suficiente para que seu pai resolva mandá-la para uma instituição para jovens desequilibrados.

O lugar,uma espelunca que não tem preparo, estrutura ou embasamento médico para tratar nenhum paciente, a recebe como se ela fosse louca e lá, por estar revoltada com sua vida - algo simplesmente normal na adolescência -, ela fica confinada, longe dos amigos e da família. Brit não é a única pessoa que está lá injustamente, outras meninas foram enviadas para a Red Rock por motivos ainda mais torpes, nenhuma delas pode voltar para casa e a crueldade é ainda maior que a injustiça.

Aos poucos, a garota vai descobrindo que não está sozinha naquele lugar e contando com a ajuda de amigas nada convencionais - afinal, o que é convencional num sanatório? -, ela vai descobrir que a loucura é só uma definição para um comportamento inconveniente. As cinco amigas, Brit, V., Cassie, Bebê e Martha se tornam irmãs na insanidade e vão se apoiar umas nas outras para sobreviver aos horrores de um lugar que visa enlouquecer ao invés de curar.

Eu gostei bastante da história, apesar de não ser o melhor de Gayle Forman. Talvez por ter sido seu primeiro romance young adult, este não tenha sido tão lapidado quanto seus últimos trabalhos. Há beleza na forma como Brit amadurece e mesmo seu comportamento "rebelde" é explicado e colocado em xeque. Diante de problemas maiores do que os nossos, nos percebemos infinitamente menores. Em uma emocionante epifanias, Brit vai descobrir que somos todos estranhos, às nossas próprias maneiras e a louca é só uma inadequação. Mas quem define o que é adequado?

"(...) Achei que era o caso de tirar uma foto multissensorial, um truque que havia aprendido com minha mãe. Bastava usar todos os sentidos para gravar na memória os aspectos de um lugar, os cheiros, os barulhos, os gostos e as emoções. Assim, quando um momento era realmente especial, podíamos levá-lo conosco para qualquer lugar e trazê-lo de volta sempre que desse vontade." (p. 115)

Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.

Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.

Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

"- (...) A gente acha que a loucura e a sanidade ficam em lados opostos de um oceano, mas na verdade não passam de duas ilhas vizinhas." (p. 194)


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